domingo, dezembro 22, 2002
Calafetando
É fato que domingo é dia amorfo, de praia, preguiça, pra alguns pescaria, de parco zoamento e mais umas coisas boas e outras chatas. Mas também é dia de ressurreição conforme informa a bíblica história.
Sim, tô de volta, claudicante, mas tô, e agora com uma singela quase-certeza: pra ressuscitar é preciso primeiro fenecer.
terça-feira, dezembro 17, 2002
Epitáfio
O seu breve tempo de vida foi tal qual uma gangorra e sentiu, que nem um esquizo bipolar, euforia e torpor. Agora sai de cena como quem pratica haraquiri: rasga o ventre e vísceras, mas estóico não berra pra fora, grita pra dentro onde só a alma escuta.
Aqui se acaba, e as derradeiras palavras ficam assim, feito um epitáfio: nasceu cândido, viveu atônito e findou catatônico.
quarta-feira, dezembro 11, 2002
Cintilante
Maneja metáfora como quem maneja um sabre, e a mão certeira nunca erra o alvo. Faz das palavras uma forte liga como a liga que produz o aço, ou faz delas leve pluma que suave acaricia.
Aço que zune e cintila, ou pluma muda e macia, acerta sempre com costumeira precisão os expostos ou dissimulados corações.
quinta-feira, dezembro 05, 2002
Al mare

(foto: Ansel Adams)
Zarpar, fazer-se ao mar como antigamente, sem pensar se é revolto ou manso, singrar, mirar pra além da risca que demarca a água e o céu, ali onde se misturam provocando a ilusão que horizonte é coisa que se alcança ou pega. Rumar na direção oposta à que a bússola aponta, deixar que o destino se consuma e trace a rota, e una enfim o que há de ser unido.Buscar o porto braço-colo-ventre dela que imagina acolhedor e morno. Os vaticínios indicam que é possível mas também alertam que o caminho das águas é traiçoiero; que as miragens do mar são enganosas; que esse porto pode existir ou ser um logro; que o canto das sereias ilude tanto e enlouquece navegantes solitários.
Assim lançado, talvez chegue, talvez sucumba afogado e não retorne mais. Ainda assim convém partir...
quinta-feira, novembro 28, 2002
segunda-feira, novembro 25, 2002
quarta-feira, novembro 20, 2002
terça-feira, novembro 19, 2002
Eles lá e nós cá...
Faz tempo que a chamada e dita elite deste patropi além de chupar o sangue da patuléia ainda esculacha e assegura que há uma crônica incapacidade desse povaréu brabo, cheio das manemolências, desnutrido de proteína e miolo, se desenvolver, que nem fez aquele tinhoso Joaquim Murtinho, Ministro da Fazenda de Campos Salles (1898-1902), quando escreveu isso aí:
Não podemos, como muitos aspiram, tomar os Estados Unidos da América do Norte como tipo para nosso desenvolvimento industrial, porque não temos as aptidões superiores da sua raça.
A tal de Fome Zero proposta pelos vencedores de plantão, nem pensar:
Seria contra os princípios de justiça proteger os ineptos, os imprevidentes, os viciosos, com o sacrifício dos que lutam, que se esforçam.
O gaiato defendia o arrocho fiscal, a recessão, a austeridade e o desemprego... pros outros, já que ele, imbricado com o poder, conseguiu concessões graciosas pra explorar minas de ouro, ferrovia e outros rentáveis negócios, a ponto de encher as burras e se tornar o cara mais cheio de grana no país, no tempo dele.
Solteirão inveterado era chegado a uma sacanagem, circulava pelas prostitutas de luxo do Rio e, segundo se diz, até mandou cunhar a estampa de uma delas, a disputada madame Prates na nota de dois mil réis.
Fornicava com Laurinda Santos Lobo, sua sobrinha e amante, pra quem mandou construir um palacete em Santa Tereza, de onde ela comandava a sociedade carioca com festas pros bacanas e era chamada de marechala da elegância.
De fato, se o povo de cá tivesse mesmo outras aptidões já teria apeado esses malandros do poder há muito tempo. Ora, pois.
(Esses instrutivos babados, e muito mais malandragem conforme informa o jornalista Elio Gaspari, serão contados num livro escrito pela pesquisadora Hilda Machado, da Universidade Federal Fluminense chamado "Laurinda Santos Lobo - Mecenas, artistas e outros marginais em Santa Teresa", que será lançado em dezembro.)
sexta-feira, novembro 15, 2002
quinta-feira, novembro 14, 2002
Delicado afago

Ela é que nem um vulcão incontido e expele pelas palavras o magma do seu âmago que, vez por outra, sai quente-amargo, mas quase sempre vem mesmo é meigo-aconchegante. Por isso, e pelo dom de provocar confluências, sou fan dela. E vejam só, ela é que me fez um mimo com esse belo fanart aí em cima. Obrigado pelo afago, Adriana.
terça-feira, novembro 12, 2002
Anjo


(Foto -Emil Schildt)
Dentre os antigos e infantes desejos, um escondido, aquele de ser anjo um dia, com ou sem asas de vastas plumagens, mas um anjo. Menino mais peralta que cândido, vi aquela esperança desemoronar, numa calma tarde, sucubindo juntamente com a perdida inocência entre as fornidas e deliciosas coxas dela.Só uns anos depois quando a mãe da minha primeira filha engravidou me veio a lembrança daquele antigo desejo, e senti uma pueril sensação de ser um anjo engravidador, que nem aquele Gabriel lá.
Mais uns anos pra frente, quando a mãe da minha segunda filha engravidou, e eu já desprovido do velho sonho, senti foi a humana necessidade de trampar dobrado pra sustentar as angelicais criaturas que juntos concebemos.
sexta-feira, novembro 08, 2002
quinta-feira, novembro 07, 2002
Salve Rainha
O dr. Freud, aquele Sigmund lá, talvez tenha acertado quando localizou na infância a origem de tudo quanto é neura nas criaturas. É um período da vida onde tudo se incute e o que é incutido leva anos pra ser processado e dificilmente larga totalmente do juízo da gente.
Lembro que no meu tempo de menino ali no pacato interior onde nasci a fé era ensinada na base do temor a deus e às entidades santas, e lá no catecismo tinha orações que insuflava o medo do pecado, da danação, e a necessidade permanente de pedir perdão pra garantir o reino dos céus. Mas mesmo assim os apelos do pecado carnal e dos outros todos eram mais fortes que o temor de ir pro purgatório ou inferno.
Ademais, pra amenizar tinha uma reza que quando a gente rezava dava a nítida sensação que acabava toda aquela aflição de pecador e deixava cada um zerado nas transgressões ao divino e liberado pra cometer mais pecados antes de passar num confessionário e receber as penitências.
Parece que perdi a fé, ou grande parte dela, mas nunca esqueci da bela oração que aliviava meu temeroso e atormentado coração de menino:
Salve Rainha, Mãe de misericórdia,
vida, doçura e esperança nossa, salve!
A vós bradamos os degradados filhos de Eva.
A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas.
Eia pois advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei.
E depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto de vosso ventre.
Ó clemente ! ó piedosa ! ó doce sempre Virgem Maria!
quarta-feira, novembro 06, 2002
Guerra sem fim?
Há quem veja nas naturais escaramuças entre os dois gêneros da nossa desvairada e humanóide espécie encarniçadas batalhas, e destaque a desigualdade, pra diminuir a mulher, evidenciando as diferenças anatômicas, biológicas e de força física. Uma bobagem. Prefiro ressaltar as similaridades da inteligência e da capacidade que pra mim são do mesmo naipe nos machos e humanas fêmeas.
Salientar imaginárias vantagens em cada qual é exercício tolo de dominação ou baboseira inconsequente.
(Observação: Em virtude do tamanho do desenho que ilustrava este post resolvi deslocá-lo pra longe. Se apetecer ver é só clicar aqui.)
terça-feira, novembro 05, 2002
Fórmulas miraculosas
Ali nos séculos XIV e XV os remédios eram assim, esquisitos, e se não curavam também não se sabia a exata extensão dos efeitos ditos colaterais, como ainda ocorre com os medicamentos de hoje em dia. Tái duas receitas extraídas do livro Palestra Pharmaceutica escrito por D. Félix Palácios em 1706, que compilou o receituário da sua época e dos séculos imediatamente anteriores:
Água de formigas pra levantar o astral e estimular a libido.
AQUA MAGNANIMITATIS; VEL DE FORMICIS
Cogeranse las Hormigas gruessas, y grandes, que se hallen, se querantaran en vn mortero de Piedra, se infundiran en el espiritu de vino dentro de vna cucurbita de vidrio, se tapara, y se pondra en digestion, hasta que todas ellas se ayan casi dissuelto, ò revuelto en licor, entonces se destapara, y se le pondra su cabeza, y recipiente, se enlodaran las junturas, y con el fuego, ò calor del Baño de Arena humedo se hara destilar toda la humedad; en estando destilada toda, se mezclarà con ella dos onças de agua de canela, y se guardara en vna redoma bien tapada para el vso.
Su nombre enseña sus grandes virtudes, ella es muy confortante de todas las partes mas principales del cuerpo, aumentas los espiritus, excitandoles su movimiento, es resolutiva de todos los humores frios, excita la venus, aumenta la semen, resiste el veneno. La dosis es de vna dragma hasta dos.
Água de rã pra dar um trato na pele e serventia variada.
AQUA ROSARUM FLUVIATILIUM
Tomaranse las Ranas de los Rios, se quebrantaran, y echaran en vna cucurbita de vidrio, se infundiran en leche de borrica; y en su falta, de Cabras, o Ovejas, se dexara en digestion doze horas, después se pondra en vn fuego fuerte se hara destilar toda la humedad; después se pondra lo destilado al sol por algunos dias en vna redoma destapada, y se guardara para el vso.
