quarta-feira, maio 30, 2001


Dois dedos de papo-mais-ou-menos-cabeça (argh).
(Ou xô, mea culpa)


Assim, nas coisas das psicanálises, tô em estado bruto, nunca fiz análise. Pra amaciar e polir meu comportamento tentei me lapidar na marra, buscando entender meus grilos. Foi.

Minha referência nesse campo não é Freud, é Jung, um maluco beleza, um cara que levou até às ultimas conseqüências o que pensava e que morreu doidão, com a pele explodindo, literalmente. Tem também Marcuse (que tá sendo ressuscitado agora) e Lacan. Ainda tem o Marx, pra baldear o coreto, com seu método dialético, que se chocava com os outros métodos, mas que ajudou muito para entendimento do tal eu coletivo, essas coisas. Uma contradição! Esse foi o caldo de cultura, com ingredientes antagônicos (o Marcuse tentou contemporizar, juntando tudo num mesmo saco), que me alimentei pra aliviar minha alma, meus pecados, minhas culpas e todas as coisas afins.

Penso que imputarmos a nós mais culpas do que as que realmente temos. É uma sobrecarga desnecessária. Creio que a origem desse onipresente sentimento de culpa se deve a nossa ocidental civilização cristã que incutiu, desde há muito, em quase todos nós, um receio permanente de pecado rasgado, em quase tudo que fazemos. Lembro da época em que estudei o catecismo prá fazer a primeira comunhão. Tinha lá uma reza que dizia mais ou menos o seguinte: perdão Senhor, se pequei por pensamentos, omissão, palavras e obras. É mole? A gente já entrava derrotado, sem direito a uma mísera fantasia