segunda-feira, maio 28, 2001


Frágil como gente

A matriz de onde os viventes derivam é que nos torna frágeis assim. Essa tênue composição de água, de sal e sangue, de pele, osso e tutano nos limita. Aí a gente respira e transpira, engole poluição, desaforo e outros bichos, e tosse, grita e esperneia, tem alegria, orgasmo (às vezes também não ), emputece, fica triste, mata, esfola e ressuscita esperanças muitas vezes num só dia. E no final dessa cotidiana batalha tanto se pode tá legal como exausto.

E ainda tem as tais idiossincrasias, os temores, os medos e o torpor. Mas há que se enfrentar esses babados, ou então se morre de véspera, olhando pro próprio umbigo numa inação solitária, numa triste e voraz consumição. Não dá pra ficar rodando, dando voltas infinitas, seguindo o mesmo roteiro, que nem boi de bolandeira.

E é por aí, mudando esse roteiro, inventando novos trilhos que se engabela a mesmice. Pois é. Mesmo com todas essas limitações é gente mesmo que eu quero ser. E haja emoção!