Eshumectante, y refrescante, excelente para las manchas rubias de la cutis, o su encendimiento; es buena para limpiarse la cara lavandose con ella, y para dulcificar las asperezas de la cutis, aplicase con lienços muy delgados: dase también interiormente para los Tisicos, para le esputo de la sangre, para los dolores nefriticos, y para los ardores de la orina. La dosis es de vna onça hasta seis.
La virtud principal de esta agua consiste en vna especie de mucilago, que ha sacado de las Ranas, y Leche, con la qual dulcifica, y suaviza las sales acres de los humores, y causa los efectos dichos; esta se corromperia presto, si no se pone por algunos dias al Sol, para que vna parte del mucilago se rarefazga.
Del mesmo modo se hazen las aguas de todas las especies de caracoles, cangrejos, y semejantes animales; puedense hazer también sin echarles leche, solamente machacandolos y destilandolos, como se ha dicho.
Quem se habilita?
sexta-feira, novembro 01, 2002
Sexus sapientia
Vendo cá um documentário sobre os nossos símios parentes me ocorreu mais uma das minhas costumeiras heresias: o povo das ciências, esse que vasculha e bisbilhota a evolução da inteligência dessa nossa humana raça, tá errado. O pressuposto deles é que essa faculdade que nos diferencia dos demais bichos se desenvolveu a partir das necessidades básicas de comida, moradia e defesa. Na busca dessas coisas aí é que a gente ficou mais sabido pra engabelar o resto da bicharada e dominar o pedaço.
Pra mim isso daí contribuiu pouco. O que pesou mesmo foi o sexo, quer dizer, a sacanagem na hora de mandar ver. A busca pelo prazer cada vez maior no dito intercurso carnal é que forçou nossa espécie a botar os neurônios pra funcionar que macumunados com os hormônios deram os sopapos na incipiente inteligência e o exercício mental pra aprimorar esse jogo do vuco-vuco, descobrir novas posições, partes erógenas, um tal de pega e solta, alisa e beija, funga e lambe forneceu a química necessária pra inteligência prosperar.
E tudo isso começou lá pra trás quando um casal de hominídeos resolveu mudar de posição, aquela de quatro em que o macho pega por trás, e introduziu a ternura nessa relação, até ali mecânica. De lá pra cá não parou mais de procurar possibilidades nem de desenvolver os miolos.
Já os animais todos permaneceram fazendo sexo do mesmo jeito que os primeiros de cada espécie, se contentando apenas com aquele vai-e-vem monótono, numa mesma e única posição talvez instintivamente preocupados apenas com a reprodução da raça. Por isso estancaram, que nem essa macacada que vi hoje na televisão. Né não?
terça-feira, outubro 29, 2002
segunda-feira, outubro 28, 2002
Ambíguas visões bíblicas da estrela


(Nebulosa de Lagoon e uma estrela lá - Foto Hubble)
Fez Deus dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite. Fez também as estrelas
(Gênesis !:16)
O terceiro anjo tocou sua trombeta, e caiu do céu uma grande estrela, ardendo como uma tocha, e caiu sobre a terça parte dos rios, e sobre as fontes das águas
(Apocalipse 8:10)
Logo depois da tribulação daqueles dias, escurecerá o sol, e a lua não dará a sua luz; as estrelas cairão do céu e os poderes dos céus serão abalados.
(Mateus 24, versículo 29)
Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que converterem a muitos para a justiça, como as estrelas sempre e eternamente.
(Daniel 12:3)
Uma é a glória do Sol, e outra é a glória da Lua, e outra é a glória das estrelas; uma estrela difere em glória de outra estrela
( Coríntios 15:41)
Emboras subas ao Alto como águia e coloque o Teu ninho entre as estrelas, dali te derrubarei diz o Senhor
(Obadias 1: 4)
Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam e rejubilavam todos os filhos de Deus?
(Jó capítulo 38, versículo 7)
E o nome da estrela era Absinto, e a terça parte das águas tornou-se em absinto, e muitos homens morreram das águas, porque se tornaram amargas...
(Apocalipse 8. 7-11; 11.15)
sexta-feira, outubro 25, 2002
quinta-feira, outubro 24, 2002
Carbono 14
Mal comparando, o tempo parece um terrível moinho com sua implacável engrenagem: fuso sulcado, fendado em forma de rosca infinita. Uma cruel espiral que tritura devagar a vida de cada um, e vai moendo sem piedade pele, osso e coração, idéias e sentimentos.
Amassa, mistura e compacta. Transforma pedra em pó, vinho em vinagre, vida em nada e nada em qualquer coisa. Assim é o tempo, e pra mim é ele que gera as patologias todas, as físicas, as das cucas e as ditas sociais. É o grande nó que não desata e só aperta.
quarta-feira, outubro 23, 2002
Eu gosto daquelas espevitadas feministas dos anos 70 que, com ira e graça, chamavam a atenção do macharal mandão pra sua insuportável condição de inferioridade por eles imposta em tudo quanto era coisa na vida, queimando nas públicas praças os apetrechos que simbolizavam, segundo elas, essa dominação como as calcinhas e os hoje indispensáveis califons que dão importante sustentação aos peitos e são cientificamente reconhecidos como importantes pra saúde daquelas belas partes.
Conseguiram que o mundo enxergasse essa odienta discriminação que dura desde quando o matriarcado perdeu força, e deram um chega pra lá na consciência de um bocado de gentes. Incorporaram, além de muitos aliados masculinos, algumas conquistas fundamentais nas áreas profissionais e pessoais e demonstraram seu extraordinário valor.
Mas falta muito pra desejada igualdade de oportunidades e condições no mundo e aqui. Taí o Relatório Nacional Brasileiro desenvolvido pelo povo das organizações não governamentais revelando que cá neste nosso imenso Pindorama a coisa avançou quase nada, apontando coisas espantosas assim:
- o emprego doméstico ainda é a principal ocupação da mulher e 76% das domésticas não têm registro em carteira e 88% ganham menos do que dois salários mínimos.
- as mulheres trabalhadoras recebem o equivalente a 60,7% da remuneração dos homens
- a impedernida CLT discrimina as mulheres
- a cada 15 segundos uma mulher é espancada
- de 85 para cá, as mulheres aumentaram a sua taxa de atividade em 47,6% e os homens, 73,6%.
- as mulheres brasileiras representam 40,4% da população economicamente ativa e na administração pública federal, 43,8%
E por aí vai. Será que a luta arrefeceu ou o povo indignado daquele tempo se escafedeu?
quarta-feira, outubro 16, 2002
Voto
O povo mais novo só sabe por leitura ou informação oral que teve um tempo, não muito longe, neste patropi, que o ar era escasso e a luz pouca o que resultava em dias e noites escuros que nem breu.
Gritar nas ruas era risco de vida, liberdade era palavra quase banida. Bota e baioneta eram a lei. Foi nesse tempo que uma catarse pessoal me catapultou ainda verde de vida pro combate e arrisquei minha jugular por mais luz e ar. Sobrevivi sem sequelas e dou graças pela aragem abundante e a luminosidade de sobra que desfrutamos agora. Sei que isso só não basta e o povo precisa de mais umas coisas essenciais à vida.
Por conta de ter vivido isso miro meio zonzo esse embate definidor de agora e torço pra que todo mundo entre nele consciente e saque que, qualquer que seja o resultado, a sinuca de bico permanece e o paraíso prometido tá longe que só. Torço pra que não se entre numa catarse coletiva porque ela pode até lavar a alma mas quase sempre joga o corpo no abismo como a história tem provado. É preciso entender os obstáculos pós-vitória (ou derrota) ou então a frustração pós-catarse pode virar um redemoinho e mandar tudo pro beleléu.
terça-feira, outubro 15, 2002
As vias
A busca do prazer tá imiscuída em nós, e de cedo se procura. Uns, por facilidade de informações nos dias de hoje, já sabem o caminho. Outros se fiam só nos instintos e por pura inocência ou escolha tateiam no sentido literal das coisas e só encontram pelo método da tentativa e erro. Por ambas veredas se chega lá, mas qual dará mais destreza lúdica?

domingo, outubro 13, 2002
Quem? x Quem?
Pelo jeitão dos conchavos nos bastidores, pela qualidade das adesões e aceitação festiva delas por cada um dos lados em disputa já dá pra perceber que a perspectiva de poder além de deletéria é máquina infernal capaz de transforma ética e compromisso em bosta e outros dejetos.
Lampedusa, aquele lá que escreveu Il gattopardo e botou na boca do seu príncipe-personagem que tudo precisava mudar pra continuar igual tinha mesmo uma profética e escrota razão. No final quem se lasca é quem acredita pia e puramente.
sexta-feira, outubro 11, 2002
Eus desvelados
Eu moro em mim, é o que me tentam fazer crer os psicanalíticos compêndios desse povo rompe-cuca. Não sei se de fato moro, mas desconfio que é em mim que enterro meus mortos, minhas lembranças, cultivo meus canteiros e colho, e é de mim que ressuscito sonhos sepultados e me surpreendo. Ali meus nervos rangem, o sangue ferve nas veias que palpitam, a libido explode, e a paixão pulsa avassaladora. É lá, em mim, que brigo comigo em exaustivos embates da banda ousada com a mais contida. Nuns venço, noutros só me desgasto.
