quarta-feira, outubro 16, 2002
Voto
O povo mais novo só sabe por leitura ou informação oral que teve um tempo, não muito longe, neste patropi, que o ar era escasso e a luz pouca o que resultava em dias e noites escuros que nem breu.
Gritar nas ruas era risco de vida, liberdade era palavra quase banida. Bota e baioneta eram a lei. Foi nesse tempo que uma catarse pessoal me catapultou ainda verde de vida pro combate e arrisquei minha jugular por mais luz e ar. Sobrevivi sem sequelas e dou graças pela aragem abundante e a luminosidade de sobra que desfrutamos agora. Sei que isso só não basta e o povo precisa de mais umas coisas essenciais à vida.
Por conta de ter vivido isso miro meio zonzo esse embate definidor de agora e torço pra que todo mundo entre nele consciente e saque que, qualquer que seja o resultado, a sinuca de bico permanece e o paraíso prometido tá longe que só. Torço pra que não se entre numa catarse coletiva porque ela pode até lavar a alma mas quase sempre joga o corpo no abismo como a história tem provado. É preciso entender os obstáculos pós-vitória (ou derrota) ou então a frustração pós-catarse pode virar um redemoinho e mandar tudo pro beleléu.
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