quinta-feira, novembro 28, 2002
segunda-feira, novembro 25, 2002
quarta-feira, novembro 20, 2002
terça-feira, novembro 19, 2002
Eles lá e nós cá...
Faz tempo que a chamada e dita elite deste patropi além de chupar o sangue da patuléia ainda esculacha e assegura que há uma crônica incapacidade desse povaréu brabo, cheio das manemolências, desnutrido de proteína e miolo, se desenvolver, que nem fez aquele tinhoso Joaquim Murtinho, Ministro da Fazenda de Campos Salles (1898-1902), quando escreveu isso aí:
Não podemos, como muitos aspiram, tomar os Estados Unidos da América do Norte como tipo para nosso desenvolvimento industrial, porque não temos as aptidões superiores da sua raça.
A tal de Fome Zero proposta pelos vencedores de plantão, nem pensar:
Seria contra os princípios de justiça proteger os ineptos, os imprevidentes, os viciosos, com o sacrifício dos que lutam, que se esforçam.
O gaiato defendia o arrocho fiscal, a recessão, a austeridade e o desemprego... pros outros, já que ele, imbricado com o poder, conseguiu concessões graciosas pra explorar minas de ouro, ferrovia e outros rentáveis negócios, a ponto de encher as burras e se tornar o cara mais cheio de grana no país, no tempo dele.
Solteirão inveterado era chegado a uma sacanagem, circulava pelas prostitutas de luxo do Rio e, segundo se diz, até mandou cunhar a estampa de uma delas, a disputada madame Prates na nota de dois mil réis.
Fornicava com Laurinda Santos Lobo, sua sobrinha e amante, pra quem mandou construir um palacete em Santa Tereza, de onde ela comandava a sociedade carioca com festas pros bacanas e era chamada de marechala da elegância.
De fato, se o povo de cá tivesse mesmo outras aptidões já teria apeado esses malandros do poder há muito tempo. Ora, pois.
(Esses instrutivos babados, e muito mais malandragem conforme informa o jornalista Elio Gaspari, serão contados num livro escrito pela pesquisadora Hilda Machado, da Universidade Federal Fluminense chamado "Laurinda Santos Lobo - Mecenas, artistas e outros marginais em Santa Teresa", que será lançado em dezembro.)
sexta-feira, novembro 15, 2002
quinta-feira, novembro 14, 2002
Delicado afago

Ela é que nem um vulcão incontido e expele pelas palavras o magma do seu âmago que, vez por outra, sai quente-amargo, mas quase sempre vem mesmo é meigo-aconchegante. Por isso, e pelo dom de provocar confluências, sou fan dela. E vejam só, ela é que me fez um mimo com esse belo fanart aí em cima. Obrigado pelo afago, Adriana.
terça-feira, novembro 12, 2002
Anjo


(Foto -Emil Schildt)
Dentre os antigos e infantes desejos, um escondido, aquele de ser anjo um dia, com ou sem asas de vastas plumagens, mas um anjo. Menino mais peralta que cândido, vi aquela esperança desemoronar, numa calma tarde, sucubindo juntamente com a perdida inocência entre as fornidas e deliciosas coxas dela.Só uns anos depois quando a mãe da minha primeira filha engravidou me veio a lembrança daquele antigo desejo, e senti uma pueril sensação de ser um anjo engravidador, que nem aquele Gabriel lá.
Mais uns anos pra frente, quando a mãe da minha segunda filha engravidou, e eu já desprovido do velho sonho, senti foi a humana necessidade de trampar dobrado pra sustentar as angelicais criaturas que juntos concebemos.
sexta-feira, novembro 08, 2002
quinta-feira, novembro 07, 2002
Salve Rainha
O dr. Freud, aquele Sigmund lá, talvez tenha acertado quando localizou na infância a origem de tudo quanto é neura nas criaturas. É um período da vida onde tudo se incute e o que é incutido leva anos pra ser processado e dificilmente larga totalmente do juízo da gente.
Lembro que no meu tempo de menino ali no pacato interior onde nasci a fé era ensinada na base do temor a deus e às entidades santas, e lá no catecismo tinha orações que insuflava o medo do pecado, da danação, e a necessidade permanente de pedir perdão pra garantir o reino dos céus. Mas mesmo assim os apelos do pecado carnal e dos outros todos eram mais fortes que o temor de ir pro purgatório ou inferno.
Ademais, pra amenizar tinha uma reza que quando a gente rezava dava a nítida sensação que acabava toda aquela aflição de pecador e deixava cada um zerado nas transgressões ao divino e liberado pra cometer mais pecados antes de passar num confessionário e receber as penitências.
Parece que perdi a fé, ou grande parte dela, mas nunca esqueci da bela oração que aliviava meu temeroso e atormentado coração de menino:
Salve Rainha, Mãe de misericórdia,
vida, doçura e esperança nossa, salve!
A vós bradamos os degradados filhos de Eva.
A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas.
Eia pois advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei.
E depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto de vosso ventre.
Ó clemente ! ó piedosa ! ó doce sempre Virgem Maria!
quarta-feira, novembro 06, 2002
Guerra sem fim?
