terça-feira, novembro 19, 2002



Eles lá e nós cá...

Faz tempo que a chamada e dita elite deste patropi além de chupar o sangue da patuléia ainda esculacha e assegura que há uma crônica incapacidade desse povaréu brabo, cheio das manemolências, desnutrido de proteína e miolo, se desenvolver, que nem fez aquele tinhoso Joaquim Murtinho, Ministro da Fazenda de Campos Salles (1898-1902), quando escreveu isso aí:

Não podemos, como muitos aspiram, tomar os Estados Unidos da América do Norte como tipo para nosso desenvolvimento industrial, porque não temos as aptidões superiores da sua raça.

A tal de Fome Zero proposta pelos vencedores de plantão, nem pensar:

Seria contra os princípios de justiça proteger os ineptos, os imprevidentes, os viciosos, com o sacrifício dos que lutam, que se esforçam.

O gaiato defendia o arrocho fiscal, a recessão, a austeridade e o desemprego... pros outros, já que ele, imbricado com o poder, conseguiu concessões graciosas pra explorar minas de ouro, ferrovia e outros rentáveis negócios, a ponto de encher as burras e se tornar o cara mais cheio de grana no país, no tempo dele.

Solteirão inveterado era chegado a uma sacanagem, circulava pelas prostitutas de luxo do Rio e, segundo se diz, até mandou cunhar a estampa de uma delas, a disputada madame Prates na nota de dois mil réis.

Fornicava com Laurinda Santos Lobo, sua sobrinha e amante, pra quem mandou construir um palacete em Santa Tereza, de onde ela comandava a sociedade carioca com festas pros bacanas e era chamada de marechala da elegância.

De fato, se o povo de cá tivesse mesmo outras aptidões já teria apeado esses malandros do poder há muito tempo. Ora, pois.

(Esses instrutivos babados, e muito mais malandragem conforme informa o jornalista Elio Gaspari, serão contados num livro escrito pela pesquisadora Hilda Machado, da Universidade Federal Fluminense chamado "Laurinda Santos Lobo - Mecenas, artistas e outros marginais em Santa Teresa", que será lançado em dezembro.)


Nenhum comentário:

Postar um comentário