Mas de uma coisa já tenho quase certeza: a minha casa-mim deve ser imensa porque faz tempo que vasculho e ainda não dei conta de cada canto nem de cada eu dos eus que lá habitam.
quinta-feira, outubro 10, 2002
segunda-feira, outubro 07, 2002
sábado, outubro 05, 2002
Ciências Hilárias
Todo verso tem o seu reverso, inclusive nas ciências e nos prêmios que elas oferecem. Há sete ou oito anos acompanho a versão reversa do Prêmio Nobel que é o Prêmio Ig Nobel aqui e que se destina a quem faz pesquisas inúteis e ridículas, embora realizadas por cientistas sérios e publicadas em revistas científicas conceituadas.
O criador do prêmio é Marc Abrahams da revista humorística Anais da Pesquisa Improvável ( Annals of Improbable Research) e os de 2002 foram entregues esta semana em Harvard.
Taí os ganhadores:
MEDICINA
Chris McManus, do University College de Londres pelo relatório sobre Assimetria Escrotal no Homem e na Escultura Antiga
BIOLOGIA
Norma E. Bubier, Charles G.M. Paxton, Phil Bowers, and D. Charles Deeming, do Reino Unido por um artigo sobre o comportamento sexual de avestruzes em fazendas de criação e diz lá que elas se apaixonam pelos humanos e fazem seu ritual de acasalamento se oferecendo pra eles.
FÍSICA
Arnd Leike, da Universidade de Munique pela demosntração de como o colarinho da cerveja (ou chopp) arreia obedecendo à lei matemática do decaimento exponencial
PESQUISA INTERDISCIPLINAR
Karl Kruszelnicki, da Universidade de Sydney por pesquisa sobre os fiapos de tecido preso no umbigo
QUÍMICA
Theo Gray, da empresa Wolfram Research, in Champaign, Illinois por bolar uma tabela periódica em forma de mesa
MATEMÁTICA
K.P. Sreekumar e G. Nirmalan da Universidade Agrícola de Kerala Agricultural University, India pelo relatório sobre a estimação da área total da superfície dos elefantes indianos (elephas maximus indicus)
LITERATURA
Vicki L. Silvers da Universidade de Nevada-Reno e David S. Kreiner da Universidade Estadual de Missouri pelo artigo Os efeitos do Sulinhamento Inapropriado e Preexistente na Compreensão da Leitura
PAZ
Keita Sato, Presidente da empresa Takara Co., Dr. Matsumi Suzuki, Presidente do Laboratório Acústico do Japão, e Dr. Norio Kogure, Diretor Executivo do Hospital Veterinário Kogure por promoverem a paz e a harmonia entre as espécies pela invenção do Bow Lingual, um equipamento de tradução automática cachorro-homem
HIGIENE
Eduardo Segura, da Lavakan de Aste, de Tarragona, Espanha pela invenção de uma máquina de lavar cachorro e gatos
ECONOMIA
Executivos, Diretores e Auditores de 28 empresas multinacionais, entre elas Enron, Lernaut & Hausbie, Adelphia, Bank of Commerce and Credit International, Cendant, CMS Energy, Duke Energy, Dynegy, Gazprom, Global Crossing, HIH Insurance, Informix, Kmart, Maxwell Communications, McKessonHBOC, Merrill Lynch, Merck, Peregrine Systems, Qwest Communications, Reliant Resources, Rent-Way, Rite Aid, Sunbeam, Tyco, Waste Management, WorldCom, Xerox, e Arthur Andersen pela adaptação do conceito matemático de números imaginários para uso no mundo dos negócios
Muito justo!
sexta-feira, outubro 04, 2002
Um santo
Esse Gregório de Tours ( 538(?)-594) aí era um cara fervoroso, tanto que virou santo. Misto de bispo e historiador gostava de escrevinhar e escreveu vários livros onde demonstrava sua devoção e fé, comentava Salmos, denunciava a fornicação no meio de parte do clero e até estabeleceu uma interessante cronologia do mundo começando por Adão.
No ano de 591 publicou a História dos Francos. Olha só a preocupação do bicho com os rumos e sobrevivência da tal de literatura há mais de 1400 anos atrás, e a sacação dele pra registrar os fatos pra posteridade, cravadas lá no prefácio:
O culto das belas letras está em decadência e morre nas cidades da Gália. Enquanto as boas e as más ações se realizam, a barbárie dos povos se desencadeia, as violências dos reis redobram, as igrejas são atacadas pelos heréticos e protegidas pelos católicos, a fé do Cristo torna-se mais ardente entre muitos mas indiferente entre outros, as igrejas igualmente estão enriquecendo pelos devotos e despojadas pelos infiéis, não podemos encontrar um único letrado bastante versado na arte da dialética para descrever tudo isso em prosa ou em versos métricos.
Freqüentemente muitos se lamentavam, dizendo: “Maldita a nossa época, pois o estudo das letras está morto entre nós e não encontramos no povo ninguém capaz de relatar por escrito os acontecimentos presentes”. Assim, como eu não cessava de escutar essas reflexões e outras semelhantes, disse a mim mesmo que, para que a lembrança do passado se conservasse, ela devia chegar ao conhecimento dos homens que estão por vir mesmo sob uma forma grosseira. Eu não posso calar os conflitos dos medíocres nem a vida daqueles que vivem honestamente. Eu fui sobretudo estimulado, por que freqüentemente escutei dizer em meu círculo, para minha surpresa, que um retórico que filosofa é apenas compreendido por um pequeno número, mas aquele que fala a língua vulgar se faz entender pela massa.
Pois sim.
quinta-feira, outubro 03, 2002
Carneiro ou boi
O povo daqui, dali e de qualquer canto desse mundo aqui é bobo. E não é de hoje, sempre foi assim conforme revela a nossa cruel história desde o nosso símio inicio. Espremido entre os espertos que comandam e os espertos que não estão nem aí, esse imenso contingente sempre se ferra. Tem a ingênua ilusão que protagoniza a história e por meio das artimanhas de gentes astuciosas se envolve tanto que perde até a alma. No final constata-se que lhe foi reservado apenas o coadjuvante papel de massa de manobra ou bucha de canhão. Na hora do pega pra capar é quem se estrepa primeiro na linha de frente. E tanto nas guerras como noutras coletivas batalhas é a fração mais dizimada.
Pra que não me acusem de presunçoso adianto logo que também sou povo, portanto, como quase todo mundo, bobo.
segunda-feira, setembro 30, 2002
Os presságios
Cadê os búzios, o tarot, as linhas das mãos, a cigana, cadê o tambor? Onde a leitura dos astros, aquela que me dizem, mostra os rastros? Que rumo o fogo aponta na simpatia das águas? Não há respostas. Tudo turvo, nada dito, vagas promessas perdidas em forma de soltas palavras.
Nenhum mísero sinal, nenhum. Nem sequer de primitiva fumaça. Nada. Só falta agora acionar o infalível oráculo, mas temo que também falhe, como sempre tem falhado.
sábado, setembro 28, 2002
quinta-feira, setembro 26, 2002
Aqui ou acolá?
Diz o povo das matemáticas que toda teoria só se confirma quando pode ser provada pelo tira-teima dos números. Eu cá penso que certas teorias de tão justas e belas já nascem provadas e não carecem da prova dos noves, e seria até muito triste se se provasse o contrário. Então deixa lá, sem mexer pra não quebrar o encanto.
Pois sim, li agora uma apaixonada defesa da teoria do Universo Paralelo, esse que tá logo ali, embaixo, em cima ou derredor, não se sabe, mas tá, diz a criatura com absoluta convicção. Certo é que por não saber quase nada duvido de tudo, e por isso quase sempre sou atropelado pelas certezas embutidas em cada dúvida.
Embora se diga que aquele Universo Paralelo seja capaz de fazer coisas medonhas como sugar, sem deixar vestígios, pessoas e coisas pro lado de lá, continuo pensando que se ele existe é inofensivo. Meu receio é que um dia se comprove a sua existência, e através disso se descubram as passagens secretas e todo mundo migre pra lá em busca do seu outro um que habita ali, e esse mundo de cá fique deserto e se acabe, e sobrando só um mundo morre a estimulante esperança de ter outro melhor. Então deixa estar.
Minha única grande dúvida é se eu tô no paralelo de lá querendo me mandar pro de cá, ou se tô no daqui querendo tá algures no outro lado.
quarta-feira, setembro 25, 2002
Bologna
Desde ontem que eu perambulo procurando por mim. Fui dormir me lembrando de Bolonha e acordei certo que aqui era lá. Sim, aquela ali na Emilia Romagna cuja universidade é a mais antiga do mundo e segundo se afirma por lá começou com seus cursos em 1088. Pois sim, aquela das três portas de entradas em ruínas, cidade onde o pasto é honesto do primo ao último prato, o gosto do vinho bom, o povo legal e os monumentos são deslumbrantes e se harmonizam com a arquitetura cheia de arcos.
E pra continuar perdido abri agora uma garrafa de vinho de lá.
terça-feira, setembro 24, 2002
segunda-feira, setembro 23, 2002
Cansando das trilhas e da falta delas
(fragmentos de sonhos)
Mas parece que a alma gosta. Se não fosse assim não me azucrinava o juízo toda vez que se aproxima um fim de semana pra dar esses rolês malucos que sempre me deixam moído.
Desconfio que enquanto não der cabo desse off-road que me espia desafiante naquele canto da casa vai ser assim, ou vai ser pior e um dia me arrebento sem conserto.
quinta-feira, setembro 19, 2002
quarta-feira, setembro 18, 2002
Uma abala, a outra corta a carne
Ela é moça de pele apreciada pelas marcas caprichadas de corantes que lhe decoram o corpo, e de quando em vez acrescenta mais um, como o último, segundo me disse, um baudelaire no braço esquerdo tirado do mon coeur mis à nu "sois toujours poëte même en prose"
Tem alma livre que circula pelas tormentas das almas ora serena, ora aflita. Mexer com as palavras é seu ofício, mas pensa em restringir o que precisa dizer porque considera que tudo cabe em exatas 17 sílabas.
