quinta-feira, novembro 07, 2002
Salve Rainha
O dr. Freud, aquele Sigmund lá, talvez tenha acertado quando localizou na infância a origem de tudo quanto é neura nas criaturas. É um período da vida onde tudo se incute e o que é incutido leva anos pra ser processado e dificilmente larga totalmente do juízo da gente.
Lembro que no meu tempo de menino ali no pacato interior onde nasci a fé era ensinada na base do temor a deus e às entidades santas, e lá no catecismo tinha orações que insuflava o medo do pecado, da danação, e a necessidade permanente de pedir perdão pra garantir o reino dos céus. Mas mesmo assim os apelos do pecado carnal e dos outros todos eram mais fortes que o temor de ir pro purgatório ou inferno.
Ademais, pra amenizar tinha uma reza que quando a gente rezava dava a nítida sensação que acabava toda aquela aflição de pecador e deixava cada um zerado nas transgressões ao divino e liberado pra cometer mais pecados antes de passar num confessionário e receber as penitências.
Parece que perdi a fé, ou grande parte dela, mas nunca esqueci da bela oração que aliviava meu temeroso e atormentado coração de menino:
Salve Rainha, Mãe de misericórdia,
vida, doçura e esperança nossa, salve!
A vós bradamos os degradados filhos de Eva.
A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas.
Eia pois advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei.
E depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto de vosso ventre.
Ó clemente ! ó piedosa ! ó doce sempre Virgem Maria!
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