sexta-feira, novembro 01, 2002
Sexus sapientia
Vendo cá um documentário sobre os nossos símios parentes me ocorreu mais uma das minhas costumeiras heresias: o povo das ciências, esse que vasculha e bisbilhota a evolução da inteligência dessa nossa humana raça, tá errado. O pressuposto deles é que essa faculdade que nos diferencia dos demais bichos se desenvolveu a partir das necessidades básicas de comida, moradia e defesa. Na busca dessas coisas aí é que a gente ficou mais sabido pra engabelar o resto da bicharada e dominar o pedaço.
Pra mim isso daí contribuiu pouco. O que pesou mesmo foi o sexo, quer dizer, a sacanagem na hora de mandar ver. A busca pelo prazer cada vez maior no dito intercurso carnal é que forçou nossa espécie a botar os neurônios pra funcionar que macumunados com os hormônios deram os sopapos na incipiente inteligência e o exercício mental pra aprimorar esse jogo do vuco-vuco, descobrir novas posições, partes erógenas, um tal de pega e solta, alisa e beija, funga e lambe forneceu a química necessária pra inteligência prosperar.
E tudo isso começou lá pra trás quando um casal de hominídeos resolveu mudar de posição, aquela de quatro em que o macho pega por trás, e introduziu a ternura nessa relação, até ali mecânica. De lá pra cá não parou mais de procurar possibilidades nem de desenvolver os miolos.
Já os animais todos permaneceram fazendo sexo do mesmo jeito que os primeiros de cada espécie, se contentando apenas com aquele vai-e-vem monótono, numa mesma e única posição talvez instintivamente preocupados apenas com a reprodução da raça. Por isso estancaram, que nem essa macacada que vi hoje na televisão. Né não?
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