Esconjuros
A igreja difundiu, por via das necessidades, a noção simbólica e física de demônio e os males que ele é capaz de infundir na alma humana. A ciência, por outras circunstâncias, reformou os conceitos e engendrou o demônio interior abstrato, uma força renitente que vem de dentro e conturba ou excita desmesuradamente sentimentos e paixões de certas gentes.
E pra salvar das agonias as pessoas assoladas por essa desventura ficou assim: de um lado sacerdotes munidos de fé inabalável bradando rezas contidas no revigorado manual De Exorcismis et Supplicationibus Quibusdam (De Todos os Gêneros de Exorcismos e Súplicas), exigindo a imediata retirada do intruso para que se estabeleça a paz definitiva no âmago das infortunadas criaturas possessas. Do outro, os rompe-cucas, os intitulados psi, esses que se ocupam de fustigar, nos divãs dos consultórios, os quadrantes da alma nas busca dos tais demônios, que segundo eles, ela incorpora.
Os métodos são parecidos, os papéis é que se diferenciam: num alguém exorcisa, noutro há a auto-conjuração, mas o objetivo é igual: remoção das demoníacas agruras que deixam uma porção de gente desolada e combalida.
Se você tem lá seus capetinhas particulares e tá a fim de dá uns petelecos neles é só escolher a opção que lhe apetece.
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