sexta-feira, agosto 30, 2002
Cobra ou camaleão
Parece que este blog tem uma necessidade latente de mudar de pele, ora que nem cobra, se livrando do fardo do couro gasto, ora como camaleão, mimetizando, de leve, as nuances coloridas que o ambiente emana.
E eu, que pouco sei de códigos e cores, me lasco todo mexendo nos instestinos pouco amigáveis desses tais templates pra atender aos caprichos compulsivos deste inanimado blog e de mim.
Hoje mudamos as vestes, mas a essência permanece a mesma, como sempre.
quarta-feira, agosto 28, 2002
segunda-feira, agosto 26, 2002
sexta-feira, agosto 23, 2002
terça-feira, agosto 20, 2002
sábado, agosto 17, 2002
Incompleta trajetória
Latente desejo já confessado, dito, explicitado, traduzido em vontade e revelado em tortas palavras. E as palavras, por via de uns mistérios, duns enigmas ou sortilégios, há muito que estão lá, mas a resposta não pinta.
E assim a jornada não se completa, nem o destino se cumpre pela sentida ausências dessas palavras esperadas.
quinta-feira, agosto 15, 2002
Telegráfico
Eu amo. Ela ama, não proclama. O tempo encolhe, a janela é o visor do mundo e oráculo de nós. O vaticínio em parte se confirma. O círculo se fecha, o entorno é redondo. Tudo aproxima, quase tudo periga nesse altar de conchas, puro mistério e nele me emaranho, sem susto ou sobressalto. Sortilégio, visgo que nos ata, mesmo longe perfeita percepção. Enfim, afins, a fim. A espera, a espera, a espera.
Quando, por fim?
segunda-feira, agosto 12, 2002
sábado, agosto 10, 2002
Saartjie Baartman, uma mulher
Ali, na região de Hotentote, na África do Sul, as mulheres da etnia khoi-khoi sempre foram assim de belas feições e formas exuberantes, com nádegas salientes e coxas desenvolvidas. Saartjie Baartman também era igual às demais e tinha uma particularidade: acentuada hipertrofia nos lábios vaginais.
Em 1810 um sacana holandês-inglês, o médico William Dunlop zanzava por lá, deparou-se com ela e sacou logo que podia ganhar uma grana fácil exibindo-a na Europa, pois destoava do padrão da mulher européia geralmente desprovida desses atributos. Ela só tinha 21 anos e foi convencida a viajar com a promessa de melhorar de vida.
Na verdade passou a ser explorada da mais infame, sórdida e degradante maneira, exibida nua como um animal selvagem, “como um caso assombroso da natureza” em circos, bares, bordéis e até universidades. Passou a ser conhecida como Vênus hotentote.
O pessoal de Londres que na época combatia a escravidão fez pressão e ele se mandou com ela pra França e continuou fazendo a mesma coisa lá. Submetida a todo tipo de humilhação, tendo cada naco da sua anatomia vasculhada, servindo até aos baixos instintos sexuais de quem quisesse ter um “gozo animal” morreu, certamente de banzo e desamparo, entregue ao alcoolismo, contaminada pela sífilis e tuberculose numa lenta agonia, aos verdes 25 anos e teve seus incomuns órgãos sexuais e o cérebro retirados e colocados num vidro com formol passando a ser atração de museus. Seus ossos também foram guardados. Sua saga macabra continuou até 1976 quando a África do Sul começou um movimento pela repatriação dos seus restos mortais e restauração da sua dignidade.
Agora a assembléia nacional da França aprovou a devolução do que restou e que era patrimônio do Museu do Homem de lá.
Depois de quase duzentos anos finalmente ela retornou pro seu canto, mas a vergonha não foi apagada, não acabou o preconceito nem a mancha da discriminação que ainda pulula por esse mundo onde o vivente humano até hoje não aprendeu a respeitar os semelhantes nem os diferentes.
sexta-feira, agosto 09, 2002
Cativo
Não tem como deter um querer, um desses que sorrateiros se instalam dentro das humanas criaturas, porque tudo quanto é flanco de repente fica frágil, e uma languidez se apodera do corpo e do pensamento e devasta, sem nenhuma piedade, as possíveis resistências.
Daí tudo se torna vulnerável: da cabeça ao peito, da anca ao pé. Num estado de puro estupor.
terça-feira, agosto 06, 2002
Enredado
Paulo César Pinheiro escreveu, Dory Caymmi musicou e virou "Desenredo".
Por toda a terra que passo
Me espanta tudo o que vejo
A morte tece seu fio
De vida feita ao avesso
O olhar que prende anda solto
O olhar que solta anda preso
Mas quando eu chego eu me enredo
Nas tranças do teu desejo
O mundo todo marcado
A ferro, fogo e desprezo
A vida é o fio do tempo
A morte é o fim do novelo
O olhar que assusta anda morto
O olhar que avisa anda aceso
Mas quando eu chego eu me perco
Nas tramas do teu segredo
Ê Minas, Ê Minas
É hora de partir eu vou
Vou me embora pra bem longe
A cera da vela queimando
O homem fazendo o seu preço
A morte que a vida anda armando
A vida que a morte anda tendo
O olhar mais fraco anda afoito
O olhar mais forte indefeso
Mas quando eu chego eu me enrosco
Nas cordas do teu cabelo
domingo, agosto 04, 2002
Luz, sombra e reflexo

Portas e janelas escancaradas pro mundo pra que a claridade devasse cada canto devassável dessa casa-coração e expulse de mim esses resquícios de ave noturna, e reduza esse gosto pela sombra no jogo do claro-escuro.
Mas não só pra isso. Abertas também pra que eu possa, do mesmo jeito da claridade, devassar o mundo que me reflete.
sábado, agosto 03, 2002
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