sexta-feira, agosto 14, 2015

As bolas de sombra de Los Angeles e as cabaças do Raimundo



As autoridades de Los Angeles preocupadas com a seca que grassa por lá resolveram despejar 96 bilhões de bolotas de plástico no principal reservatório de água dali, ao custo de 130 milhões de reais, no sentido de fazer sombra, e minimizar a evaporação desse liquido vital, assegurando abastecimento por mais tempo, que falta dágua é o bicho. E todo mundo achou que era uma solução engenhosa.

No Ceará, no passado (década de 1970), um deputado sugeriu cobrir os açudes com cabaças, com o mesmo objetivo, e foi ironizado. Pois sim, o nome dele era Raimundo Bezerra, médico, cidadão com preocupações sociais, e segundo dizem, caridoso. O Homem foi prefeito da cidade do Crato, depois deputado estadual e federal, além de secretario de saúde de Fortaleza. Hoje já é finado.

Propôs, quando era deputado, cobrir os açudes com cabaças para reduzir a evaporação da água, que no nordeste sempre foi um bem escasso. Foi motivo de gozação e tascaram-lhe o apelido de "Raimundo das cabaças"

Parece que o homem tava cinquenta anos à frente dos seus ignorantes contemporâneos gozadores.

quarta-feira, julho 22, 2015



A legião de imbecis segundo Umberto Eco


Assim nos conceitos gerais, o povo mais ignaro, esse que não teve instrução formal (por culpa de quem não proporcionou – seja o estado ou a família) é nominado analfabeto. Ok.

Os que tiveram a oportunidade de aprender a ler e escrever, mas são incapazes de interpretar o que leem são conhecidos como analfabetos funcionais. Ok.

E tem os que sabem ler e escrever, até entendem o que leem, mas não se aprofundam nas leituras das letras das filosofias, literaturas e de outras ciências e tudo o mais que consolida uma cuca capaz de discernir, tendem a simplificar tudo, e como tem acesso a internet opinam sobre quase tudo que pinta nessa rede. Esses são imbecis. Ou compõem a legião de imbecis conectados. Ok?

Pois é. É o que se depreende da fala do Eco, o grande Umberto , o cara das semióticas, linguísticas e filosofias, escritor de obras magnificas, tarado pela idade média. Um erudito de marca maior.

Critico do papel das novas tecnologias no processo de disseminação de informação, tascou isso aí quando recebia um titulo de doutor honoris causa da Universidade de Turim lá pelo dia 10 de junho de 2015:

“A mídia social dá o direito de falar a legiões de idiotas que antes conversavam apenas no bar depois de um copo de vinho, sem prejudicar a comunidade. Eles eram rapidamente silenciados, e agora eles têm o mesmo direito de falar de um Prêmio Nobel. É a invasão dos imbecís.”

Deu o maior fuzuê. Concorda ou disconcorda?

(Diga-se, a bem da verdade, que ele fazia, no contexto, a defesa da imprensa profissional, com a utilização de critérios na difusão de informações.)

segunda-feira, janeiro 26, 2015

Nas políticas, nos comércios da fé e noutras áreas
(lembra de algum de cara lisa ou barbudo que se enquadre nessa indagação aí embaixo?)

Se todo malandro é loquaz, qual a probabilidade de todo loquaz ser malandro?

quinta-feira, janeiro 08, 2015

               Mundo medonho


Massacres, carnificinas,
e sucessivas tragedias
dia a dia se repetem
como se fossem banais.
Desde a extinção dos druidas
no inicio dessa era
batizada de cristã,
a coisa não parou mais.

Quanto vale a vida humana
nesse mundo controverso
de muitas rezas e guerras
atentados e degolas
das crueldades das mentes
que impulsionam as balas,
as bombas, facas, espadas
e os apetrechos letais?

Usando gorros ou quepes,
turbantes ou capacetes,
caras lisas, nada ou máscaras,
são todos uns assassinos
do mesmo calibre e naipe.

