quarta-feira, fevereiro 28, 2001


Porque tudo de amor e amar
que aqui expresso
é a você que se destina.
Coisa que só um coração doido
se obstina.

À Deriva

Não me tome como bússola
pois é comum me perder
em cada mar que navego.
Não me tome como âncora
pois nem a mim me preservo
e quase sempre naufrago
nas águas de cada porto,
na beira de cada cais.

Todo blog é uma obra aberta e por isso mesmo comporta erros, acertos e principalmente consertos.

Longe, perto, logo ali. Foi lá que me refugiei desse carnaválico fuzuê.

sexta-feira, fevereiro 23, 2001


Sem confete

Nos próximos dias as perspectivas
para muitos são totalmente etílicas.
A mim só apetecem as puramente idílicas.

Philosophia

Engana-se quem pensa
que há erro ou acerto absoluto,
ou que um é o contrário do outro.
Na verdade os dois se complementam
na busca constante do equilíbrio
que embora pareça um ponto fixo
balança mais do que balançam
os corações desesperados.


Traduzir-se

Qualquer dia
te traduzo pelo tato
que é a forma mais precisa
da tradução literal

quinta-feira, fevereiro 22, 2001


Bagunçar

Só esperança
sem um tico de lambança
também cansa.



Dói

Novo conceito na praça, espalhado pela funkaria desvairada: a mulher calipígia, bunda de tanajura, cabeça de alfinete, que chama a si mesma de cachorra, e diz que tapa de amor não dói.

terça-feira, fevereiro 20, 2001


BANZO

A mim não me escrevem as mina, e fico cá feito um Ulisses às avessas: em vez de Penélope é ele quem espera.

A birra

Tem gente desse povo,
desse mais novo,
que não distingue
uma galinha
de um ovo

A contrapartida

Tem gente nova
desse povo novo
que põe sem esforço
os mais antigos no bolso

segunda-feira, fevereiro 19, 2001


Não dá pra maneirar

Tem gente que acha
que exacerbo no verbo
que sou intenso e exagero.
Eu já acho que o que digo
é muito pouco, quase nada
e não alcança o que eu quero

domingo, fevereiro 18, 2001



Paladar

Quente ou natural,
com gelo ou gelado,
tem sempre quem goste
de um jeito ou do outro
porque felizmente
cada qual é um
e o paladar
também é diferente.

sábado, fevereiro 17, 2001

Perspectiva

Todo astral é baixo se a altura de onde se olha não for alta

sexta-feira, fevereiro 16, 2001


Sapientia

por bem
ou por mal
sempre se pergunte
mesmo que a resposta
seja uma bosta
ou mesmo fatal

Uma do Cardenal


o Ernesto, aquele padre-poeta da revolução nicaraguense. O bicho amava que só. Olhaí:


Al perderte yo a ti tú y yo hemos perdido:
yo porque tú eras lo que yo más amaba
y tú porque yo era el que te amaba más.
Pero de nosotros dos tú pierdes más que yo:
porque yo podré amar a otras como te amaba a ti
pero a ti no te amarán como te amaba yo.


quinta-feira, fevereiro 15, 2001

Somos todos iguais


Taí, a ciência acaba de destrinchar certas humanas manias mais comuns em ratos e vermes. Pois sim, é que nosso parentesco com esses bichos é muito mais próximo do que a vã ciência imaginava. O genoma humano mapeado revelou que os nossos genes não são muito diferentes dos deles. Genomas comparados e pimba, surpresa assombrosa: só míseros três por cento nos separam, o resto é tudo igual. Quer dizer: somos em noventa e sete por cento igualzinhos a mickeys e minhocas.

Pra que tanto orgulho, hein?

Talvez agora se expliquem também certas posturas humanas na política e no cotidiano. Eita!



Regalo

Sendo-se um só
improvável ser como par
porque um sozinho
não faz
o que um par
é capaz

Permeia

Nesse jogo que se joga
com palavras ou sem elas
com juízo ou fora dele
é preciso estar atento
pra que nada se lhe escape.
Pois tá tudo nas entrelinhas,
o que se disse e não disse
na adjacência do dito.

quarta-feira, fevereiro 14, 2001



"tem jeito não..." disse Deus

Dessas mulheres


Essa mulher Juana Ramírez de Asbaje, nasceu no século 17, no México, em 1651 e só viveu até 1695. Pode?

