sexta-feira, julho 05, 2002
Lancinante
O meu cangote dói. A cervical pediu colo, chiou com o peso das tensões que os dias moedores quase sempre provocam com suas desastrosas combinações de ausência com saudade, abandono com vazio, e dos choques das querenças não correspondidas. E isso junto é tanto quilo não aferido num canto só que o cachaço não suporta e parece que trinca.
Mas presumo que essa dor física seja apenas um disfarce enganoso do corpo, porque a dor que disso resulta e sobra tem roteiro conhecido: resvala de baixo pra cima na direção da cumeeira do quengo, só pra azucrinar, pois ela se instala mesmo é no coração, esse repositório de imensas contradições que propicia tanto a expansão desmedida dos júbilos do amor como dos doloridos dissabores da desilusão.
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