terça-feira, maio 01, 2001
La Fontaine também era do balacobaco
O ócio me deixa abstrato e manemolente e me dano a pensar umas coisas. Mas hoje tô lento, quase parando. E nesse marasmo aqui dei uns rolês por uns blogs daqui e dalém e vi que o kama sutra não vai perder nunca a atualidade.
O come-come, a dita lascívia e prazerosa comilança praticada entre a espécie humana, que as mentes conservadoras chamam de intercurso carnal e que o povão batizou de trepar, foder e tal, tá tão presente nas gentes que me vieram à mente as tais controvérsias que se arrastam através dos tempos: trepar por trepar ou amar pra trepar. Daí me lembrei do Jean, aquele La Fontaine, fabuleiro fabuloso, que vez por outra também transitava pelos temas da sacanagem, dando lá os seus pitacos. Olhaí:
"Amar, foder: uma união
De prazeres que não separo.
A volúpia e os desejos são
O que a alma possui de mais raro.
Caralho, cona e corações
Juntam-se em doces efusões
Que os crentes censuram, os loucos.
Reflete nisto, oh minha amada:
Amar sem foder é bem pouco,
Foder sem amar não é nada"