quinta-feira, dezembro 05, 2002



Al mare

(foto: Ansel Adams)
Zarpar, fazer-se ao mar como antigamente, sem pensar se é revolto ou manso, singrar, mirar pra além da risca que demarca a água e o céu, ali onde se misturam provocando a ilusão que horizonte é coisa que se alcança ou pega. Rumar na direção oposta à que a bússola aponta, deixar que o destino se consuma e trace a rota, e una enfim o que há de ser unido.

Buscar o porto braço-colo-ventre dela que imagina acolhedor e morno. Os vaticínios indicam que é possível mas também alertam que o caminho das águas é traiçoiero; que as miragens do mar são enganosas; que esse porto pode existir ou ser um logro; que o canto das sereias ilude tanto e enlouquece navegantes solitários.

Assim lançado, talvez chegue, talvez sucumba afogado e não retorne mais. Ainda assim convém partir...


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