quinta-feira, maio 31, 2001
A libidinosa comilança desenfreada pode causar câimbra e paralisia cerebral
O povo que viveu ali pelo século 19 foi pródigo em produzir teorias. E tinha o John Loughborough que difundiu aquela da Força Vital: "... poder colocado no corpo humano, por ocasião de seu nascimento, / (...) Sendo que o suprimento inicial é limitado, e uma vez que cada ato sexual retira força de um montante irrecuperável, conviria àqueles que cobiçam lograr uma vida longa manter suas atividades sexuais a um mínimo."
Aí a Ellen G. White uma danada que não tinha nem o primeiro grau, mas escrevia feito doida e era a queridinha dos adventistas (escreveu mais de 100 mil páginas manuscritas, abordando religião, família, saúde, medicina, nutrição, educação, psicologia e o escambau), pegou o gancho do dito aí em cima e tascou, em 1876, isso aí embaixo:
...”Não vêem que Deus requer que controlem sua vida matrimonial e evitem quaisquer excessos. Mas bem poucos sentem ser um dever religioso governar suas paixões. Uniram-se em matrimônio para o objeto de sua escolha, e raciocinam, portanto, que o casamento santifica a indulgência de paixões baixas. Mesmo homens e mulheres que professam santidade dão rédea solta a suas paixões lascivas, e não imaginam que Deus os tem por responsáveis pelo gastar a energia vital, o que enfraquece seu vigor na vida e enerva o organismo inteiro / (...) Muitos professos cristãos estão sofrendo com paralisia de nervos e cérebro dada a sua intemperança nessa direção”.
Trepar é saudável e prolonga a vida (ou a verdade científica)
Nas ciências a coisa é diferente. Os pesquisadores da Universidade de Bristol e da Universidade Queen, de Belfast publicaram recentemente um estudo na Grã Bretanha onde chegaram a conclusão que os homens que têm sexo mais de uma vez por semana apresentam menores índices de mortalidade. Após analisar os índices de mortes de quase 1.000 homens, com idades de 45 a 59 anos, concluíram que homens que têm mais sexo parecem viver mais tempo. Segundo o estudo, quem mantém uma comilança numa frequência regular reduz o risco de morte pela metade. Então viva a fodelança!
quarta-feira, maio 30, 2001
Dois dedos de papo-mais-ou-menos-cabeça (argh).
(Ou xô, mea culpa)
Assim, nas coisas das psicanálises, tô em estado bruto, nunca fiz análise. Pra amaciar e polir meu comportamento tentei me lapidar na marra, buscando entender meus grilos. Foi.
Minha referência nesse campo não é Freud, é Jung, um maluco beleza, um cara que levou até às ultimas conseqüências o que pensava e que morreu doidão, com a pele explodindo, literalmente. Tem também Marcuse (que tá sendo ressuscitado agora) e Lacan. Ainda tem o Marx, pra baldear o coreto, com seu método dialético, que se chocava com os outros métodos, mas que ajudou muito para entendimento do tal eu coletivo, essas coisas. Uma contradição! Esse foi o caldo de cultura, com ingredientes antagônicos (o Marcuse tentou contemporizar, juntando tudo num mesmo saco), que me alimentei pra aliviar minha alma, meus pecados, minhas culpas e todas as coisas afins.
Penso que imputarmos a nós mais culpas do que as que realmente temos. É uma sobrecarga desnecessária. Creio que a origem desse onipresente sentimento de culpa se deve a nossa ocidental civilização cristã que incutiu, desde há muito, em quase todos nós, um receio permanente de pecado rasgado, em quase tudo que fazemos. Lembro da época em que estudei o catecismo prá fazer a primeira comunhão. Tinha lá uma reza que dizia mais ou menos o seguinte: perdão Senhor, se pequei por pensamentos, omissão, palavras e obras. É mole? A gente já entrava derrotado, sem direito a uma mísera fantasia
terça-feira, maio 29, 2001
Parte do mundo ainda tá no escuro
Semana passada uma mulher foi condenada a morte, por apedrejamento, no Irã, por ter participado de um filme pornô. A forma de execução revela que a raça humana pode ser, além de cruel, hipócrita.
