quarta-feira, setembro 04, 2002



Compulsória reclusão




Tem profissão que é assim, esquisita que nem essa que se abraçou comigo, e obriga, vez em quando, a gente se recluir junto com um monte de outras pra tentar ajudar resolver pepinos de organizações, as ditas empresariais e mais umas à beira da agonia.

E como quem produz problemas são as gentes que batalham nessas tais, há que se buscar saídas é nesse próprio povo. Aí pinta um inevitável desfile das nuances da natureza humana: da hipocrisia à sacanagem, da dissimulação ao oportunismo, de acusações e isenções de culpas e mais um monte de armadilhas que a inteligência humana é capaz de engendrar pra se safar ou lascar o outro.

Pois é, após três dias dentro dessa ventania, tentando dar um rumo pros vendavais, eis me aqui cansado pra caramba. Quase sempre tudo termina bem, e o tufão se transforma em leve brisa. Mas tô ficando enfastiado desse metiê. Qualquer dia deponho as armas, proclamo um definitivo armistício e ponho um boné, penduro os chinelos e vou zanzar descalço por essas orlas do mundo, por essas bordas e curvas, por esses ares colibri.


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