quinta-feira, novembro 29, 2001
sábado, novembro 24, 2001
Tempo, não-tempo, temporal
Não entendo nada do tempo, mas sei, por ouvir contar, que no espaço o tempo é único mas pode ser relativo conforme a velocidade de quem vai ou de quem volta. E no vai-e-vem dos viventes a impressão que se tem é que o tempo é igual pra cada um e pra todos. E o bicho só é um se for medido por lapso, que é medida conhecida e se compara a um nó porque ele se desata toda vez que se completa subtraindo da vida um quinhão do seu tamanho.
Pros amantes o tempo é outro e a ansiedade é quem mede, pode correr ou parar, e na espera não passa, e na chegada dispara. Mas pra mim, como o meu amor tá longe, o tempo só me azucrina nas formas todas que tem.
quinta-feira, novembro 22, 2001
quarta-feira, novembro 21, 2001
Pra filhota
Um amor diz que é mimético, outro diz que é anti-isso. Enquanto um se adequa e se encaixa, o outro alopra e se rebela porque um é amor-amor e outro é filha-amor. E se uma me quer carnal e mais, a outra só teme perder o pai.
Dois modos de amor e nenhum dos dois é banal. Pra o amor é o amor, e pra filha é o amor-de-pai. E um até pode acabar, mas o outro jamais se esvai.
sábado, novembro 17, 2001
Na espreita
É lá, onde se dão os ajustes do rumo da vida de cada um que as bandas que habitam dentro de nós se digladiam e dão pinotes e fazem um ruge-ruge danado. E já tá com alguns dias que as minhas não se aquietam, ora se acalmam e logo se exasperam e tornam a serenar. Me seguro porque sei que nessas épocas de muda não se pacificam fácil. Ficam se engolindo até que o rumo se defina.
No meu caso fico cá só de través esperando sossegarem pra que assim mais tranqüilo eu possa botar minha vida em minha mão, e dar a ela certo sentido, algum prumo e direção.
quarta-feira, novembro 14, 2001
terça-feira, novembro 13, 2001
segunda-feira, novembro 12, 2001
Mais que arco, mais que círculo
Esse povo que calcula formas redondas e retas, agudas e obtusas, pontos que nunca se encontram, outros que só se tangenciam, esse da geometria, afirma e até prova, que distância pode ser longe e também pode ser perto. Diz que se eu sou um extremo e você a outra ponta e se a lonjura aumenta ela então tende a arquear-se e as pontas se aproximam. E assim nós dois em arco embora pareça longe na verdade estamos perto, e o arco que nos sustenta é mais forte que uma reta e tudo isso se comprova pela tal lei que regula a compressão.
Pro povão que não calcula, não conhece aritméticas nem tampouco geometrias, e também não acredita que toda reta é uma curva, no amor é diferente e distância é légua muita, e tá longe é tá distante, e não tem arco no mundo que sustente um amor cujas pontas não se não se toquem e se transformem num puro e perfeito círculo.
E nesse confronto entre heresias e ciências fico cá entre convicto e perplexo. Mas creio que essas pontas estando num arco ou círculo pouco importa, nem também isso explica as contradições do amor que pra se manter aceso precisa mesmo é de amor.
domingo, novembro 11, 2001
sexta-feira, novembro 09, 2001
Teses ( e os perigos imanentes...)
Nas coisas assim das idéias, nessas das filosofias e também literaturas tudo que é tese me engasga, não passa pelo gogó, e a que passa rumino e em seguida expilo pra não ficar nem vestígio, porque tese contamina que nem bacilo ou vírus e se a resistência for baixa ela fode em silêncio o que de seu você tem.
Um fato... ( real? comprobatório?)
Foi o que se deu com aquele lá, aquele que aos 19 além de pirar broxou de tanto citar os outros, de contemplar, repetir. E era salteado e de cor que até sua firme alma se quedou abilolada. Empanzinou-se nesse farto e falso banquete das teorias e modismos que é onde se enterra e ressuscita cada ideia e quem a pariu. Só falava o que um já tinha dito e mais-não-sei-quem falou, dava logo a referência acompanhada da síntese.
E nesse parangolé o bicho trincou o juízo, ele não era mais ele, perdeu-se de si e dos outros e nunca mais se encontrou. O infeliz queria ser muitos e terminou sendo nenhum.
Antíteses (exercício de alomorfia...)
Gosto das idéias instigantes, das filosofias e literaturas, cito e faço referência. O conhecimento humano evoluiu foi por aí. Considero os tesistas militantes e os avulsos também. E particularmente as teses daquela moça me instigam sempre, e aprecio fundamentalmente as hipóteses que ela desenvolve sobre mim.
quinta-feira, novembro 08, 2001
quarta-feira, novembro 07, 2001
Singular amor
Sou plural e uno
e nesse uno amo
essa mulher e única
assim feito um insano.
Nela tudo é vasto e tudo pulsa,
tudo é voraz e é obsessivo
e busca em cada palavra a raiz
de tudo que se fala ou que se diz.
E se palavra minha com dela se dissende
é somente por paixão que em nós é muita.
É por vontade de que tudo seja tudo e seja mais
e menos que isso parece deixar um e outro descontente.
Saiba, amor, que quando quero não desisto
nem fujo ao que desejo ou pulo fora com esquivas
e mais que sonho que ilusão ou vã quimera
esse amor é mais e não comparo e prepondera.
terça-feira, novembro 06, 2001
Saga dos desenganos
De tão anônimo é improvável que um dia de mim me contem a saga. E se contarem certamente dirão que amei demasiado, e que foi tanto e que esse tanto quase sempre me fez perder o rumo, a rota exata, o prumo, a noção das coisas e que me expus ridiculamente ao escárnio de sagazes corações bandidos que a mim, sabe-se lá por quais razões, simularam paixões desesperadas. E que por isso muitos foram os desenganos.
Dirão que amei compulsiva e docemente cada mulher como se fosse o último amor que eu pudesse ter. E que amei e tive umas, e que outras nunca tive e que uma dentre todas me arrebatou mais que as demais. Que fui feliz e não, que morri velho e sossegado de morte natural, mas que suspeitam que a verdadeira causa mortis tenha sido mesmo um tal de agudo amor.
Pra completar esse aí de cima taí dois posts antigos republicados agora pelo clima do momento.
À Deriva
Não me tome como bússola
pois é comum me perder
em cada mar que navego.
Não me tome como âncora
pois nem a mim me preservo
e quase sempre naufrago
nas águas de cada porto,
na beira de cada cais.
Pranto
Dia a dia me convenço
que pra lágrimas de amor
é inútil ter lenço
segunda-feira, novembro 05, 2001
Ela
No âmbito das matemáticas toda metade é meio porque elas se compõem de quantidades e grandezas e carecem da rígida exatidão nos cálculos que as determinam, sob pena de tudo desmoronar. E aí nunca tem erro: metade mais meio é um.
Já nas gentes é diferente e o significado é ambíguo, podendo ser esse ou outro, porque gente se compõe de abstratos sentimentos, e em cada criatura o sentimento é diverso, não tem volume nem massa e por isso não se mede nem se pesa e nem se vê. E aí metade com metade pode extrapolar de um, e pode haver tantas metades que somadas não completam nunca um.
E por serem assim amorfos os tais ditos não se enquadram nos rigores dos conceitos das matemáticas e físicas, como esses de espaço, de volume e de massa. Mas uma coisa me encuca. Embora desprovidos dos rigores dessas leis, dois sentimentos de amor, por diferentes pessoas, não ocupam porque não cabem, o mesmo espaço ao mesmo tempo, no meu quengo e também nos de outras criaturas, semelhante ao que acontece lá na lei dos corpos sólidos. E é o que ocorre comigo neste momento e digo que o meu amor é só dela, daquela das palavras ternas e de olhar pidão, que cada vez que eu olho sei que é ela que eu quero.
Tem outras teorias tipo quântica ou tipo caos que podem baratinar tudo isso que foi dito. Mas essa história é outra...
quinta-feira, novembro 01, 2001
Ela tem essas coisas
Ela tem um bichano, bebe, fuma e dança tango. Me deleita com palavras e me regala nas carícias. Tem um cachorro, bebe, não fuma e dança mambo. Faz ginástica, estica o corpo e estira a mente, tem sorriso de contente, diz coisas que me deleitam, faz outras que são delícias. Ela tem outros bichos, dança rock e outras danças e tudo o mais que chamam pop. Não fuma, bebe pouco, tem um olhar que me zera, esse oblíquo de lagarta, daquela mais perigosa. Carrega uns desenganos, anda descalça e a pé, curte ouvir mais do que ver, devora letras e com letras me afaga, tem o segredo do verbo e só falta verbalizar. Ela é meu desejo, meu querer e meu encanto.
E me deixa tão grogue que eu nem sei se é assim. Mas se não for não importa, importa só que me ama.
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