Lá a pessoa condenada a morrer por essa modalidade é enterrada em pé (o homem é enterrado até a cintura, e durante o apedrejamento se conseguir escapar tá livre). Já a mulher é enterrada até cobrir os seios para não serem atingidos pelas pedras (aí é que tá a hipocrisia, nos peitos não pode, mas na cara...), o que termina mesmo é por dificultar a possibilidade de escapar, pois fica praticamente só com a cabeça de fora.
Daí me lembrei que foram tantas as guerreiras e guerras. Que teve aquelas mulheres aguerridas que até queimaram nas vias ditas públicas sutiãs e calcinhas, liberando os peitos e o resto, crentes que liberados, tudo o mais estava livre. Depois viram que só isto não bastava. O buraco era mais em cima, e a guerra prolongada. E se prolonga até hoje, numa contenda silenciosa e sem fim, onde o homem ainda subjuga a mulher, por tantas formas e meios, aqui e noutras paragens.
segunda-feira, maio 28, 2001
Frágil como gente
A matriz de onde os viventes derivam é que nos torna frágeis assim. Essa tênue composição de água, de sal e sangue, de pele, osso e tutano nos limita. Aí a gente respira e transpira, engole poluição, desaforo e outros bichos, e tosse, grita e esperneia, tem alegria, orgasmo (às vezes também não ), emputece, fica triste, mata, esfola e ressuscita esperanças muitas vezes num só dia. E no final dessa cotidiana batalha tanto se pode tá legal como exausto.
E ainda tem as tais idiossincrasias, os temores, os medos e o torpor. Mas há que se enfrentar esses babados, ou então se morre de véspera, olhando pro próprio umbigo numa inação solitária, numa triste e voraz consumição. Não dá pra ficar rodando, dando voltas infinitas, seguindo o mesmo roteiro, que nem boi de bolandeira.
E é por aí, mudando esse roteiro, inventando novos trilhos que se engabela a mesmice. Pois é. Mesmo com todas essas limitações é gente mesmo que eu quero ser. E haja emoção!
quinta-feira, maio 24, 2001
Fornicação nos tempos da inquisição
Trecho da confissão do Cônego Jácome de Queiróz ao Santo Ofício, feita na Bahia, entre 1591 e 1593 ao visitador Heitor Furtado de Mendonça. Os textos originais das confissões estão arquivados na Torre do Tombo, em Lisboa.
“E confessando-se, disse que haverá sete anos pouco mais ou menos, uma noite nesta cidade, levou à sua casa uma moça mameluca que então seria de idade de seis ou sete anos, que andava de noite vendendo peixe pela rua, escrava cativa de Ana Carneira, mulher do mundo, moradora nesta cidade na rua de Bastião de Faria, a qual moça não sabe o nome, depois de cear e se encher de vinho, cuidando que corrompia a dita moça pelo vaso natural, a penetrou pelo vaso traseiro e nele teve penetração sem polução, e tanto que sentiu que era pelo vaso traseiro se afastou e tirou dela, e isto lhe aconteceu uma vez por seu desatento, como dito tem”....
Assim, pelo vaso traseiro, o pecado era maior e o castigo mais severo. Daí que até se admitia, mas se mentia pra livrar a cara. Dá pra acreditar que entrou "ali" por desatenção?
terça-feira, maio 22, 2001
Eu sou é ridículo
Vez por outra sou herético assim nas coisas da fé, das ciências e até das gramáticas. Nem é por birra não. É mais provável que seja por deficiência de conhecimentos mesmo. Ou então por conta de um traço comum a todos os componentes ancestrais e descendentes da minha estranha família: uma prazerosa mania de contestar, uma coisa genética, uma dificuldade de engolir dogmas a seco.
