quarta-feira, julho 23, 2003

Hipérbole

Suponho cá que só se suporta a vida porque a danada se reparte em bandas, nem sempre iguais, mas certamente opostas. Cada uma parece ter a precípua serventia de área de escape pra monotonia ou sacanagem da outra.

Então presumo que o embate das ditas bandas é assim: de um lado as coisas de araque, que não são vero, as fantasias desvairadas, o alento do sonho esperançoso; do outro a dura lida cotidiana, a rotina massacrante, momentos bons, outros desgastantes. É nessa onde o corpo está presente, age, pulsa, dói e se ressente. Na outra é só a pura e indolor imaginação. Mas é na soma de um naco daqui e outro dacolá desse emaranhado contraditório e belicoso que se vive e que se goza o gozo.

Transitar por uma e outra sem se fixar o tempo todo em uma delas parece ser o segredo pra não pirar.


Nenhum comentário:

Postar um comentário