terça-feira, maio 22, 2001


Eu sou é ridículo

Vez por outra sou herético assim nas coisas da fé, das ciências e até das gramáticas. Nem é por birra não. É mais provável que seja por deficiência de conhecimentos mesmo. Ou então por conta de um traço comum a todos os componentes ancestrais e descendentes da minha estranha família: uma prazerosa mania de contestar, uma coisa genética, uma dificuldade de engolir dogmas a seco.

Pois sim. Todo esse blablablá aí em cima só pra dizer que não concordo com os gramáticos que querem nos fazer crer que amor seja um simplório substantivo abstrato. É claro que é mais que isso. Um reles substantivo abstrato não teria fôlego pra nos transformar em ridículas criaturas, como pensa também aquele povo das impertinências dialogadas, e como bem disse Fernando Pessoa/Álvaro de Campos "todas as cartas de amor são ridículas/ não seriam cartas de amor se não fossem ridículas/ (...) Mas, afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas".