quinta-feira, setembro 18, 2003


Até mais ver


Imerso em nada, este blog não fermenta, embora azede. Também não destila e permanece impuro. Daí que se pra deglutir o bicho já é ruim imagine digerir. Por isso resolvi dar um tranco nele, botar de molho em ácidas misturas e talvez assim ganhe sabor e cheiro, ou estrague de vez.

Enquanto isso ele fica aqui mofando no limbo de si mesmo, apodrecendo ou conservando-se no seu próprio caldo de cultura doido, numa incerta e inútil química, até que novos ventos soprem arejando o ambiente, e uma luz qualquer alumie a escuridão desse marasmo brabo que teima em me engolir.

Qualquer dia eu volto, ou talvez nem volte mais e escafeda pra sempre.


sexta-feira, setembro 12, 2003


Cinema




Depois de muitos anos revi ontem, em vídeo edição especial, Veludo Azul (Blue Velvet), de David Linch, um dos poucos e últimos americanos bons nesse barato de cinema de autor.

E pensei cá que nos tempos de agora parece que o cinema nem balança mais entre diversão e arte, vez que o entretenimento puro já mandou pras cucuias o que ainda restava de arte nessa dita sétima. Não é fobia contra o divertimento, coisa que quase todo mundo aprecia, eu incluso. É só um certo desconforto com a generalizada avacalhação dessa poderosa forma de manifestação artística, essa que tem a peculiar característica de possibilitar síntese com outras artes.

Sei que a grana comanda a lógica industrial desse métier, e até entendo que sem lucro farto o cinema já teria sucumbido; que seria impossível a incorporação dos avanços tecnológicos nos equipamentos de imagem, som e tal. Sei dos blablabás todos, e embora possa parecer, não sou um empedernido defensor do chamado cinema de arte que em alguns casos descamba mesmo é pra chatice.

Tá, pode me chamar de babaca pedante, mas não vou dispensar nunca um mínimo de estética - na forma e no conteúdo - desse povo que faz cinema, na hora da urdidura da história, por mais fuleira que seja.


quarta-feira, setembro 03, 2003

O povo do mundo é pobre

Pode até ser uma arapuca pra tungar otário, já que estão abertos à doação pra fazer umas caridades pelo mundo, mas os cálculos dos sacanas têm lógica matemática e são baseados em dados do Banco Mundial e outras referências sobre população e renda deste apertado mundo.

Pois sim, você põe lá no site Global Rich List o valor da sua abastada ou micha renda anual em dólar, e fica sabendo, com milimétrica precisão, se tá no topo dos bacanas ou no rodapé da miserabilidade mundial. E mais: qual a sua posição relativa em comparação com as demais seis bilhões de criaturas humanas que perambulam por este injusto planeta, e quantas são mais pobres que você.

Se você ganha, por exemplo, um minguado e ridículo salário mínimo brasileiro, sorria, pois mesmo assim ainda vai estar entre os 42% mais aquinhoados, será o indivíduo rico de nº 3.462.942.643 desse mundão ( longe que só do Bill, o Gates, aquele, o Nº 1), e na dianteira dos 2.537.057.357 pessoas mais lascadas que você por aí afora. Pode?

Donde se deduz que tirante os poucos realmente ricos, e um outro tantico mais que consegue ter uma vida confortável, o mundo tá infestado mesmo é de miseráveis, seres que conseguem sobreviver por puro milagre e que ainda acreditam que será deles o reino dos céus.