Mandou dizer que numa fúria pueril desbastou a vasta cabeleira e deixou lá um moicano feito uma taturana gigante desafiando olhares. Já traduziu umas obras por aí, e ali no seu até parece decifrou Anne Sexton em dois poemas, esculpindo palavras como quem talha a canivete sangrando os sulcos porque com Sexton tem que ser assim, e pra entender precisa ter o coração meio underground e a cuca em transe. Nunca vi Lavínia mas aprecio o imenso brilho que sua cabeça (agora) pelada tem e tenho por ela muito apreço.
Vamos nessa:
A viciada
Patroa da morte,
patroa do sono,
com cápsulas na mão toda noite.
Oito por vez, de doces vidros farmacêuticos.
Faço os preparativos para uma jornada de miligramas.
Sou a rainha dessa condição.
Sou uma mulher viajada.
E agora me chamam de viciada.
Agora me perguntam por quê.
Quê?
Não sabem
que eu prometi morrer!
Estou praticando.
Só mantendo a forma.
As pílulas são uma mãe, melhorada,
de todas as cores e bom como bala azedinha.
Estou fazendo a dieta da morte.
Sim, admito.
Tornou-se um certo hábito.
Oito por vez, no olho,
enlevada pelo rosa, o laranja,
o verde e o boa-noite branco.
Estou virando meio combinação
química.
É isso!
Meu estoque
de comprimidos
tem que durar anos e anos.
Gosto mais deles que de mim.
Teimosos do inferno, não me deixam.
É tipo um casamento.
Tipo uma guerra
e eu jogo bombas pra dentro
de mim.
Sim
eu tento
me matar em pequenas porções,
ocupação inócua.
Na verdade, estou amarrada nela.
Mas lembre que eu não faço barulho demais.
E, francamente, ninguém precisa me arrastar,
não fico por aí enrolada nos lençóis.
Sou um docinho na minha camisolinha amarela.
Engolindo minhas oito porções de uma vez,
e na ordem como
se postasse as mãos
ou no sacramento negro.
É uma cerimônia
mas, como em qualquer esporte,
cheia de regras.
É como um jogo de tênis com música
e a minha boca sempre pega a bola.
Depois eu jazo no meu altar
elevada pelos oito beijos químicos.
E que alívio é isso:
dois rosa, dois laranja,
dois verdes e dois boa-noites brancos.
Fuein-fuein-fuein-fuein-fuein.
Agora bateu.
Agora eu senti.
Tipo essa
Saí, bruxa possuída,
assombrando o ar, corajosa na noite preta,
me achando má, lição aprendida,
de janela acesa em janela acesa.
Coisa só, dos doze dedos, avessa.
Mulher assim não é mulher, não que se preza.
Eu fui tipo essa.
Descobri as cavernas quentes da floresta,
enchi de prateleiras, desenhos, relevos,
armários, sedas, inumeráveis coisas;
fiz a janta pros vermes e pros elfos:
arranjando o desarrumado, chorosa.
Mulher assim é incompreendida.
Eu fui tipo essa.
Andei no seu carro, moço,
Passei pelas cidades com os braços de fora, abanando pra elas.
Aprendendo os caminhos menos espertos, colosso,
as chamas ainda me mordendo as coxas,
as costelas partindo quando giram a manivela.
Mulher assim não tem vergonha de finar-se.
Eu fui tipo essa.
terça-feira, setembro 17, 2002
Absinto
Se eu fosse de beber em demasia e tomasse o último gole como quem toma o primeiro e bebesse todas como quem não bebe nada. Se fumasse, tragasse tudo, e a fumaça sempre me desse a ilusão de bruma pra que meus pulmões agüentassem as refregas dessas noites fumadas, e se a folia fosse o meu único consolo tomaria emprestado de Bandeira, aquele Manuel, que mesmo tísico gozou a vida e morreu de velho, esses versos de Bacanal e cantaria com muita força toda vez que caísse na gandaia.
Quero beber! cantar asneiras
No esto brutal das bebedeiras
Que tudo emborca e faz em caco...
Evoé Baco!
(...)
sábado, setembro 14, 2002
quinta-feira, setembro 12, 2002
O gosto da vida
Tenho cá pra mim que grande parte do povo traz e tem uma escala de intensidades embutida dentro de si, imposta e esculpida pela anímica razão, burilada pelo tempo e que regula o exato tanto que se deve ter das coisas que alma reclama. E como tudo que regula tolhe, dosa o choro e o riso, a paixão e o desgosto, reduz espaços, controla os passos. Aí retém os sentimentos nos limites dessa tal auto-regulação, reprimindo em cada um o que cada deles estabeleceu ou pensa ser excesso. Assim, pesado e medido, esse povo é meio insosso.
Já o povo visceral, assim que nem eu, parece desprovido desses apetrechos regulatórios e daí, sem noção de escala, vive intenso tudo, do bagaço ao contentatamento. Pode até ser mais sofrido num momento aqui ou noutro acolá, mas a vida assim, desse jeito, quase nunca fica deserta e tem mais gosto pra saborear.
terça-feira, setembro 10, 2002
Uma mulher das minhas

Nasceu e viveu entre 1520/24-1566, ali na França e botou pra fora, nas palavras escritas seus litígios interiores, angústias, desejos, amores e fantasias. Naqueles tempos precisava ser muito mulher pra propagar o que lhe ia na alma, no coração, e o que ardia nos apelos do corpo, e ela, provavelmente aos 31, num livro, propagou como poucas.
Louise Labé, uma mulher pra lá do seu tempo, olhaí:
Beijai-me agora, e muito, e outra vez mais,
Dai-me um de vossos beijos saborosos
E depois, dai-me um desses amorosos
E eu pagarei com brasa os que me dais.
Virei vos socorrer, se vos cansais,
Com mais dez beijos longos, langorosos,
E assim, trocando afagos tão gostosos,
Gozemos um do outro, em calma e paz.
Vida em dobro teremos, sendo assim;
Eu viva em vós e vós vivendo em mim.
Deixai que vague, pois, meu pensamento:
Não dá prazer viver bem-comportada;
Bem mais feliz me sinto, e contentada,
Quando cometo algum atrevimento.
Quando, à noite, ao repouso me disponho
No meu macio leito recostada,
Minh'alma triste corre, libertada,
Incontinenti ao teu encontro em sonho.
E dentro em mim tanta alegria ponho
Por finalmente ver-me contentada
Nessa ventura tanto desejada
Que dos soluços já não me envergonho.
Oh noite, cheia de felicidade!
Fazei, do doce sono no aconchego,
Que se renove o sonho a cada dia;
E se minh'alma, por fatalidade,
Nunca puder de fato ter sossego,
Que possa ao menos tê-lo em fantasia.
domingo, setembro 08, 2002
sexta-feira, setembro 06, 2002
Jaguatirica, felina maracajá


Elegante no andar e linda, de perfeita arquitetura e adequada compleição. Suave nos gestos, salta como quem voa e inventa ângulos no ar. Astuciosa, primeiro rasteja lento e depois dispara rápido, sempre certeira no bote, nunca erra porque desconcerta a presa pelo ato de observar.
Habita em quase todo canto e passeia com igual desenvoltura no chão da densa floresta, por entre escassos arbustos das intrincadas caatingas, na vastidão dos cerrados, nas sinuosas montanhas, e aí o clima ameno lhe deixa mais branda e lânguida. Tem destreza nas escaladas das árvores, nas águas dos córregos onde nada, bebe e se banha. O faro é apurado, o olho não falha, as garras são firmes e marcam fundo, a língua lambe antes de mordiscar pra melhor degustar o sabor da presa conquistada. Tem hábitos noturnos mas de dia também caça. É predadora e só tem um predador que lhe espreita.
Seduz o macho que quer, acasala no outono mas tem natureza solitária e busca em cada outono um novo par. Reage de forma semelhante em momentos desiguais: na ameaça do perigo e no desejo do cio com uma latente e controlada agressividade que transforma em luta ou gozo, feito as fêmeas das demais espécies.
quarta-feira, setembro 04, 2002
Compulsória reclusão





Tem profissão que é assim, esquisita que nem essa que se abraçou comigo, e obriga, vez em quando, a gente se recluir junto com um monte de outras pra tentar ajudar resolver pepinos de organizações, as ditas empresariais e mais umas à beira da agonia.
E como quem produz problemas são as gentes que batalham nessas tais, há que se buscar saídas é nesse próprio povo. Aí pinta um inevitável desfile das nuances da natureza humana: da hipocrisia à sacanagem, da dissimulação ao oportunismo, de acusações e isenções de culpas e mais um monte de armadilhas que a inteligência humana é capaz de engendrar pra se safar ou lascar o outro.
Pois é, após três dias dentro dessa ventania, tentando dar um rumo pros vendavais, eis me aqui cansado pra caramba. Quase sempre tudo termina bem, e o tufão se transforma em leve brisa. Mas tô ficando enfastiado desse metiê. Qualquer dia deponho as armas, proclamo um definitivo armistício e ponho um boné, penduro os chinelos e vou zanzar descalço por essas orlas do mundo, por essas bordas e curvas, por esses ares colibri.
sexta-feira, agosto 30, 2002
Cobra ou camaleão
Parece que este blog tem uma necessidade latente de mudar de pele, ora que nem cobra, se livrando do fardo do couro gasto, ora como camaleão, mimetizando, de leve, as nuances coloridas que o ambiente emana.