Há quem veja nas naturais escaramuças entre os dois gêneros da nossa desvairada e humanóide espécie encarniçadas batalhas, e destaque a desigualdade, pra diminuir a mulher, evidenciando as diferenças anatômicas, biológicas e de força física. Uma bobagem. Prefiro ressaltar as similaridades da inteligência e da capacidade que pra mim são do mesmo naipe nos machos e humanas fêmeas.
Salientar imaginárias vantagens em cada qual é exercício tolo de dominação ou baboseira inconsequente.
(Observação: Em virtude do tamanho do desenho que ilustrava este post resolvi deslocá-lo pra longe. Se apetecer ver é só clicar aqui.)
terça-feira, novembro 05, 2002
Fórmulas miraculosas
Ali nos séculos XIV e XV os remédios eram assim, esquisitos, e se não curavam também não se sabia a exata extensão dos efeitos ditos colaterais, como ainda ocorre com os medicamentos de hoje em dia. Tái duas receitas extraídas do livro Palestra Pharmaceutica escrito por D. Félix Palácios em 1706, que compilou o receituário da sua época e dos séculos imediatamente anteriores:
Água de formigas pra levantar o astral e estimular a libido.
AQUA MAGNANIMITATIS; VEL DE FORMICIS
Cogeranse las Hormigas gruessas, y grandes, que se hallen, se querantaran en vn mortero de Piedra, se infundiran en el espiritu de vino dentro de vna cucurbita de vidrio, se tapara, y se pondra en digestion, hasta que todas ellas se ayan casi dissuelto, ò revuelto en licor, entonces se destapara, y se le pondra su cabeza, y recipiente, se enlodaran las junturas, y con el fuego, ò calor del Baño de Arena humedo se hara destilar toda la humedad; en estando destilada toda, se mezclarà con ella dos onças de agua de canela, y se guardara en vna redoma bien tapada para el vso.
Su nombre enseña sus grandes virtudes, ella es muy confortante de todas las partes mas principales del cuerpo, aumentas los espiritus, excitandoles su movimiento, es resolutiva de todos los humores frios, excita la venus, aumenta la semen, resiste el veneno. La dosis es de vna dragma hasta dos.
Água de rã pra dar um trato na pele e serventia variada.
AQUA ROSARUM FLUVIATILIUM
Tomaranse las Ranas de los Rios, se quebrantaran, y echaran en vna cucurbita de vidrio, se infundiran en leche de borrica; y en su falta, de Cabras, o Ovejas, se dexara en digestion doze horas, después se pondra en vn fuego fuerte se hara destilar toda la humedad; después se pondra lo destilado al sol por algunos dias en vna redoma destapada, y se guardara para el vso.
Eshumectante, y refrescante, excelente para las manchas rubias de la cutis, o su encendimiento; es buena para limpiarse la cara lavandose con ella, y para dulcificar las asperezas de la cutis, aplicase con lienços muy delgados: dase también interiormente para los Tisicos, para le esputo de la sangre, para los dolores nefriticos, y para los ardores de la orina. La dosis es de vna onça hasta seis.
La virtud principal de esta agua consiste en vna especie de mucilago, que ha sacado de las Ranas, y Leche, con la qual dulcifica, y suaviza las sales acres de los humores, y causa los efectos dichos; esta se corromperia presto, si no se pone por algunos dias al Sol, para que vna parte del mucilago se rarefazga.
Del mesmo modo se hazen las aguas de todas las especies de caracoles, cangrejos, y semejantes animales; puedense hazer también sin echarles leche, solamente machacandolos y destilandolos, como se ha dicho.
Quem se habilita?
sexta-feira, novembro 01, 2002
Sexus sapientia
Vendo cá um documentário sobre os nossos símios parentes me ocorreu mais uma das minhas costumeiras heresias: o povo das ciências, esse que vasculha e bisbilhota a evolução da inteligência dessa nossa humana raça, tá errado. O pressuposto deles é que essa faculdade que nos diferencia dos demais bichos se desenvolveu a partir das necessidades básicas de comida, moradia e defesa. Na busca dessas coisas aí é que a gente ficou mais sabido pra engabelar o resto da bicharada e dominar o pedaço.
Pra mim isso daí contribuiu pouco. O que pesou mesmo foi o sexo, quer dizer, a sacanagem na hora de mandar ver. A busca pelo prazer cada vez maior no dito intercurso carnal é que forçou nossa espécie a botar os neurônios pra funcionar que macumunados com os hormônios deram os sopapos na incipiente inteligência e o exercício mental pra aprimorar esse jogo do vuco-vuco, descobrir novas posições, partes erógenas, um tal de pega e solta, alisa e beija, funga e lambe forneceu a química necessária pra inteligência prosperar.
E tudo isso começou lá pra trás quando um casal de hominídeos resolveu mudar de posição, aquela de quatro em que o macho pega por trás, e introduziu a ternura nessa relação, até ali mecânica. De lá pra cá não parou mais de procurar possibilidades nem de desenvolver os miolos.
Já os animais todos permaneceram fazendo sexo do mesmo jeito que os primeiros de cada espécie, se contentando apenas com aquele vai-e-vem monótono, numa mesma e única posição talvez instintivamente preocupados apenas com a reprodução da raça. Por isso estancaram, que nem essa macacada que vi hoje na televisão. Né não?
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