sexta-feira, setembro 12, 2003


Cinema




Depois de muitos anos revi ontem, em vídeo edição especial, Veludo Azul (Blue Velvet), de David Linch, um dos poucos e últimos americanos bons nesse barato de cinema de autor.

E pensei cá que nos tempos de agora parece que o cinema nem balança mais entre diversão e arte, vez que o entretenimento puro já mandou pras cucuias o que ainda restava de arte nessa dita sétima. Não é fobia contra o divertimento, coisa que quase todo mundo aprecia, eu incluso. É só um certo desconforto com a generalizada avacalhação dessa poderosa forma de manifestação artística, essa que tem a peculiar característica de possibilitar síntese com outras artes.

Sei que a grana comanda a lógica industrial desse métier, e até entendo que sem lucro farto o cinema já teria sucumbido; que seria impossível a incorporação dos avanços tecnológicos nos equipamentos de imagem, som e tal. Sei dos blablabás todos, e embora possa parecer, não sou um empedernido defensor do chamado cinema de arte que em alguns casos descamba mesmo é pra chatice.

Tá, pode me chamar de babaca pedante, mas não vou dispensar nunca um mínimo de estética - na forma e no conteúdo - desse povo que faz cinema, na hora da urdidura da história, por mais fuleira que seja.


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