Pois sim. Todo esse blablablá aí em cima só pra dizer que não concordo com os gramáticos que querem nos fazer crer que amor seja um simplório substantivo abstrato. É claro que é mais que isso. Um reles substantivo abstrato não teria fôlego pra nos transformar em ridículas criaturas, como pensa também aquele povo das impertinências dialogadas, e como bem disse Fernando Pessoa/Álvaro de Campos "todas as cartas de amor são ridículas/ não seriam cartas de amor se não fossem ridículas/ (...) Mas, afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas".
segunda-feira, maio 21, 2001
sexta-feira, maio 18, 2001
Bota breu nisso
O lado bom dessas viroses (se é que tem um) é que a gente fica sem saco pra fazer as coisas e se dana a ler tudo que tá por perto. Quando os miolos não tão ardendo com a febre leio tudo que alcanço, e até mesmo as seções dos jornais que normalmente passo batido por falta de interesse nos temas.
Descobri agora que algumas são até divertidas pelo inusitado dos comportamentos. Mas o que me chamou a atenção hoje foi ler que o povo underground não tá nem aí pro apagão, e quer mesmo é o breu total. Pra alguns deles o mundo tá no escuro faz é tempo. Não tão totalmente enganados, né?
quinta-feira, maio 17, 2001
Ame ou esculhambe
Quem vê cinema apenas como diversão, sem um mínimo de preocupação estética e filosófica, provavelmente não sabe quem é Godard, nem teria saco pra ver os filmes dele, presumo.
Com 70 anos, polêmico como sempre, o bicho tá com um filme novo na mostra competitiva de Cannes, Éloge de l'Amour (Artigo da Folha) que baixa o sarrafo nos Estados Unidos, no cinema de Hollyood e em Spielberg.
Pra mim a contribuição dele ao cinema é incontestável. Tem quem o ache um cara-de-pau, tem outros que o consideram um gênio dessa arte. Eu tô no segundo grupo.
quarta-feira, maio 16, 2001
Abduzidas, chipadas e abandonadas
The painting may date 25,000 years BP
Kolo cave, central Tanzania
terça-feira, maio 15, 2001
Ruína da paixão
Tudo que é unilateral tende a ficar troncho e ruir. Tá provado assim pela culpa da física, da lei da gravidade mancomunada aí com a tal fadiga dos materiais. Mal comparando, a paixão também é acometida pelo mesmo desgaste, se pinta e cresce apenas de um lado. Aí não se sustenta por falta de suporte da outra banda e despenca.
segunda-feira, maio 14, 2001
sábado, maio 12, 2001
Fornicação e saudade
Diz o povo, por causa de ouvir dizer, que a avidez humana por fornicação e sacanagem se origina no tempestuoso mundo hormonal. E que nos mais jovens a impetuosidade é maior porque os bichos, os hormônios, perdem o rumo. Discordo não. Mas penso que o que faz o hormônio perder o rumo não é o tempo, mas o espaço. E como espaço se regula conforme se deseja, e dentro dele é onde o desejo mora, é nele, no desejo, que o nó do tempo se desata ou ata. E lá o tempo não passa.
Já a saudade nem o povo da ciência ousa dizer de onde vem. E como ela fica fora do tempo e do espaço também, não tem vivente no mundo que consiga regular. Ô bichinha danada, né não?
sexta-feira, maio 11, 2001
Em qualquer língua e tempo


É através da poesia, mais que da história, que se pode observar a importância do tesão nas gentes de todos os tempos. Tesão carnal e até o sagrado e pio. Dois exemplos aleatórios aí:
Praxila de Sicião foi uma poeta grega que viveu entre 410 e 451 a.C e é uma das poucas poetas da antigüidade com textos escritos e conhecidos, ao lado de Safo.
