quarta-feira, fevereiro 26, 2003



Ao alvo

Tá no rol das necessidades fisiológicas, mas todo mundo sabe que nas gentes de pileque, assim de manguaça, o mijo perde o rumo. Aqui, os caras bolaram um jogo onde qualquer pigunço ou pigunça pode testar a pontaria no vaso e a capacidade de manter o prumo e a direção do líquido farto. Segundo eles, depois de entornar o terceiro copo fica difícil pra caramba.

Essas cybergentes inventam cada coisa!


sábado, fevereiro 22, 2003




Gato





Pergunta aí se ele tá preocupado com o que tá ocorrendo no reino da felinagem feroz, esse da rapinagem e da loucura, onde daqui a pouco muitos inocentes do Iraque podem ser imolados por ordem de apocalíptico cavaleiro, um diabo papudinho a serviço dos interesses das ganâncias.

Pergunta aí se ele tá puto porque o cara que fo ieleito por estas bandas foi engolido pelo FMI, igualzinho ao outro que se foi, e daqui a pouco muitos inocentes daqui podem ser sacrificados no mesmo altar das tais ganâncias com comida zero.

Não tá nem aí pras outras grandes mazelas desse mundão. Por isso na próxima encarnação quero ser um gato, que tirante a o perigo de virar tamborim, parece que o resto é moleza, e ainda me livro do lero enganador desses que se dizem gentes.


terça-feira, fevereiro 18, 2003



Mais uma mulher daquelas

Essa moça, essa Violante Montesino viveu num tempo esquisito, naquele em que desilusões amorosas quase sempre desembocavam numa tísica galopante e trágica ou num confinamento voluntário (vez por outra também desastroso) nos conventos ou mosteiros.

Uns, na tentativa de abafar o amor e as paixões nos corações desesperados, se isolavam de si mesmos e definhavam até a morte. Outros se isolavam dos demais nesses lugares ermos porém não conseguiam sufocar o desejo do corpo nem as necessidades da alma e hajam palavras avassaladoras de louvor ou de lamento ao que foi perdido e siriricas solitárias, embora depois a ressaca da culpa provocasse até auto-flagelo pra amenizar os temidos pecados.

Parece que com Violante foi assim e ela foi ser, aos 28, no glorioso ano de 1630, Sóror Violante do Céu, no Convento de Nossa Senhora do Rosário, da Ordem de S. Domingos ali em Portugal e se revelou uma tremenda poeta barroca das boas. Talvez a maior. Taí uma de suas agruras traduzida em versos:

A uma suspeita

Amor, se uma mudança imaginada
É com tanto rigor minha homicida,
Que fará, se passar de ser temida,
A ser, como temida, averiguada?

Se só por ser de mim tão receada,
Com dura execução me tira a vida,
Que fará, se chegar a ser sabida?
Que fará, se passar de suspeitada?

Porém, já que me mata, sendo incerta,
Somente o imaginá-la e presumi-la,
Claro está, pois da vida o fio corta.

Que me fará depois, quando for certa,
Ou tornar a viver para senti-la,
Ou senti-la também depois de morta.



segunda-feira, fevereiro 17, 2003



Banana


Larry Korhank, esse fotógrafo aí enfim encontrou o tal do tão procurado elo perdido, aquele que nos une definitivamente a eles.


segunda-feira, fevereiro 10, 2003



Predadora

Chega sorrateira, insufla e arranha desejos, depois some sem deixar sinal.


sábado, fevereiro 08, 2003



Vesga e troncha eqüidade

Inclusão geral era o lero da campanha presidencial de quem ganhou a contenda eleitoral e por isso o povo correu atrás pra se incluir elegendo o cara. Criou-se agora aí um imenso Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social composto por gentes da tal sociedade civil pra dar uns pitacos e ajudar a descobrir e desobstruir os tortos caminhos da inclusão que passa pela cruel desigualdade regional. Pois sim, o dito conselho tem 82 membros, e tirante os ministros tá assim distribuido: 42 paulistas, 5 do Paraná, Minas 3, Mato Grosso do Sul 2, Goiás 1 e Santa Catarina 1. O nordeste só tem três representantes e o norte nenhum.

Penso que a distribuição de pessoas tá troncha e a visão vesga. Nada contra o povo de sampa que aprecio muito, mas precisa balancear melhor esse barato aí ou vai pender prum lado só. Ou então nosso patropi só tem uma banda de primeira mesmo, o resto é tudo de terceira e representa, além de um peso pro país, uma tremenda ameaça.

Pelo menos é o que ficou entendido pela infeliz fala do ministro Graziano, aquele que se condoendo da fome nordestina (e do resto) propôs o destrambelhado fome zero. Pois sim, o bicho tascou num auditório de ricos e bem alimentados empresários paulistas que ou se segura os nordestinos nas bibocas onde moram ou os paulistanos vão ter que continuar andando em carros blindados. Dá pra aguentar uma dessas?

O povo que tá de plantão no poder agora carece urgentemente entender que só se contrói a sonhada e necessária inclusão geral se primeiramente zerar os preconceitos.


quarta-feira, fevereiro 05, 2003



Miss Kittin



Penso que uma das boas coisas deste nosso degringolado mundo é a diversidade. E se o povo é diverso os ouvidos também são. Daí que tem uns que gostam de silêncio e outros de barulho pauleira. A mim me seduz mais o som manso, delicado, embora não tenha preconceito contra os brabos, dissonantes e outros mais.

Confesso cá que tenho uma certa dificuldade em apreciar alguns certos e ditos neopagodeiros, neosertanejos e neoelectropops. Juro que tento ser isento quando ouço, mas o diabo dos meus ouvidos se irritam fácil apesar do esforço pra serem benevolentes.

Tudo isso pra dizer que vi, de madrugada, num canal europeu e pago de televisão uma performance dessa moça francesa de um pouco menos de 30, Caroline, essa Herve que se nomina Miss Kittin e que andou detonando pelas noites das capitais do mundo civilizado, tá ou teve aqui arrasando nas noite metropolitanas do nosso amado patropi, e se tornou a musa atual do tal electro, esse movimento que por mixar bases eletrônicas, loops e vocais com trechos de músicas new wave do passado jura que cria, mas parece que só recicla.

O povo entendido das artes e das culturas tá afirmando que esse barato aí, esse que a moça representa é provavelmente o primeiro movimento cultural jovem genuíno do século XXI. Pois sim, se for, meus ouvidos e os dos meus descendentes imediatos tão é fritos.

Ah, ela é irreverente pra caramba e tem umas letras escatológicas como essa aí embaixo chamada Frank Sinatra:

"every night with my star friends 
we eat caviar and drink champagne
sniffing in the v.i.p. area
we talk about frank sinatra
you know frank sinatra?
he's dead... dead!
ha ha ha!"

"to be famous is so nice
suck my dick
kiss my ass
in limousines we have sex
every night with my famous friends

..."

"motherfuckers are so nice
suck my dick
lick my ass

..."



terça-feira, fevereiro 04, 2003



Vício

Já morri umas vezes, mas nunca disso porque isso só mata quem tem, né?