sexta-feira, junho 27, 2003
Desaparição
Dentre as sacanagens que a natureza apronta pros efêmeros viventes, a morte é mesmo a mais escrota. Ontem se foi um parente próximo com que eu tinha imensa afinidade.
Daí concluo cá que só o tempo tempera os nervos da gente pra suportar as perdas definitivas, porque as outras, essas pequenas perdas diárias que todo mundo tem é só um treino. A vivência é que encaliça nosso quengo e alma.
Ainda assim percebo que povo novo e povo antigo sofrem igual nessas horas.
terça-feira, junho 24, 2003
Pentelhos, pintura e rigor acadêmico
Uma curiosa criatura, amante e fuçadora assim das coisas da pintiura, escreveu pra cá dizendo que remexendo nesses meus mixos e desordenados posts encontrou uma referência sobre a influência do estrepitoso e indigitado Jules-Etienne Bover na origem do fauvismo.
Segundo ela, deconhece o tal e o fato. Confesso que eu também, mas asseguro que é verdade e dou crédito a uns felas das bandas de lá que me contaram essa e outras bebendo uns vinhos e comendo uns queijos naquelas noites frias.
O post publicado aqui em 16/10/2001, é esse daí embaixo:
Pentelhos
Nas artes, nos jeitos e nos trejeitos a França sempre foi imbatível. E sempre criou e exportou moda, inclusive nos costumes. E foi lá que surgiu, por volta de 1750 a moda de enfeitar os pentelhos do mulherio com muitos laços de fitas coloridas, numa profusão de cores que transformava os púbios pêlos em pequenas obras de arte.
As fidalgas européias logo aderiram, o que provocou o surgimento de um profissional sofisticado: o enfeitador de boçanha. Jules-Etienne Bover se destacou nessa estranha arte e ficou conhecido como Juju dos Laçarotes.
O macharal delirava com a moda nova, não tanto pelos efeitos artísticos e estéticos dos laçarotes, mas com a excitante brincadeira de desatar, um por um cada laço daqueles.
A coisa era tão inútil que a moda não durou muito. Juju tentou ser pintor e só pintava pentelhos em primeiro plano. Fracassou nesse novo metiê mas deixou um legado pra uma geração que apareceu 150 anos depois e inventou, baseado nos traços do tal Jules, o fauvismo, aquela técnica de pintura em que as pinceladas parecem fitas coloridas fundidas.
Difícil essa moda voltar assim nos dias atuais porque as mulheres mudaram muito. Mas se houvesse um revertério e por acaso voltasse, encontraria uma dificuldade: espaço pra pendurar os laços. A depilação que avançou das virilhas pro centro acabou com essa possibilidade e transformou aqueles antigos capinzais em estreitas, primorosas e delicadas fileiras de pêlos que mais parecem nervosas taturanas.
domingo, junho 22, 2003
Ciência na arte
Esse cara, o inglês Eadweard Muybridge (1830-1904), tinha obsessão por movimento e precisão. Fotografava como quem tinha orgasmo, e gozava em cada clique. Suas fotos sequenciais davam a ilusão de movimento quando dispostas em fila assim, rapidamente.
Foi precussor dos irmãos Lumière com seu cinematógrafo. Pois sim, o bicho foi também um dos pais do cinema. Veja um pouco da sua arte aí embaixo e delicie-se com o seu delírio aqui.



terça-feira, junho 17, 2003
segunda-feira, junho 16, 2003
Rusticana

O vaqueiro, esse que ainda remanesce aqui e acolá no sertão e toca bois pelas caatingas é rude e rústica é sua poesia cantada em forma de aboio. A metáfora é dura, sem sutileza. Boi no chão é boi no chão. Quando canta e o canto se refere a mulheres sempre erotiza, reduz a dureza mas mantém a crueza.
Ouvi da boca de um, semana passada, nas quebradas do Nordeste essa aí:
A menina quando nasce
traz um passarim com ela
quando novo é pelado
quando véi se encabela
pra amolecer nervo duro
é mió do que panela
sexta-feira, junho 13, 2003
terça-feira, junho 10, 2003
segunda-feira, junho 09, 2003
Edipiana
Altivos, emparelhados, de justa forma e volume, no tamanho que apetece à mão que se entorta em concha e preenchem a exata medida dessa concha. Sensíveis a leves toques de dedos, de lábio ou língua, estremece com igual intensidade quem é tocada e quem toca. Seios são assim, mistérios que nenhum macho destrincha.
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