E eu, que pouco sei de códigos e cores, me lasco todo mexendo nos instestinos pouco amigáveis desses tais templates pra atender aos caprichos compulsivos deste inanimado blog e de mim.
Hoje mudamos as vestes, mas a essência permanece a mesma, como sempre.
quarta-feira, agosto 28, 2002
segunda-feira, agosto 26, 2002
sexta-feira, agosto 23, 2002
terça-feira, agosto 20, 2002
sábado, agosto 17, 2002
Incompleta trajetória
Latente desejo já confessado, dito, explicitado, traduzido em vontade e revelado em tortas palavras. E as palavras, por via de uns mistérios, duns enigmas ou sortilégios, há muito que estão lá, mas a resposta não pinta.
E assim a jornada não se completa, nem o destino se cumpre pela sentida ausências dessas palavras esperadas.
quinta-feira, agosto 15, 2002
Telegráfico
Eu amo. Ela ama, não proclama. O tempo encolhe, a janela é o visor do mundo e oráculo de nós. O vaticínio em parte se confirma. O círculo se fecha, o entorno é redondo. Tudo aproxima, quase tudo periga nesse altar de conchas, puro mistério e nele me emaranho, sem susto ou sobressalto. Sortilégio, visgo que nos ata, mesmo longe perfeita percepção. Enfim, afins, a fim. A espera, a espera, a espera.
Quando, por fim?
segunda-feira, agosto 12, 2002
sábado, agosto 10, 2002
Saartjie Baartman, uma mulher
Ali, na região de Hotentote, na África do Sul, as mulheres da etnia khoi-khoi sempre foram assim de belas feições e formas exuberantes, com nádegas salientes e coxas desenvolvidas. Saartjie Baartman também era igual às demais e tinha uma particularidade: acentuada hipertrofia nos lábios vaginais.
Em 1810 um sacana holandês-inglês, o médico William Dunlop zanzava por lá, deparou-se com ela e sacou logo que podia ganhar uma grana fácil exibindo-a na Europa, pois destoava do padrão da mulher européia geralmente desprovida desses atributos. Ela só tinha 21 anos e foi convencida a viajar com a promessa de melhorar de vida.
Na verdade passou a ser explorada da mais infame, sórdida e degradante maneira, exibida nua como um animal selvagem, “como um caso assombroso da natureza” em circos, bares, bordéis e até universidades. Passou a ser conhecida como Vênus hotentote.
O pessoal de Londres que na época combatia a escravidão fez pressão e ele se mandou com ela pra França e continuou fazendo a mesma coisa lá. Submetida a todo tipo de humilhação, tendo cada naco da sua anatomia vasculhada, servindo até aos baixos instintos sexuais de quem quisesse ter um “gozo animal” morreu, certamente de banzo e desamparo, entregue ao alcoolismo, contaminada pela sífilis e tuberculose numa lenta agonia, aos verdes 25 anos e teve seus incomuns órgãos sexuais e o cérebro retirados e colocados num vidro com formol passando a ser atração de museus. Seus ossos também foram guardados. Sua saga macabra continuou até 1976 quando a África do Sul começou um movimento pela repatriação dos seus restos mortais e restauração da sua dignidade.
Agora a assembléia nacional da França aprovou a devolução do que restou e que era patrimônio do Museu do Homem de lá.
Depois de quase duzentos anos finalmente ela retornou pro seu canto, mas a vergonha não foi apagada, não acabou o preconceito nem a mancha da discriminação que ainda pulula por esse mundo onde o vivente humano até hoje não aprendeu a respeitar os semelhantes nem os diferentes.
sexta-feira, agosto 09, 2002
Cativo
Não tem como deter um querer, um desses que sorrateiros se instalam dentro das humanas criaturas, porque tudo quanto é flanco de repente fica frágil, e uma languidez se apodera do corpo e do pensamento e devasta, sem nenhuma piedade, as possíveis resistências.
Daí tudo se torna vulnerável: da cabeça ao peito, da anca ao pé. Num estado de puro estupor.
terça-feira, agosto 06, 2002
Enredado
Paulo César Pinheiro escreveu, Dory Caymmi musicou e virou "Desenredo".
Por toda a terra que passo
Me espanta tudo o que vejo
A morte tece seu fio
De vida feita ao avesso
O olhar que prende anda solto
O olhar que solta anda preso
Mas quando eu chego eu me enredo
Nas tranças do teu desejo
O mundo todo marcado
A ferro, fogo e desprezo
A vida é o fio do tempo
A morte é o fim do novelo
O olhar que assusta anda morto
O olhar que avisa anda aceso
Mas quando eu chego eu me perco
Nas tramas do teu segredo
Ê Minas, Ê Minas
É hora de partir eu vou
Vou me embora pra bem longe
A cera da vela queimando
O homem fazendo o seu preço
A morte que a vida anda armando
A vida que a morte anda tendo
O olhar mais fraco anda afoito
O olhar mais forte indefeso
Mas quando eu chego eu me enrosco
Nas cordas do teu cabelo
domingo, agosto 04, 2002
Luz, sombra e reflexo

Portas e janelas escancaradas pro mundo pra que a claridade devasse cada canto devassável dessa casa-coração e expulse de mim esses resquícios de ave noturna, e reduza esse gosto pela sombra no jogo do claro-escuro.
Mas não só pra isso. Abertas também pra que eu possa, do mesmo jeito da claridade, devassar o mundo que me reflete.
sábado, agosto 03, 2002
sexta-feira, agosto 02, 2002
terça-feira, julho 30, 2002
Par
Da natureza das coisas sei pouco, quase nada. E cá, na minha antropossófica ignorância, tenho pra mim que a alma de cada um de nós é roliça, sem quinas ou portas de entradas e saídas definidas, assim que nem um grande desvão descerrado que agasalha tudo: as boas coisas e as nem tanto também. E é lá que as conjuminâncias entre as criaturas se processam e se dão, independentemente das resistências das lógicas burocráticas da razão ou dos impulsivos e anárquicos mandos do insensato coração.
Daí penso que, longe e livre dessas naturais e impertinentes interferências, essas da razão e do coração, as almas de uns e outros se buscam e se sincronizam nas afinidades refletidas e quando o resultado dessa confluência gera um par, então não tem nada no mundo que impeça essa junção ou que aparte essa parelha.
segunda-feira, julho 29, 2002
Tango premonitório
Esse Enrique Santos Discépolo foi um argentino dos bons, um desses poetas populares que impregnam seus ditos de sabedoria e premonição. Em 1935 tascou esse Cambalache. Caetano Veloso gravou por cá num andamento espalhafatoso.
Que el mundo fue y será una porquería,
ya lo sé;
en el quinientos seis
y en el dos mil también;
que siempre ha habido chorros,
maquiavelos y estafaos,
contentos y amargaos,
valores y dublés,
pero que el siglo veinte es un despliegue
de maldá insolente
ya no hay quién lo niegue;
vivimos revolcaos en un merengue
y en un mismo lodo todos manoseaos.
(...)
Qué falta de respeto,
qué atropello a la razón;
cualquiera es un señor,
cualquiera es un ladrón.
Mezclaos con Stravisky,
van Don Bosco y la Mignon,
don Chicho y Napoleón,
Carnera y San Martín.
Igual que en la vidriera irrespetuosa
de los cambalaches
se ha mezclao la vida,
y herida por un sable sin remaches
ves llorar la Biblia contra un calefón.
domingo, julho 28, 2002
quinta-feira, julho 25, 2002
Debilitado
Cansado de ser inanimado parece que este desconsolado blog quer pulsar como pulsa a vida. Alter-ego de mim, ou vice-versa, desconfio que não se conforma em ser apenas veículo de angústias e contentamentos, e queira, ele próprio sentir.
Por uma astúcia qualquer provoca em mim, nessa minha tonta cabeça, uma certa compulsão por mudar-lhe as vestes na vã ilusão de que trocando a pele que lhe cobre, como as cobras fazem, se renova a vida ou uma nova se ganha. O brilho externo das cores com seus matizes dá ânimo e até reluz, mas não revela necessariamente vida.
Creio que este blog, que se confunde comigo, entrou mesmo foi numa confusa fase autofágica e tá quase moribundo, sucumbindo, ali nos estertores finais.
quarta-feira, julho 24, 2002
Lapidado
Esse cara, esse Giuseppe Ungaretti chegou por essas bandas em 1937 pra ensinar literatura italiana na USP e se mandou em 1942 por conta daquela guerra lá. Penso que foi um dos grandes poetas do mundo e aqui contaminou de prosa e poesia um monte de gente boa. Duas dele:
Dias e noites
tangendo
em meus nervos
de harpa
vivo desta jóia
doentia do universo
e sofro
de não sabê-la
acender
na minha
palavra.
Manhã
Ilumino-me
de imenso.
Esta última é de 1915 e causou o maior rebu pela forma e síntese.
terça-feira, julho 23, 2002
Intermitente crença
Eu contrito, confesso que me desfiz da fé. Aliás de todas. Das compulsórias atávicas, aquelas incutidas pelo milenar e exitoso processo do temor, e das outras, daquelas adquiridas nas pelejas ambivalentes do cotidiano: no torpor dos infortúnios, ou no regozijo das indulgências recebidas.
Mas desconfio que essa inquieta confissão não vai prosperar e nem se cristalizar. Provavelmente tudo voltará a ser como dantes diante do primeiro solavanco de uma aflição, ou da celebração incontida de uma alegria. Como das outras vezes.
segunda-feira, julho 22, 2002
Virgem invicta
A fornicação é vital pra tudo quanto é bicho e gente. Parece que pros bichos selvagens é por pura necessidade da manutenção das espécies deles. Pra nós, ditos humanos, é por isso e mais umas prazerosas coisas que as artimanhas da inteligência engendraram e dão um baita suporte às nossas íntimas querenças aliviando o cio que em nós, diferentemente dos outros bichos, é quase constante ou se provoca fácil.
