quarta-feira, junho 12, 2002



O meu amor proclamo

Há esse horizonte que não se amplia para além desse círculo estreito que me cerca, dessa sala, desse prédio, desse limite que a mim não me impus e que compulsoriamente teima em se antepor entre mim e a criatura ardentemente desejada. E lá e cá tem as circunstâncias da vida que atam vidas a outras vidas e produzem os laços que prendem e os nós que acocham. O estranho conformismo que resulta disso paralisa o passo, impede o salto e gera as ansiedades, as angustiantes incertezas, as tristezas por não se ter a quem se quer.

Aí o quengo arde, vira geléia, e o coração se aflige e incomodado se impacienta marcando passo. De quando em vez acelera e noutras quase pára. Bandido coração, esse meu apaixonado, descrente de pulsar junto do dela no compasso ou destoado, insinua que devo rumar noutro rumo, buscar aqui ou nas bandas de lá outro coração menos arisco.

E ainda tem o tempo que encurta e vai, e por conta dele, desse funil que se estreita, dessa vida útil que se dissipa, o desalento bate forte feito um exterminador de sonhos e de vontades.

Mas não desisto. As minhas vontades sempre se originam nas entranhas, são viscerais, e quando se incrustam ali dificilmente se abatem. Por isso o meu amor proclamo.



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