quinta-feira, maio 24, 2001


Fornicação nos tempos da inquisição


Trecho da confissão do Cônego Jácome de Queiróz ao Santo Ofício, feita na Bahia, entre 1591 e 1593 ao visitador Heitor Furtado de Mendonça. Os textos originais das confissões estão arquivados na Torre do Tombo, em Lisboa.

“E confessando-se, disse que haverá sete anos pouco mais ou menos, uma noite nesta cidade, levou à sua casa uma moça mameluca que então seria de idade de seis ou sete anos, que andava de noite vendendo peixe pela rua, escrava cativa de Ana Carneira, mulher do mundo, moradora nesta cidade na rua de Bastião de Faria, a qual moça não sabe o nome, depois de cear e se encher de vinho, cuidando que corrompia a dita moça pelo vaso natural, a penetrou pelo vaso traseiro e nele teve penetração sem polução, e tanto que sentiu que era pelo vaso traseiro se afastou e tirou dela, e isto lhe aconteceu uma vez por seu desatento, como dito tem”....

Assim, pelo vaso traseiro, o pecado era maior e o castigo mais severo. Daí que até se admitia, mas se mentia pra livrar a cara. Dá pra acreditar que entrou "ali" por desatenção?