Pinguça, sorvia com freqüência um sumo de uva fermentado, e exaltava o amor e vinho com versos que parecem escritos nos dias de hoje, assim, pós-modernos:
...” Ó tu que me olhas lindamente
através da janela,
virgem no rosto,
embaixo esposa”.
E tem o Alfonso X, el Sabio, que viveu entre 1221 e 1284, e foi rei de Castilla e León e era muito sabido. Cientista e intelectual de muita fé, compunha umas musiquinhas em louvor a Nossa Senhora nessa língua aí que se falava por lá, e que todo mundo latino ainda hoje quase entende:
"Rosa das rosas et fror das frores,
Dona das donas, sennor das sennores,
Rosa de beldad e de parecer
Et fror d'alegria et de pracer,
Dona en mui piadosa seer,
Sennor en toller coitas et doores"...
quinta-feira, maio 10, 2001
Abaixo as calcinhas (ou a guerra continua)
A australiana Germaine Greer, de 62 anos, doutora em literatura por Cambridge e talvez a mais brilhante e influente ativista da liberalização feminina nos anos 70, publicou vários livros interessantes sobre o assunto. Mora há mais de 30 anos na Inglaterra onde o sol nunca aparece e provavelmente por isso tá comprando mais uma briga. Veja só: declarou que, com a melhoria da calefação das casas, calcinhas e sutiãs tornaram-se "incômodos e inadequados" já que perderam a sua finalidade original de "aquecer as partes íntimas". Germaine afirma que a lingerie sobrevive tão somente para "preservar o fetiche sexual exigido por imposição machista".
Muito justo. E nos países assim tropicanos, que nem nosso patropi, essas peças servem pra quê?
quarta-feira, maio 09, 2001
Oníricas fustigações
Entre afundar e boiar prefiro levitar. Daí que só sonho sonhos que decerto não se percam, que se sustentem no ar. Quer dizer, tento. Sonhos ideais esses, que todos deveriam ousar sonhar. Mas que ninguém sonha sempre. Nem eu. Os meus, na verdade, uns encalharam, outros afundaram e alguns ainda seguem firmes com sentido e direção. E tem os novos, esses que todo dia acrescento por conta dessa minha teimosia na busca de ser feliz.
terça-feira, maio 08, 2001
segunda-feira, maio 07, 2001
Zé Limeira
O paraibano Zé Limeira era um poeta popular surrealista que perambulava pelo sertão nordestino fazendo poesia e cantando repentes. Nasceu ainda no século 19 e morreu em 1955. O bicho misturava tudo, pessoas, épocas, o escambau. Sua viola tinha uma decoração psicodélica com mais de trinta fitas penduradas. Só usava óculos escuros e se vestia com roupas de dar inveja aos roqueiros de hoje. Taí umas coisas dele:
OS TRÊS PODERES
Quatro vacas brincavam no quintal,
Cinco burros dançavam no terreiro.
Dez navios no Rio de Janeiro
Navegavam pensando em Portugal....
Recordando a viagem de Cabral,
De Lumumba, Kruschove e Mubutu...
Iracema banhar-se no Ipu
Não pensava morrer de morte tal.
Lá nas margens do velho Rio Doce,
Um macaco tarado deu um coice
E Getúlio atirou no coração.
E Kruschove dizia a Salazar:
Nós agora podemos processar
Virgolino Ferreira - Lampião.
