sexta-feira, outubro 11, 2002
Eus desvelados
Eu moro em mim, é o que me tentam fazer crer os psicanalíticos compêndios desse povo rompe-cuca. Não sei se de fato moro, mas desconfio que é em mim que enterro meus mortos, minhas lembranças, cultivo meus canteiros e colho, e é de mim que ressuscito sonhos sepultados e me surpreendo. Ali meus nervos rangem, o sangue ferve nas veias que palpitam, a libido explode, e a paixão pulsa avassaladora. É lá, em mim, que brigo comigo em exaustivos embates da banda ousada com a mais contida. Nuns venço, noutros só me desgasto.
Mas de uma coisa já tenho quase certeza: a minha casa-mim deve ser imensa porque faz tempo que vasculho e ainda não dei conta de cada canto nem de cada eu dos eus que lá habitam.
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