Mas tem quem passe pela vida incólume, e por alguma razão se safou dos naturais apelos da carne. É o caso de Francisca Ribeiro da Silva, do Ceará, conhecida como dona Nenê (ou Neném), 85 anos, atriz, pois participou recentemente de um premiado curta chamado No Passo da Véia, de Jane Malaquias, que embora possa parecer não relata a sua história pessoal.
Conforme depoimento dela numa matéria sobre primeira vez, preliminares, orgasmos, prazer e tal no caderno Almanaque do jornal O Povo, de Fortaleza, só casou aos 73 anos. Ele tinha 76. Deu nisso aí:
Minha cabeça tá assim meio véia, mas acho que foi isso mesmo. Eu só sei que passei dois anos casada com ele. Quando foi na entrada dos três, ele morreu. Ele tinha trombose. Não teve jeito. Aí, fiquei viúva. Viúva e zerada porque não teve lua-de-mel, não. Como eu disse, eu casei de véu e grinalda. Zerada. Eu era moça. Nunca tinha feito nada na minha vida. E fiquei assim porque Maninho nem descobria mais o Brasil. Aliás, naquela idade, descobria mais nada.
Penso que daqui a pouco vão fazer um filme, curta que seja, sobre a heróica e involuntária abstinência de dona Neném.
sábado, julho 20, 2002
Ira santa
Depois da bronca da sensível e doce Rosa Leonor nos comentários do post aí de baixo percebi que a nossa pátria não é a língua, como disse o grande bardo de lá. A nossa pátria é nossa pele, pois tudo que nela arranha, dói.
quinta-feira, julho 18, 2002
Anúncios portugueses
Tentava aqui fazer uma inocente pesquisa sobre os estragos do clima e chuvas através dos tempos e eis que esta inusitada net e seus buscadores malucos me lançam num batráquio servidor, aquele Sapo ali de Portugal, mais precisamente numa seção de classificados de serviços sexuais.
E vi que cá, como lá, o trilenar mercado dos prazeres é um, os costumes iguais e a promiscuidade muita, quase ninguém se preserva. A sacanagem é o mote pra provocar os instintos e tudo o mais é subalterno. O que muda mesmo é só o estilo literário de se fazer as ofertas. Confesso que não conheço certas modalidades oferecidas, e nem entendi certos requisitos tipo tamanho dos pés e tal.
No final de cada anúncio colocam lá a cidade e o número do telemóvel. Olhaí uns:
- Faço tudo. Menina, óptimo visual, corpo soberbo, aparelhos, lingerie, látex, chuva, masoquismo, etc.
- Viúva, trintona, solitária, gostosa, peitos rijos, oral intensivo.
- 2 louraças. Tudo ao natural. Botão de rosa.
- 20 anos, loura, com máxima higiene e educação. Preço mínimo.
- Travesti Joana + Jéssica. Dupla fantástica, completas. Realizamos todas as fantasias em conjunto ou separadas, sem tabus, sem pressas, sem limites. Segunda a sábado.
- Menina só. Sou morena, cabelos compridos, de 1,70m, muito meiguinha. Faço oral até ao fim, adoro 69 e tudo ao natural. Faço chuva dourada e botão de rosas. Faço casais.
- Brasileira, 20 anos. Oral até ao fim. Angolana, 24 anos, com corpo de manequim. Uma trintona sem tabus. Vem, não traga pressa.
- Duas amigas elegantes e bonitas, 25 completa e 33 com peito firme. Oral ao natural. Local discreto.
- Rivaldo, mulato, dominador, superdotado. Realizo suas fantasias. Alta qualificação. Pés 44.
terça-feira, julho 16, 2002
Eternizar
Vez por outra pinta um sábio propalando o fim de algo. Já decretaram o fim da história, da filosofia, do livro em papel, do cinema, do romantismo, do mundo e de mais um montão de outras coisas que permanecem ativas pra desespero e desmoralização de quem propôs.
Pra que ninguém mais pague o mico de se estrepar prevendo a extinção disso ou daquilo, nem sobrecarregue os neurônios com intermináveis e ridículas polêmicas, talvez fosse mais sensato propor uma singela e definitiva coisa: o fim do fim.
Isto posto, no lugar de fim o mais apropriado seria recomeço.
segunda-feira, julho 15, 2002
Às avessas
Não sei exatamente qual a serventia, mas aqui você vê o seu blog invertido, como se fosse num espelho.
domingo, julho 14, 2002
sexta-feira, julho 12, 2002
Equilíbrio
Admiro a denodada e incessante busca da maioria das gentes pelo desejado e difícil equilíbrio, esse imaginário ponto que não se sabe onde fica e que seria, supostamente, uma das fontes da felicidade dessa nossa humana e estranha raça. Mas desconfio que essa seja uma vã procura nem tanto por culpa das céticas ciências que a tudo fragmenta e conceitua, ensinando que o equilíbrio do sólido é diferente do líquido que destoa do gasoso.
Essa tortuosa e científica trilha pode levar a uma pergunta assim: como podem complexos seres compostos de carne, osso, sangue, sal e desejo, com esse monte de elementos distintos convivendo num só corpo, cada qual com suas propriedades diversas, harmonizarem tudo isso numa única e equilibrada coisa?
Tem hora que o corpo quer e a alma deseja, o sangue ferve e a carne arde, mas isso significa só um rumo do conjunto. Tem hora que tudo isso não tem rumo nem direção e quer dizer dispersão.
Pra mim, não vale a pena a procura porque elimina o sentido da vida que é movida por essas contradições, pela permanente luta dos contrários que agita a gente e colore a existência, embora vez por outra também borre. Ainda assim prefiro o fuzuê do desequilíbrio porque equilibrar significa anular.
quinta-feira, julho 11, 2002
quarta-feira, julho 10, 2002
Ira enrustida?
Parece que todo santo delira no fervor da fé e arde com o temor das coisas ditas pecaminosas, e tem uma renitente compulsão de expurgar de si tudo que considere como sendo iniqüidade.
São Pedro Damião (1007 - 1072), aquele atormentado santo italiano que Dante pôs lá no céu de Saturno, cantinho reservado às criaturas dotadas de determinação contemplativa, foi um monge letrado e virtuoso. Aos 25 já era catedrático de universidade. Mas como atestam as ciências, nessa faixa etária os hormônios pipocam pelos poros e o tesão é quem comanda os instintos carnais.
Talvez isso martirizasse o homem e suponho que a autoflagelação a que se submetia colocando cipós de espinhos debaixo da roupa e dando porrada em si mesmo com chicote tinha a serventia de estancar os desejos e evitar imprevisíveis ereções que decerto o afligiam e tal. Como se fosse pouco, o cara sobreviveu por alguns anos com uma mixa dieta de pão e água para se punir. Ficou debilitado e quase pifou.
Daí resolveu dedicar todo o resto da sua vida a combater, com denodo e dedicação, dentro da corporação clerical, o que considerava espúrio: a sacanagem generalizada, a prática da bolinação homossexual que grassava no meio do macharal recluso nos mosteiros e sacristias naquele tempo, além da exagerada simonia praticada pela igreja.
A mando do papa perambulou pelos mosteiros da Europa recolhendo estórias cabeludas que resultou num livro chamado Liber Gomorrhianus (Livro Gomorriano) numa clara alusão a devassidão de Sodoma e Gomorra, onde didaticamente descrevia como a coisa se dava e propunha as penitências. Taí uma pequena parte:
(...)
Do diverso comportamento da sodomia
Quatro tipos deste comportamento vergonhoso podem ser distinguidos no esforço de revelar-vos todo o problema de maneira ordenada. Alguns se tocam a si mesmos, sozinhos, outros se contaminam tocando com as mãos cada um o membro viril do outro, outros fornicam entre as coxas e, finalmente, tem os que fornicam por trás. Entre estes há uma progressão gradual tal que o último é mais sério que os precedentes. Assim se impõe àquele que peca por pegar no membro do outro uma penitencia maior do que para quem se pôs sozinho em contato com seu próprio sêmen ejaculado. Aqueles que são fornicados por trás devem ser punidos mais severamente do que aqueles que fazem apenas entre as coxas.
Conseqüentemente, a hábil maquinação do diabo estabeleceu gradação nesses atos dissolutos de modo que, quanto mais acima nessa escala, mais baixo estará a alma desse infeliz nas fossas profundas do inferno.
(...)
Tenho cá pra mim que do animado povo gay, esse que pulula por aí hoje em dia propalando nas paradas um certo orgulho de ser, esse santo dificilmente terá um devoto, né?
segunda-feira, julho 08, 2002
domingo, julho 07, 2002
sexta-feira, julho 05, 2002
Lancinante
O meu cangote dói. A cervical pediu colo, chiou com o peso das tensões que os dias moedores quase sempre provocam com suas desastrosas combinações de ausência com saudade, abandono com vazio, e dos choques das querenças não correspondidas. E isso junto é tanto quilo não aferido num canto só que o cachaço não suporta e parece que trinca.
Mas presumo que essa dor física seja apenas um disfarce enganoso do corpo, porque a dor que disso resulta e sobra tem roteiro conhecido: resvala de baixo pra cima na direção da cumeeira do quengo, só pra azucrinar, pois ela se instala mesmo é no coração, esse repositório de imensas contradições que propicia tanto a expansão desmedida dos júbilos do amor como dos doloridos dissabores da desilusão.
quinta-feira, julho 04, 2002
Miss Sovaco
Curvilíneo ou angular, rechonchudo ou pouco espesso, grande, reduzido ou seja lá que forma assuma, o corpo feminino com seus mistérios embutidos povoa o imaginário do macharal e provoca todo tipo de fetiche.
