sexta-feira, julho 12, 2002
Equilíbrio
Admiro a denodada e incessante busca da maioria das gentes pelo desejado e difícil equilíbrio, esse imaginário ponto que não se sabe onde fica e que seria, supostamente, uma das fontes da felicidade dessa nossa humana e estranha raça. Mas desconfio que essa seja uma vã procura nem tanto por culpa das céticas ciências que a tudo fragmenta e conceitua, ensinando que o equilíbrio do sólido é diferente do líquido que destoa do gasoso.
Essa tortuosa e científica trilha pode levar a uma pergunta assim: como podem complexos seres compostos de carne, osso, sangue, sal e desejo, com esse monte de elementos distintos convivendo num só corpo, cada qual com suas propriedades diversas, harmonizarem tudo isso numa única e equilibrada coisa?
Tem hora que o corpo quer e a alma deseja, o sangue ferve e a carne arde, mas isso significa só um rumo do conjunto. Tem hora que tudo isso não tem rumo nem direção e quer dizer dispersão.
Pra mim, não vale a pena a procura porque elimina o sentido da vida que é movida por essas contradições, pela permanente luta dos contrários que agita a gente e colore a existência, embora vez por outra também borre. Ainda assim prefiro o fuzuê do desequilíbrio porque equilibrar significa anular.
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