Filha ilegítima, nascida numa aldeia chamada Neplanta se mandou pra cidade do México muito cedo. Não se sabe por que se enclausurou primeiro num convento de carmelitas, de onde saiu renunciando e entrou noutra ordem e ficou lá até morrer. Uma religiosa que escrevia poesia profana, com o nome de sor Juana Inés de la Cruz. Uma mulher, uma poeta do caramba! Taí embaixo uma.


Detente, sombra de mi bien esquivo,
imagen del hechizo que más quiero,
bella ilusión por quien alegre muero,
dulce ficción por quien penosa vivo.
Si al imán de tus gracias, atractivo,
sirve mi pecho de obediente acero,
¿para qué me enamoras lisonjero
si has de burlarme luego fugitivo?
Mas blasonar no puedes, satisfecho,
de que triunfa de mí tu tiranía:
que aunque dejas burlado el lazo estrecho
que tu forma fantástica ceñía,
poco importa burlar brazos y pecho
si te labra prisión mi fantasía.


terça-feira, fevereiro 13, 2001


Gente louca feito vaca
(guerra da vaca louca)

Tanta gente, mais que vacas. Vários motivos, nenhum relevante.
Pessoas sensatas falando de guerras disso e daquilo. Xenofobia vaqueira.
Pois sim, lá e cá, apenas duas imensas vacarias

sábado, fevereiro 10, 2001


Réplica

Uma manhã clara, sol sobrando e invadindo tudo. Isso alegra e ajuda a espantar muitas coisas, inclusive as agruras do amor, que sem dúvida dói. E é uma dor que dói de um jeito renitente.
E assim como o amor, não se doma fácil a luz. Não há gaiolas pra luz. Ela vaza pelas brechas, escapole pelas frestas e vai e ocupa tudo.

sexta-feira, fevereiro 09, 2001


Das duas, uma

Uma me jubila placidamente num suave escamoteio
e me empurra inelutavelmente prum platônico querer.
A outra, vulcão ebulindo, me atrai como ímã
e me empurra prazerosamente prum físico desejo.

Do balacobaco

Parece que no meu tempo
as mina e os mano se regalavam mais.
Da foda com arte à arte de ser.

quinta-feira, fevereiro 08, 2001

Artificial

Numa revista uma moça, toda orgulhosa, espalhava contente, ter posto em cada peito 300ml de silicone, equivalente a uma lata de coca-cola em cada um, dizia. E serelepe não emitiu um pio sobre possíveis futuras consequências. Nem aí pra isso.

Conceito

Na onda do silico
peito agora se mede
é por litro.

terça-feira, fevereiro 06, 2001

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Tem gente que ama tanto, que às vezes se desfaz,  feito éter no ar.
Penosamente se recompõe juntando cada caco a cada passo. Ao se recompor fica a sensação que alguns pedaços se perderam.
E fica assim: como se fosse um traço apenas tracejado.

sábado, fevereiro 03, 2001


Dúvida

(...)''ano passado morri, mas este ano não morro"(...)

ano passado passou?

sexta-feira, fevereiro 02, 2001

Álibi

Ela diz que me ama
e me fustiga
como quem belisca.
Diz que não me conhece
mas intui como quem tem premonição
e me ler por dentro
e pelo avesso tambem

Desideratum

O que move montanha não é a fé, nem tampouco o sentimento de culpa, como era a convicção daquele Freud lá e de tantos outros freuds precedentes. Minha convicção me leva a crer que o que move montanha mesmo é o tesão.

Forumbático

Nem Davos nem Porto Alegre.
O melhor foro é mesmo o íntimo.


quinta-feira, fevereiro 01, 2001

Taste

Sabor de ti.


Gasoso

Cansa ser líquido e certo o tempo todo.
Há que ser sólido e incongruente, como todo mundo.


Siririca

Flagrou-se fazendo sexo tântrico
e teve delírio orgásmico em língua estranha,
presumivelmente sânscrito.
Tudo muito táctil, tudo muito lúdico.