domingo, abril 29, 2001



Surrupiando os caraminguados

A tal da receita federal (ou foderal) estragou o meu domingo, e pelo visto o resto do ano também. Em vez de um leão a imagem da bicha deveria ser uma sanguessuga que é definida assim: “verme anelídeo carnívoro ou sugador de sangue, que constitui a classe dos Hirudíneos; tem o corpo achatado, segmentado, de contorno lanceolado, mais largo perto da extremidade posterior e com anéis bem demarcados, mais numerosos que os segmentos verdadeiros. Possui uma ventosa em cada extremidade, boca dentro da ventosa anterior e estômago grande, com bolsas espaçosas nos lados. É hermafrodita e parasita.” Esconjuro!

sábado, abril 28, 2001


Na escala dos desejos quem comanda é a fodelança

Domingos de Oliveira, aquele lá do cinema, teatro e televisão tá dirigindo uma peça em que ele também é co-autor, que se chama Todo Mundo Tem Problemas (Sexuais), já que ela foi baseada em centenas de cartas, dessas que as pessoas mandam pra essas colunas de auto-ajuda dos jornais. Neste caso parece que é um psiquiatra que analisa e responde, e se atém apenas a problemas sexuais. Talvez se pudesse dizer que é uma coluna psico-sexual-sentimental e tal.

Pois o Domingos numa entrevista sobre a peça disse que nos relacionamentos as pessoas querem mesmo é sexo, e que o amor é apenas o efeito colateral disso. Taí, se for verdade, o instinto animal agora assumiu a primazia nos sentimentos.


sexta-feira, abril 27, 2001


Creme de la Creme

Ali, no reino do vuco-vuco, onde gosma é lama e a pressa tanta, só falta alguém gritar por via daquelas ânsias:

- Corra
antes que a porra
escorra.


Papa-lagartas

Hoje eu acordei com a estranha e kafkiana sensação que era um.

quinta-feira, abril 26, 2001

Inconsistência

Não procure lógica nas querenças. Isso tá fora disso.



Pra entortar o quengo

Nos desvarios dos sonhos todo sinal é um código, e sendo de primitiva feitura não tem ninguém que decifre porque dificulta a leitura.
Nos desvarios da vida, nesses que se têm acordado, há quem se confunda pensando que tá dormindo.

terça-feira, abril 24, 2001


Estique-se

Tem gente que exercita com afinco a arte da síntese. E sintetiza tanto que desaparece provando que a síntese da síntese é nada.
Iguais

Odeio e amo.
Nada mais humano.

segunda-feira, abril 23, 2001

Inconforme

Se tá certa a ciência
e tudo se move,
então paciência,
se pareço parado
e tão desconforme.

domingo, abril 22, 2001


Amores vigentes

Precário e moderno
o idílio hodierno
nem se liga na essência.
Veloz, vazio e transitório
segue aí nessa trilha:
nas circunstâncias se fica
e na seqüência se pira.

sábado, abril 21, 2001

Amores fundidos

Aqui e alhures o humano amor é um. O que varia é a tal forma de amar. Tem quem diga que amor é simbiose que transforma dois em um. Outros dizem que se cada qual não se preserva o amor não é liberto. Tá bom. Agora, simbiose no corpo a corpo e comoção na cuca é pra lá de bom.

quinta-feira, abril 19, 2001

Chacoalhando

Pra sacolejar o conformismo e abalar corações indecisos.
Esse Fernando sacava as aflições da raça humana.

"... E é sempre melhor o impreciso que embala que o certo que basta,
Porque o que basta acaba onde basta, e onde acaba não basta,
E nada que se pareça com isto devia ser o sentido da vida..."
(Fernando Pessoa)


terça-feira, abril 17, 2001


Nelson profeta

Não considero o Nelson Rodrigues assim um gênio da raça. Mas era um grande escritor e tem umas coisas brilhantes e outras menos. O bicho tinha mesmo era um dom profético que ninguém pode negar, e ainda dizia umas verdades que doía.

Olha só essa. Profetizou que no século que se foi a coisa mais significativa seria a Revolução dos Cretinos Fundamentais. Vitoriosos, iriam impor a tirania das mediocridades por uma razão absolutamente elementar: superioridade numérica.

Pois é, parece que se cumpriu a dolorosa premonição dele. Nunca se viu tanta boçalidade e imbecilidade reinando na política, na economia, na mídia e em mais um monte de coisas no Brasil e além das fronteiras daqui.

(Inclusive neste blog, né?)


domingo, abril 15, 2001

Repentes saborosos

Esse ouvi da boca de um vaqueiro nordestino, que nem eu, vestido naquele roupão de couro, com um jeitão meio rude e tocando o gado por umas trilhas. E eles fazem assim: dão um grito de aboio estridente e melancólico, aí intercalam com uns cantos improvisados, como esse aí:

Menina me dá um beijo
só não quero no pescoço
quero é no bico do peito
que é macio e não tem osso
que é pra quando eu ficar velho
me lembrar que já fui moço"


sexta-feira, abril 13, 2001

Enlightening

Ela falou e alumiou tudo
Diáfano

Quase sempre sou translúcido
mas tem vez que fico opaco
e tanto num como noutro
a claridade perpassa


quarta-feira, abril 11, 2001

Temporão

Meu sentimento momentâneo é que sou mesmo é extemporâneo.

terça-feira, abril 10, 2001

Das semânticas

Filho da prosetemia
Ansiava por melhora,
e sendo só uma metonímia,
sonhava em ser metáfora.

sexta-feira, abril 06, 2001


Delícias

Na cama e nua
com ímpeto goza
e o corpo extenua

quinta-feira, abril 05, 2001


Pra não se grilar

O grilo é o bicho. E grilar é uma coisa tão comum nessa estranha espécie humana que, com o tempo, alguns até viram bicho-grilo, ou fantasma, né? E fantasmas são grilos devidamente consolidados, cristalizados pelos cismas que importunam o miolo da gente. Fantasmas habitam no fígado, já os grilos moram na alma. De uns tempos pra cá tenho tentado eliminar grilos e cultivar fantasmas. Assim, por dia, expulso uns três grilos. O diabo é que pelo menos uns quantos mais se instalam. Inglória essa tarefa de expelir grilos. Os fantasmas, esses se multiplicam como as dúvidas.

terça-feira, abril 03, 2001


Avassaladoras

Grande parte da mídia visual tenta convencer que mulher é só pé, canela, coxa e ancas, braços, peitos, face e boca. Ok, o corpo feminino é um belo conjunto. Mas falta evidenciar a inteligência e sensibilidade do mulherio, e isso elas têm de sobra.

segunda-feira, abril 02, 2001


Palpite

Não digo que me assustam, mas me causam sobressaltos, as coisas do imponderável. Aquelas não explicadas e por isso atribuídas ao destino ou acaso. Tem dia que acredito, noutro quase que abomino. Mas volta e meia me rendo sem resistência ou defesa, às evidências dos fatos.