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Se eu for na minha casa
Tem capim pro seu cavalo
Se chegar um filosófo
Eu mando fotografá-lo
Se chegar um fotográfo
Eu mando filosofá-lo
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O velho Thomé de Sousa,
Governador da Bahia,
Casou-se e no mesmo dia
Passou a pica na esposa
Ele fez que nem raposa:
Comeu na frente atrás,
chegou na beira do cais,
Onde o navio trafega
Comeu o Padre Nobrega,
Os tempos não voltam mais
-----------------------------------
A Virgem de Nazaré
Gostava do evangelho
Mas casou com um cabra velho
Por nome de São José
O velho tomava rapé
Bebia cana e cuspia
Um dia a Virgem Maria
Com ele se engregenou
E quase não nasce o Messias
sábado, maio 05, 2001
Papo Furado
Ontem foi um dia sacal, desses em que os ovos da gente sobem e fazem maria-chiquinha nos gorgomilos. Pois sim, tudo por via disso: resolvi dar as caras (depois de uns trezentos anos sem participar dessas coisas), num seminário internacional voltado pra minha área profissional, promovido aqui e dirigido por uns gringos considerados bambambãs no metiê. Tudo isso em regime de internato e imersão total. Arre.
Descobri que os bichos querem é fazer a gente de babacas. E fazem mesmo, pois cobram caro, com o valor referenciado em dólar e aí você já começa a se sentir lesado.
Nada de novo, tudo requentado, puro enchimento de lingüiça, um blablablá sem fim intercalado por uns joguinhos idiotas mais adequados pra escoteiros lelés. Pois foi desse jeito. Alguém pode até pensar que sou auto-suficiente e pretensioso, posso até ser, mas creio que quem tiver entre meio e um neurônio, uma boa quilometragem na profissão e na vida, já rejeita aquela xaropada. Daí que por volta do meio dia eu já tava puto de raiva, e ficando entre rubro e o violáceo, meio caminho pro roxo-total, a um passo da apoplexia.
Mas veio o salvador intervalo pro almoço e voltei a cor normal. O diabo é que minha banda rebelde já tinha tomado conta de mim irremediavelmente e durante o almoço tentei aliciar umas gentes lá pra desertarmos coletivamente. Fracassei nesse intento, mesmo assim me mantive fiel a mim: não voltei pras atividades da parte da tarde, e fui tirar uma soneca. Lá pelo meio da tarde dois colegas de sofrimento entregaram os pontos. Foram lá no quarto, me acordaram, frescaram batendo continência e disseram que tavam a fim de se mandar. Saímos de lá sem dar satisfação a ninguém (até me lembrei do tempo de garoto quando vez por outra fugia do colégio pulando o muro) e fomos direto prum bar legal, com música ao vivo e de qualidade e ficamos por lá até duas da manhã, sorvendo uns goles e batendo um papo legal.
Acordei há pouco e me lembrei que hoje continua aquela fuleiragem lá. Vou lá mais não. Até assumo meu papel de bobo em ter caído naquela arapuca. Pois é, o dia foi escroto, mas a noite, aqui acolá, salva o dia.
Ontem foi um dia sacal, desses em que os ovos da gente sobem e fazem maria-chiquinha nos gorgomilos. Pois sim, tudo por via disso: resolvi dar as caras (depois de uns trezentos anos sem participar dessas coisas), num seminário internacional voltado pra minha área profissional, promovido aqui e dirigido por uns gringos considerados bambambãs no metiê. Tudo isso em regime de internato e imersão total. Arre.
Descobri que os bichos querem é fazer a gente de babacas. E fazem mesmo, pois cobram caro, com o valor referenciado em dólar e aí você já começa a se sentir lesado.
Nada de novo, tudo requentado, puro enchimento de lingüiça, um blablablá sem fim intercalado por uns joguinhos idiotas mais adequados pra escoteiros lelés. Pois foi desse jeito. Alguém pode até pensar que sou auto-suficiente e pretensioso, posso até ser, mas creio que quem tiver entre meio e um neurônio, uma boa quilometragem na profissão e na vida, já rejeita aquela xaropada. Daí que por volta do meio dia eu já tava puto de raiva, e ficando entre rubro e o violáceo, meio caminho pro roxo-total, a um passo da apoplexia.