Por conta disso tem quem explore esse filão e ganhe uma grana preta vendendo, muitas vezes sem escrúpulos, esse belo conjunto de formas e também as suas partes isoladas. E foi assim que se banalizou bunda e peito numa exposição constante e nem sempre muita artística. Não sei se tem estatística provando que isso pode diminuir o interesse dos homens, mas penso cá comigo que não reduz o desejo, embora se diga por aí que essa mostra exagerada dá um tranco na libido.
Sei não. Percebo é que todo dia se instituem concursos para evidenciar um naco desse corpo de inesgotáveis possibilidades, de suaves contornos e tantas reentrâncias. Foi o que ocorreu ontem em Nova York, um incomum evento para escolher a America's Most Beautiful Underarms, na verdade, a Mais Bonita Axila da América ou Miss Sovaco, né?
Quem ganhou e faturou cinco mil dólares foi Nikki Bohannon, uma bem torneada jovem da Flórida com a sua reluzente, perfumada e perfeita axila depilada.
Costume é mesmo coisa estranha e acompanha os passos da moral que é imposta em cada época e vai detonando lentamente as barreiras dos limites anteriormente interpostos. Pois é. Ali mais pra trás um pouco no tempo, axila era também uma parte pudica que nem bico de peito e virilha.
quarta-feira, julho 03, 2002
Nortes
Num país, como na vida, mais que tudo tem os nortes, e parece que cada norte tem muito mais que uma ponta com a função de guiar, e mesmo que o rumo não seja na direção que se queira ele sempre prevalece. Assim, o norte de cada um pode apontar para o sul ou outro canto cardeal qualquer de si.
Eu confesso que hoje o meu norte tá confuso, zanzando por cada ponta sem saber onde é que tá.
terça-feira, julho 02, 2002
sábado, junho 29, 2002
sexta-feira, junho 28, 2002
Amava
Aquele Gregório, o de Matos, era mordaz, sarcástico e contundente que só. Baixava o cacete nos costumes do seu tempo, gostava de dá uns nós nas hipocrisias reinantes e era sempre certeiro nas críticas e nos torpedos lançados. Mas tinha um coração apaixonado por uma donzela e se derretia todo quando pensava nela, e se angustiava assim:
Ó tu do meu amor fiel traslado
Mariposa entre as chamas consumida,
Pois se à força do ardor perdes a vida,
A violência do fogo me há prostrado.
Tu de amante o teu hás encontrado,
Essa flama girando apetecida;
Eu girando uma penha endurecida,
No fogo, que exalou, morro abrasado.
Ambos de firmes anelando chamas,
Tu a vida deixas, eu a morte imploro
Nas constâncias iguais, iguais nas chamas.
Mas ai! que diferença entre nós choro,
Pois acabando tu ao fogo, que amas,
Eu morro, sem chegar à luz, que adoro.
quinta-feira, junho 27, 2002
O embate
(Final Brasil x Alemanha)
Nesse confronte que se aproxima, esse de domingo, entre as chuteiras de lá e as de cá, convém talvez, para destrinchar a natureza das fraquezas e fortalezas de cada um, saber a origem de cada qual, tirar proveito disso e montar as estratégias e táticas. Pode ser de grande serventia nesses tempos de muitas ciências.
Pois no princípio pintaram eles e nós assim:
Nós
(...)/ estará bem empregado todo o cuidado que Sua Majestade mandar Ter d'este novo reino; pois está para edificar nele um grande império, o qual com pouca despesa destes reinos se fará tão soberano que seja um dos Estados do mundo.."
(...) Tem estes índios mais que são homens enxutos, mui ligeiros para saltar e trepar, grandes corredores e extremados marinheiros, como os metem nos barcos e navios, onde com todo o tempo ninguém toma as vellas como elles; são grandes remadores ... são também muito engenhosos para tomarem quando lhes ensinam os brancos, como não for cousa de conta, nem de sentido: porque são para isso muito bárbaros. (Gabriel Soares de Sousa - Tratado Descritivo do Brasil - 1587)
(...) com grande tripúdio matam os prisioneiros, tendo-os engordado cuidadosamente por alguns dias, e comem-nos assados em espetos. Marcham alegres para a morte aqueles a quem está reservado tal destino, e publicando como de uma resenha, as façanhas praticadas contra os seus próprios verdugos, unfanam-se de não morrer sem vingança." (Gaspar Barlaeus - Rerum per Octennuim in Brasília -1647)
Eles
(...) Toda a Germânia está separada das Gálias, da Récia e da Panônia pelo Reno e Danúbio; da Sarmátia e da Dácia por alguns montes e por seus mútuos temores (...)/ com habitantes e reis que a guerra nos fez descobrir recentemente. O Reno nasce de um despenhadeiro inacessível dos Alpes Récios, e depois de torcer um pouco para o poente desemboca no oceano setentrional. O Danúbio, espalhado de um monte pouco elevado e de acesso suave no monte Abnoba, passa por muitos povos até que se lança ao Ponto Euxino por seis bocas, a sétima some nos pântanos. (...)
(...) Creio que os germanos são naturais da própria terra e que jamais se mesclaram com a vinda e hospedagem de outros povos; pois, antigamente, todos que emigravam não iam por terra senão por mar e são raros os navios que de nosso mundo se aventuram a penetrar no Oceano imenso e, por assim dizer, oposto ao nosso. Ainda sem o perigo e o horror de um mar desconhecido, quem abandonaria a Ásia, África ou Itália para dirigir-se a essa Germânia(...)
(...) Sou da opinião dos que crêem que os povos da Germânia não se alteraram por casamentos com nenhuma outra nação e que são uma raça singular, genuína e semelhante só a si mesma. Portanto, possuem uma perfeita analogia de figura entre eles, ainda que tão numerosos; são de olhos azuis e selvagens, de cabelos ruivos, corpo avantajado e forte só para o ataque violento, mas não suportam com resignação os trabalhos e as fadigas, metem-lhes medo o calor e a fadiga, todavia toleram a fome e o frio por afeitos à avareza e à inclemência do clima. ( Tácito - Germania - 98 d.C.)
Penso que sabendo desses macetes já dá pra gente deduzir quem vai pro beleléu no domingo, né não?
segunda-feira, junho 24, 2002
Bis
Há mais ou menos um ano eu cravava esse lastimoso post aí embaixo neste meu desconsolado blog, parido num desconforto sensorial que as perdas quase sempre provocam. Hoje ele ressurgiu na minha memória, e ficou ali engasgado nos meus gorgomilos, próximo do tal pomo-de-adão, como se fosse um nó ou uma tampa que abafa.
Desconfio que seja uma artimanha dessa minha ardilosa alma pra conter possíveis soluços, lamentos ou gritos. Taí:
Pranto
Dia a dia me convenço
que pra lágrimas de amor
é inútil ter lenço
sexta-feira, junho 21, 2002
Beat
Esse cara era daquela geração, aquela beat, que deu um peteleco no conformismo e inventou a contracultura e provocou o maior rebu na estética da literatura americana ali do norte e que respingou no resto do mundo.
A partir deles o babado comportamental deu um salto, embora consumissem anfetaminas e outras drogas como quem bebe água, eram ativistas civilistas e quebraram o maior pau pra legitimarem a inserção social e plena cidadania dos negros, mulheres, homossexuais, deficientes físicos e tudo o mais que era considerado de terceira classe e tal.
Quase todo mundo passou a escrever diferente depois deles. Taí um dos:
Arte É Ilusão, Pois Eu Não Ajo
Fico ou Parto - com constante alegria
Meus pensamentos, embora céticos, são sagrados
Santa prece para o conhecimento ou puro fato.
Então enceno a esperança de que posso criar
Um mundo vivo em torno de meus olhos mortais
Um triste paraíso é o que imito
E anjos caídos cujas asas perdidas são suspiros.
Neste estado não mundano em que me movimento
Minha Fé e Esperança são diabólica moeda corrente
Em mundos falsificados, cunho pequenos donativos
Em torno de mim, e troco minha alma por amor.
( Allen Ginsberg)
quinta-feira, junho 20, 2002
Mundo bola
Taí a suplicatória reza do povo de lá, aquele fleumático inglês, contra as mandingas do povo de cá pro jogo de logo mais. Tá tudo redondo no mundo.

quarta-feira, junho 19, 2002
Hediondo
O povo desgarrado da vida, esse que foi empurrado pro subsolo da existência por incapacidade de adequação ou vontade própria, os chamados mendigos, os pirados, os dependentes químicos, vagabundos e desencantados, os sem porra nenhuma que sobrevivem nas ruas do mundo agora são protagonistas de um show macabro.
Li aqui que dois sacanas que sacam bem os baixos instintos dessa nossa escrota raça humana estão ficando milionários explorando as mazelas desse povo. Os bichos fizeram um vídeo chamado Bumfights, qualquer coisa como Lutas de Vagabundos, que mostra um grupo desses indigentes lutando entre si, rachando a cabeça contra cartazes nas paredes ou arrancando seus próprios dentes com uma torquês, como se fossem pregos, na frente das câmeras com direito a risadas do câmera. Tudo isso por umas mirradas merrecas. Uma vil e despiedosa tortura.
Diz que ainda tem um segmento chamado Bum Hunter (Caçador de Vagabundos) que mostra um sujeito vestido de safári e que sai de noite em busca desses coitados e quando surpreende um dormindo amarra seus pés e braços e tapa sua boca com fita adesiva. Um horror parecido com o que já fizeram por aqui com índio e mendigo, só que aqui com a extrema crueldade de tostar no fogo aqueles desvalidos.
