Papo Furado
Ontem foi um dia sacal, desses em que os ovos da gente sobem e fazem maria-chiquinha nos gorgomilos. Pois sim, tudo por via disso: resolvi dar as caras (depois de uns trezentos anos sem participar dessas coisas), num seminário internacional voltado pra minha área profissional, promovido aqui e dirigido por uns gringos considerados bambambãs no metiê. Tudo isso em regime de internato e imersão total. Arre.
Descobri que os bichos querem é fazer a gente de babacas. E fazem mesmo, pois cobram caro, com o valor referenciado em dólar e aí você já começa a se sentir lesado.
Nada de novo, tudo requentado, puro enchimento de lingüiça, um blablablá sem fim intercalado por uns joguinhos idiotas mais adequados pra escoteiros lelés. Pois foi desse jeito. Alguém pode até pensar que sou auto-suficiente e pretensioso, posso até ser, mas creio que quem tiver entre meio e um neurônio, uma boa quilometragem na profissão e na vida, já rejeita aquela xaropada. Daí que por volta do meio dia eu já tava puto de raiva, e ficando entre rubro e o violáceo, meio caminho pro roxo-total, a um passo da apoplexia.
Mas veio o salvador intervalo pro almoço e voltei a cor normal. O diabo é que minha banda rebelde já tinha tomado conta de mim irremediavelmente e durante o almoço tentei aliciar umas gentes lá pra desertarmos coletivamente. Fracassei nesse intento, mesmo assim me mantive fiel a mim: não voltei pras atividades da parte da tarde, e fui tirar uma soneca. Lá pelo meio da tarde dois colegas de sofrimento entregaram os pontos. Foram lá no quarto, me acordaram, frescaram batendo continência e disseram que tavam a fim de se mandar. Saímos de lá sem dar satisfação a ninguém (até me lembrei do tempo de garoto quando vez por outra fugia do colégio pulando o muro) e fomos direto prum bar legal, com música ao vivo e de qualidade e ficamos por lá até duas da manhã, sorvendo uns goles e batendo um papo legal.
Acordei há pouco e me lembrei que hoje continua aquela fuleiragem lá. Vou lá mais não. Até assumo meu papel de bobo em ter caído naquela arapuca. Pois é, o dia foi escroto, mas a noite, aqui acolá, salva o dia.