segunda-feira, maio 07, 2001



Zé Limeira

O paraibano Zé Limeira era um poeta popular surrealista que perambulava pelo sertão nordestino fazendo poesia e cantando repentes. Nasceu ainda no século 19 e morreu em 1955. O bicho misturava tudo, pessoas, épocas, o escambau. Sua viola tinha uma decoração psicodélica com mais de trinta fitas penduradas. Só usava óculos escuros e se vestia com roupas de dar inveja aos roqueiros de hoje. Taí umas coisas dele:

OS TRÊS PODERES

Quatro vacas brincavam no quintal,
Cinco burros dançavam no terreiro.
Dez navios no Rio de Janeiro
Navegavam pensando em Portugal....

Recordando a viagem de Cabral,
De Lumumba, Kruschove e Mubutu...
Iracema banhar-se no Ipu
Não pensava morrer de morte tal.

Lá nas margens do velho Rio Doce,
Um macaco tarado deu um coice
E Getúlio atirou no coração.

E Kruschove dizia a Salazar:
Nós agora podemos processar
Virgolino Ferreira - Lampião.
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Se eu for na minha casa
Tem capim pro seu cavalo
Se chegar um filosófo
Eu mando fotografá-lo
Se chegar um fotográfo
Eu mando filosofá-lo
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O velho Thomé de Sousa,
Governador da Bahia,
Casou-se e no mesmo dia
Passou a pica na esposa
Ele fez que nem raposa:
Comeu na frente atrás,
chegou na beira do cais,
Onde o navio trafega
Comeu o Padre Nobrega,
Os tempos não voltam mais
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A Virgem de Nazaré
Gostava do evangelho
Mas casou com um cabra velho
Por nome de São José
O velho tomava rapé
Bebia cana e cuspia
Um dia a Virgem Maria
Com ele se engregenou
E quase não nasce o Messias