Tem quem faça isso e filme pra vender ( e tá vendendo uma barbaridade nos Estados Unidos e Inglaterra) e tem quem compre pra curtir. Aí é que minha descrença nessa insensata e dita raça humana aumenta. E me pergunto cá se algum dia a gente será capaz de abolir definitivamente os resquícios de instinto animal que nos persegue, esse que tá inoculado no nosso sangue como herança maldita e que vem desde quando a gente era um bicho puro, violento, sem as nuances domesticadas de hoje.
Pra mim tá é longe o dia desse instinto ser domado.
terça-feira, junho 18, 2002
sábado, junho 15, 2002
Translação
Parece que o meu ponto de equilíbrio, aquele de gravidade, fica é fora do eixo normal, como o dos malucos e de outros detonados da vida. Esses estão sempre de pé, o mundo é que se desordena e sai de órbita, embirutece.
Percebi isso hoje quando pensei que estava de ponta cabeça, no chão, e estava mesmo era de pé, no ar. E nesses tempos de bolas sendo chutadas pra todo lado dei um chute na tristeza que insistia em ficar perto de mim.
sexta-feira, junho 14, 2002
Caminhos
Todo ponto tem o seu ponto invertido que a ele se contrapõe. No caso da euforia seu contrário é quase sempre aquilo que desaponta. E a distância que separa cada um dos contrapontos pode ser longa ou não, depende de quem percorre.
Embora eu pareça um atleta da desilusão, não consigo vencer essa distância tão rápido como alguns conseguem, mas sempre chego, e tem vez que chego inteiro, noutras me quedo estropiado. Talvez seja porque pra mim esses caminhos nunca são iguais, sempre mudam, e pros outros sejam sempre os mesmos.
Penso que sei distinguir agruras verdadeiras de coisas fantasiosas e tenho a exata noção que a mistura desesperada das duas pode pirar e pifar o quengo de muita gente. Vira e mexe sou tentado a exagerar na mistura. Nunca pirei, mas confesso que aqui acolá saio meio chamuscado.
Parece que hoje eu fiz mais um desses percursos entre contrapontos e não cheguei eufórico nem combalido, apenas triste.
quarta-feira, junho 12, 2002
O meu amor proclamo
Há esse horizonte que não se amplia para além desse círculo estreito que me cerca, dessa sala, desse prédio, desse limite que a mim não me impus e que compulsoriamente teima em se antepor entre mim e a criatura ardentemente desejada. E lá e cá tem as circunstâncias da vida que atam vidas a outras vidas e produzem os laços que prendem e os nós que acocham. O estranho conformismo que resulta disso paralisa o passo, impede o salto e gera as ansiedades, as angustiantes incertezas, as tristezas por não se ter a quem se quer.
Aí o quengo arde, vira geléia, e o coração se aflige e incomodado se impacienta marcando passo. De quando em vez acelera e noutras quase pára. Bandido coração, esse meu apaixonado, descrente de pulsar junto do dela no compasso ou destoado, insinua que devo rumar noutro rumo, buscar aqui ou nas bandas de lá outro coração menos arisco.
E ainda tem o tempo que encurta e vai, e por conta dele, desse funil que se estreita, dessa vida útil que se dissipa, o desalento bate forte feito um exterminador de sonhos e de vontades.
Mas não desisto. As minhas vontades sempre se originam nas entranhas, são viscerais, e quando se incrustam ali dificilmente se abatem. Por isso o meu amor proclamo.
terça-feira, junho 11, 2002
Traducere
Ouvi essa música agora e estranhamente me vi traduzido nela. Deve ser porque o meu coração é bobo mesmo. De qualquer jeito taí pra rapartir com outros bobos corações.
Meu coração tá batendo
Como quem diz não tem jeito
Zabumba, bumba esquisito
Batendo dentro do peito
Teu coração tá batendo
Como quem diz não tem jeito
O coração dos aflitos
Pipoca dentro do peito
Coração bobo, coração bola
Coração balão, coração São João
A gente se ilude dizendo
Já não há mais coração
(Coração Bobo - Alceu Valença)
segunda-feira, junho 10, 2002
domingo, junho 09, 2002
sexta-feira, junho 07, 2002
quarta-feira, junho 05, 2002
Imperfeito
Pode até ser mais um desses meus descabidos delírios heréticos, ou ignorância mesmo, mas digo cá, correndo o risco de ser trucidado pelos estetas e filosofeadores, que a perfeição não existe. Nem nas coisas do comportamento onde é só uma exaustiva busca, nem nos baratos da beleza onde é só um eugênico sonho tolo. Mas tem quem se considere perfeito.
Felizmente a imperfeição se revela nas ânsias dessas procuras, e no acasalamento que resulta das querenças, seja de bicho ou de gente, dois imperfeitos têm muito mais chances de imbricação que dois pretensos perfeitos perfeitos, ou um de cada modalidade.
Pois sim, tô mesmo é proclamando aqui a minha assumida imperfeição.
terça-feira, junho 04, 2002
Gol
Nessa coisa de futebol, como no resto das coisas, o povo que tá envolvido adora complicar. Essa overdose de jogos tá me deixando zonzo de tanto ouvir as mirabolâncias táticas dos técnicos e críticos. Não manjo muito desse metiê, mas me parece que se se tem algum talento pra chutar uma bola esse ofício é até simples. As táticas é que atrapalham.
Me lembrei de uma tirada de Gentil Cardoso, um desses sábios das areias deste nosso imenso patropi, que dava uma lição singela pra esse esporte e que vale pra vida: quem pede tem a preferência, mas quem se desloca recebe. Simples, né?
Agora, se eu fosse técnico de futebol seguiria essa filosofia aí e mandaria atacar em xis e defender em ziguezague.
sábado, junho 01, 2002
quinta-feira, maio 30, 2002
Casulos
Nesse embate das palavras nem todas elas são ditas, falta sempre aquela única que puxa a ponta do laço e desfaz qualquer amarra. Eu cá, desesperado, já disse a minha umas tantas e penso que escapuli dessa minha casamata. Ela dá sinais de impaciência mas não diz aquela uma e fica ali acoitada dentro da própria trincheira.
quarta-feira, maio 29, 2002
terça-feira, maio 28, 2002
segunda-feira, maio 27, 2002
sábado, maio 25, 2002
Asas da paixão
Nunca sei se cada espaço que se abre em minha frente é planície ou precipício. Mas o meu falho instinto mesmo assim me impulsiona, empurra e me convence a encarar como se nada nesse mundo fosse movediço. E pra não cair logo de primeira nessa imensidão desconhecida invento vôos, e no meio deles quase sempre minhas asas são tolhidas por outrem ou por mim mesmo, e quando isso ocorre invariavelmente eu caio e me espatifo seja esse espaço uma campina plana ou um abismo.
sexta-feira, maio 24, 2002
Puxa-estica
Se tem pragas que infestam essa net, uma das piores é esse porrilhão de mails que pintam na caixa postal da gente querendo vender de um tudo. E mesmo que você não denuncie que necessita ou quer, os sacanas empurram de qualquer maneira. Imagino que as propagandas de produtos específicos pra cada um dos sexos, como esse que me ofereceram agora, devem emputecer mais pois são encaminhadas indiscriminadamente pra pessoas que têm nome comum a homem e mulher como por exemplo, Juraci, Lindomar ou Francimar
Taí a que me mandaram e devolvi na hora aompanhado de uns impropérios:
( não vou dar essa colher de chá pra eles pondo o nome aqui) ® é um equipamento que promove tração no membro masculino, forçando o aumento do número de células (mitose) em toda a região tracionada, com o conseqüente aumento do tamanho, da espessura, bem como da correção das curvaturas (Doença de Peyronie), curvatura congênita do pênis.
Depois de tascar um blablabá quase sem fim sobre as maravilhas do método e da aprovação por urologistas do mundo inteiro, e de dizer que não vende em sex-shops arremata:
É um aparelho pequeno, que pela sua discrição e comodidade pode ser utilizado caminhando, conduzindo, sentado, ou seja, pode usá-lo e, ao mesmo tempo, levar uma vida normal. (...)/ tem sido utilizado por milhares de homens que avalizam os resultados deste método, com um alongamento médio aproximado a 5 centímetros tanto em estado ereto quanto em flácido e um engrossamento de 1 centímetro. (...)/ pode ser utilizado durante 9 horas ao dia, com pouca tração, ou então durante 3 horas ao dia com maior tração, durante um período de 4 a 12 meses. Não é necessário que as horas de uso sejam contínuas, (...) Os resultados são para toda a vida, e já desde o primeiro mês o crescimento é visível. Este tratamento não é doloroso; não existem efeitos colaterais e não diminui a potência sexual, ao contrário, favorece e melhora a ereção.
Pois sim. E deve ter quem se arrisque. A obsessão de boa parte do macharal por uns milímetros a mais ali, parece ser milenar, e deve ter lá suas recônditas, e quem sabe, infundadas e furadas razões de querer agradar a fêmea somente por aí, na base de centímetro ou polegada. E não difere muito da de considerável parte do mulheril que deseja diminuir um tantico aqui ou dilatar um tantão acolá, na base do bisturi ou silico.
E isso não é de hoje. Há relatos antigos e atuais de coisas absurdas feitas, principalmente pelos homens, pra dar um trato nos possuídos, mesmo que isso dilacere ou mate. Recentemente li num jornal que um jovem de Salvador aplicou silicone industial no seu na ilusória esperança de inflar o bicho. O resultado foi uma necrose generalizada. Vai perder a dita macheza, e talvez até pire. Esconjuro!
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