Mas quanto vale ou valeu
uma vida de um anônimo
nos massacres conhecidos
em Nanquim, em Babi Yar,
na Bósnia e Carandiru,
Candelária dos meninos
em Katyn ou Bagdá,
Nova York, Palestina,
Londres, Paris ou Madrid,
em Fallujah babilônica?

E em tantos outros lugares
em guerras não declaradas
por fanáticos, e não devotos,
milícias, gangues, falanges,
psicopatas, farsantes, trambiqueiros
na política, liderando massa
amorfa, treinada para matar.

Quanto vale a vida humana
nesse teatro de horror
em que o mundo se tornou?
Ou a cada dia se torna
conforme a rosca aperta
e a consciência se perde
da importância da vida
enquanto ela se vive,
como premio,
e não castigo.

Não vale nem um centavo
de dólar, de rublo ou libra
de real de peso ou euro.
A rigor não vale nada
mas deveria valer
a ponto de mensurar-se
com valioso metal,
moeda ou mineral,
a vida de uma pessoa?

Neste  confuso mundo
de fés cegas, insensatas,
de ruas abandonadas,
de violências gratuitas,
de bandidos comuns,
outros tantos de gravatas,
mais alguns que se escudam
em santos livros sagrados
cujas doutrinas deturpam
e se não se pensa igual
pode-se ser sacrificado
taxado de infiel
em nome da divindade.

Coletiva ou solitária
tem sempre a mesma vertente
a desmesurada matança.
E é do ódio que ela nasce
e o ódio se multiplica
sempre que se atiçam as almas
nas desavenças das crenças.

E neste mundo desumano
quanto, afinal, vale a vida?
Parece que vale tanto quanto vale
a merda que o gato enterra.








domingo, janeiro 04, 2015

Os companheiros no século XIV 


Jean Froissart, foi, provavelmente, o mais famoso cronista francês da idade média. Nasceu em 1337 e faleceu por volta de 1410. Mercador, e depois clérigo, poeta reconhecido, porem ficou conhecido mesmo foi por suas cronicas (Chroniques) no tempo que serviu Filipa de Hanaut, esposa de Eduardo III, da Inglaterra. Elas têm valor histórico e são referencia pros estudiosos das eras antigas e de agora.

Taí uma, onde relata malfeitorias dos companheiros de antanho, ali, no século XIV .

"No tempo que governavam os três estados, começaram a levantarem-se uns tipos de gentes que se chamavam companheiros e que saqueavam a todos que levavam cofres. Digo que os nobres do reino da França e os prelados da santa Igreja começaram a se cansar da empresa e da ordem dos três estados. Deixaram atuar o preboste dos comerciantes e alguns burgueses de Paris, mas intervinham mais do que desejavam.

Sucedeu um dia que o duque da Normandia estava em seu palácio com grande quantidade de cavaleiros e o preboste dos comerciantes reuniu também grande quantidade de comunas de Paris que eram de sua seita e de seu partido. Todos levavam gorros iguais para reconhecerem-se. (...)

(...) Com grande acrimônia requereu que se ocupasse dos assuntos do reino e mantivesse conselho, de modo que o reino que devia herdar estaria bem protegido daqueles companheiros que o dominavam, saqueando e roubando por todo o país. O duque respondeu que se ocuparia com muito gosto, se obtivesse sentença de assim fazê-lo, mas que correspondia decidir o que determinava os ditames e juízos do reino.

Não sei por que nem como sucedeu, mas as palavras foram crescendo tanto e tão alto que, na presença do duque da Normandia mataram os três maiores de seu conselho, tão próximo dele, que sua vestimenta ficou ensangüentada. O mesmo correu um grande perigo, mas lhe deram um dos gorros e concedeu perdoar a morte daqueles três cavaleiros, dois de armas e o terceiro de leis. Um deles se chamava meu senhor Robert de Clermont, um homem nobre e muito gentil; o outro, senhor de Conflans, marechal de Champagne e cavaleiro de leis, meu senhor Simon de Bucy. Foi uma grande pena que ali morressem, por falar e aconselhar bem a seu senhor. " (...)

- Tradução do Prof. Ricardo da Costa -