quarta-feira, outubro 23, 2002



Mulher brasileira
(e de outras partes)





Eu gosto daquelas espevitadas feministas dos anos 70 que, com ira e graça, chamavam a atenção do macharal mandão pra sua insuportável condição de inferioridade por eles imposta em tudo quanto era coisa na vida, queimando nas públicas praças os apetrechos que simbolizavam, segundo elas, essa dominação como as calcinhas e os hoje indispensáveis califons que dão importante sustentação aos peitos e são cientificamente reconhecidos como importantes pra saúde daquelas belas partes.

Conseguiram que o mundo enxergasse essa odienta discriminação que dura desde quando o matriarcado perdeu força, e deram um chega pra lá na consciência de um bocado de gentes. Incorporaram, além de muitos aliados masculinos, algumas conquistas fundamentais nas áreas profissionais e pessoais e demonstraram seu extraordinário valor.

Mas falta muito pra desejada igualdade de oportunidades e condições no mundo e aqui. Taí o Relatório Nacional Brasileiro desenvolvido pelo povo das organizações não governamentais revelando que cá neste nosso imenso Pindorama a coisa avançou quase nada, apontando coisas espantosas assim:

- o emprego doméstico ainda é a principal ocupação da mulher e 76% das domésticas não têm registro em carteira e 88% ganham menos do que dois salários mínimos.

- as mulheres trabalhadoras recebem o equivalente a 60,7% da remuneração dos homens

- a impedernida CLT discrimina as mulheres

- a cada 15 segundos uma mulher é espancada

- de 85 para cá, as mulheres aumentaram a sua taxa de atividade em 47,6% e os homens, 73,6%.

- as mulheres brasileiras representam 40,4% da população economicamente ativa e na administração pública federal, 43,8%

E por aí vai. Será que a luta arrefeceu ou o povo indignado daquele tempo se escafedeu?

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