segunda-feira, julho 22, 2002
Virgem invicta
A fornicação é vital pra tudo quanto é bicho e gente. Parece que pros bichos selvagens é por pura necessidade da manutenção das espécies deles. Pra nós, ditos humanos, é por isso e mais umas prazerosas coisas que as artimanhas da inteligência engendraram e dão um baita suporte às nossas íntimas querenças aliviando o cio que em nós, diferentemente dos outros bichos, é quase constante ou se provoca fácil.
Mas tem quem passe pela vida incólume, e por alguma razão se safou dos naturais apelos da carne. É o caso de Francisca Ribeiro da Silva, do Ceará, conhecida como dona Nenê (ou Neném), 85 anos, atriz, pois participou recentemente de um premiado curta chamado No Passo da Véia, de Jane Malaquias, que embora possa parecer não relata a sua história pessoal.
Conforme depoimento dela numa matéria sobre primeira vez, preliminares, orgasmos, prazer e tal no caderno Almanaque do jornal O Povo, de Fortaleza, só casou aos 73 anos. Ele tinha 76. Deu nisso aí:
Minha cabeça tá assim meio véia, mas acho que foi isso mesmo. Eu só sei que passei dois anos casada com ele. Quando foi na entrada dos três, ele morreu. Ele tinha trombose. Não teve jeito. Aí, fiquei viúva. Viúva e zerada porque não teve lua-de-mel, não. Como eu disse, eu casei de véu e grinalda. Zerada. Eu era moça. Nunca tinha feito nada na minha vida. E fiquei assim porque Maninho nem descobria mais o Brasil. Aliás, naquela idade, descobria mais nada.
Penso que daqui a pouco vão fazer um filme, curta que seja, sobre a heróica e involuntária abstinência de dona Neném.
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