quarta-feira, janeiro 29, 2003
Fomes
Esse povo que pretende zerar a fome dos famintos do oco do mundo e das cercanias de nós, se empanturra de croquetes, chucrutes, outras iguarias e vinhos bacanas nas sua fartas mesas, dá suas baforadas em legítimos cubanos ou aromáticos fumos finos mas quer proibir as famélicas criaturas de encherem o bucho com o que quiserem lá com os minguados 50 mangos previstos.
Diz-se que vão impor restrições a alguns produtos como certos laticínios, e se não vão permitir que o contingente de miseráveis coma sequer um prosaico iogurte, que dirá melar o bico com um vinho de jurubeba zinabrado ou dar um pitada num fumo brabo de rolo.
E ainda querem que o povo dos cafundós dos cafundós apresente nota fiscal ou recibo da buchada de bode, do sarapatel, da meizinha pra dor de barriga e de outras coisas do gosto e da dieta do povão perdido no meio do mundo.
Essa tutela é descabida, uma tolice que encarece e burocratiza tudo. Melhor deixar o povo escolher livremente o que comer ou beber do mesmo jeito que escolheu os que foram eleitos.
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