Mas veio o salvador intervalo pro almoço e voltei a cor normal. O diabo é que minha banda rebelde já tinha tomado conta de mim irremediavelmente e durante o almoço tentei aliciar umas gentes lá pra desertarmos coletivamente. Fracassei nesse intento, mesmo assim me mantive fiel a mim: não voltei pras atividades da parte da tarde, e fui tirar uma soneca. Lá pelo meio da tarde dois colegas de sofrimento entregaram os pontos. Foram lá no quarto, me acordaram, frescaram batendo continência e disseram que tavam a fim de se mandar. Saímos de lá sem dar satisfação a ninguém (até me lembrei do tempo de garoto quando vez por outra fugia do colégio pulando o muro) e fomos direto prum bar legal, com música ao vivo e de qualidade e ficamos por lá até duas da manhã, sorvendo uns goles e batendo um papo legal.
Acordei há pouco e me lembrei que hoje continua aquela fuleiragem lá. Vou lá mais não. Até assumo meu papel de bobo em ter caído naquela arapuca. Pois é, o dia foi escroto, mas a noite, aqui acolá, salva o dia.
quinta-feira, maio 03, 2001
quarta-feira, maio 02, 2001
Dos movimentados movimentos
Já repararam que tem movimento pra tudo quanto existe nesse mundo? Pois tem.
Há o movimento dos que têm, dos que querem ter e dos que nunca vão ter. Das que deram, das que querem dar, das que não encontram pra quem dar. Das descabaçadas, das de cabaços de ouro, essas virgens empedernidas e até o estranho e quase improvável movimento das meio-cabaços. Tem o dos que querem trepar de ponta cabeça, dos que querem e não têm com quem, dos broxas, dos razoavelmente potentes e dos que pensam que são potentes. Tem o movimento dos unidos na suruba, do(a)s punheteiro(a)s solitário(a)s e do(a)s coletivo(a)s siriricas. Movimento das que dariam pra não sei quem, dos que comeriam uma tal fulana, das engulidoras de gosma, o das cuspidoras e também o das bebedoras gulosas. O dos felas, das mães e dos pais. O dos paus ocos, e das ocas dos paus.
O bom disso é que são democráticos, abertos, adere quem quer e gosta. Nada contra nenhum deles.
Tem até uns esquisitos tipo sem terra, sem teto, sem porra nenhuma. Mas esses não empolgam muito porque seus membros geralmente são feios e parece que incomodam pra cacete.
Todos os movimentos são válidos, desde que realmente se movimentem. Ah, ainda tem outros movimentos tipo pra frente, pros lados, pra cima, enviesado. Mas penso que de todos os movimento o mais abrangente que há é o circular. Embora pareça limitado, ocupa tudo que é espaço conforme o raio se expande. Esse é o movimento!
terça-feira, maio 01, 2001
La Fontaine também era do balacobaco
O ócio me deixa abstrato e manemolente e me dano a pensar umas coisas. Mas hoje tô lento, quase parando. E nesse marasmo aqui dei uns rolês por uns blogs daqui e dalém e vi que o kama sutra não vai perder nunca a atualidade.
O come-come, a dita lascívia e prazerosa comilança praticada entre a espécie humana, que as mentes conservadoras chamam de intercurso carnal e que o povão batizou de trepar, foder e tal, tá tão presente nas gentes que me vieram à mente as tais controvérsias que se arrastam através dos tempos: trepar por trepar ou amar pra trepar. Daí me lembrei do Jean, aquele La Fontaine, fabuleiro fabuloso, que vez por outra também transitava pelos temas da sacanagem, dando lá os seus pitacos. Olhaí:
"Amar, foder: uma união
De prazeres que não separo.
A volúpia e os desejos são
O que a alma possui de mais raro.
Caralho, cona e corações
Juntam-se em doces efusões
Que os crentes censuram, os loucos.
Reflete nisto, oh minha amada:
Amar sem foder é bem pouco,
Foder sem amar não é nada"
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