Parir
O Grito - Munch, Edvard
Já parir-se a si mesmo não é ato nem é fato mas uma necessidade da raça humana, requisito pra adaptação e não carece ser fêmea porque qualquer gênero já vem apto, pronto pra elaborar dentro de si o ser que se quer ser. Esse parto é doloroso e não tem prazo e pode se repetir quantas vezes se precise.
Sucede que muitas vezes o ser que daí redunda surge fragmentado em mil nacos ou muito mais e então leva o resto da vida tentando juntar os cacos, renascendo outras vezes. Quando não consegue, pira. Porém tem uns que se parem prontos, inteiros, quase completos, faltando poucos retoques. Mas seja lá que tipo for, nascendo-se inteiriço ou fracionado, essa parição provoca um grande grito porque a dor é na alma.
