2002
2002 foi um ano esquisito aqui e alhures. De formato simétrico, parece um penico chinês com suas asas iguais. Não manjo nada de numerologia, e nem sei se isso tem algum significado, mas não aprecio a perfeição numérica, essa coisa certa e par, porque penso que é na assimetria que as coisas se encaixam.
As bombásticas, quase surreais notícias fizeram daquele um esdrúxulo e doido ano.
Teve pretenso profeta nominado Rael que mandou trombetear pelos cantos todos do mundo, por uma anja ruiva, que um novo ser nasceu por obra e graça de si mesmo, gerado, não se sabe se por uma virgem, mas à semelhança da mãe, sem a participação prazerosa de um macho. Um clone. Se não for fraude pode significar o ressurgimento do glorioso matriarcado, a decadência do homem-reprodutor clássico, o nascimento do homem-eunuco. Lembra também o epsódio bíblico do nascimento daquele outro, o Cristo, que prescindiu da inseminação natural e e foi feito à semelhança do pai. Traz embutidas outras preocupações como o resgate da odiosa idéia do eugenismo, ou a manipulação geral da vida por esse povo cientista. O futuro pode ser uma bosta.
A conclusão do mapeamento genômico humano confirmou, quase no fim do ano, que além da origem macaca da tonta espécie humana somos também iguais aos ratos, e a única diferença é a ausência de rabo longo.
Pras bandas de cá houve uma eleição presidencial onde todos os concorrentes defendiam a mesma coisa, e o que ganhou convidou os outros para serem ministros e tal. A escarlate bandeira da esquerda desbotou, os discursos viraram um, a crônica fome de 500 anos do raquítico povo deste patropi virou manchete como se fosse coisa recente.
Mulheres condenadas à morte por adultério na África mulçumana, homens recebendo sentença idêntica por criticarem o excesso das leis divinas nas coisas terrenas. A invenção pelo Bush sanguinário e a Condoleeza vampira de um eixo do mal que precisa ser dizimado. E por aí vai
2003 parece que promete! O consolo é que é um ano ímpar. Isso quer dizer alguma coisa?
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