O embate
(Final Brasil x Alemanha)
Nesse confronte que se aproxima, esse de domingo, entre as chuteiras de lá e as de cá, convém talvez, para destrinchar a natureza das fraquezas e fortalezas de cada um, saber a origem de cada qual, tirar proveito disso e montar as estratégias e táticas. Pode ser de grande serventia nesses tempos de muitas ciências.
Pois no princípio pintaram eles e nós assim:
Nós
(...)/ estará bem empregado todo o cuidado que Sua Majestade mandar Ter d'este novo reino; pois está para edificar nele um grande império, o qual com pouca despesa destes reinos se fará tão soberano que seja um dos Estados do mundo.."
(...) Tem estes índios mais que são homens enxutos, mui ligeiros para saltar e trepar, grandes corredores e extremados marinheiros, como os metem nos barcos e navios, onde com todo o tempo ninguém toma as vellas como elles; são grandes remadores ... são também muito engenhosos para tomarem quando lhes ensinam os brancos, como não for cousa de conta, nem de sentido: porque são para isso muito bárbaros. (Gabriel Soares de Sousa - Tratado Descritivo do Brasil - 1587)
(...) com grande tripúdio matam os prisioneiros, tendo-os engordado cuidadosamente por alguns dias, e comem-nos assados em espetos. Marcham alegres para a morte aqueles a quem está reservado tal destino, e publicando como de uma resenha, as façanhas praticadas contra os seus próprios verdugos, unfanam-se de não morrer sem vingança." (Gaspar Barlaeus - Rerum per Octennuim in Brasília -1647)
Eles
(...) Toda a Germânia está separada das Gálias, da Récia e da Panônia pelo Reno e Danúbio; da Sarmátia e da Dácia por alguns montes e por seus mútuos temores (...)/ com habitantes e reis que a guerra nos fez descobrir recentemente. O Reno nasce de um despenhadeiro inacessível dos Alpes Récios, e depois de torcer um pouco para o poente desemboca no oceano setentrional. O Danúbio, espalhado de um monte pouco elevado e de acesso suave no monte Abnoba, passa por muitos povos até que se lança ao Ponto Euxino por seis bocas, a sétima some nos pântanos. (...)
(...) Creio que os germanos são naturais da própria terra e que jamais se mesclaram com a vinda e hospedagem de outros povos; pois, antigamente, todos que emigravam não iam por terra senão por mar e são raros os navios que de nosso mundo se aventuram a penetrar no Oceano imenso e, por assim dizer, oposto ao nosso. Ainda sem o perigo e o horror de um mar desconhecido, quem abandonaria a Ásia, África ou Itália para dirigir-se a essa Germânia(...)
(...) Sou da opinião dos que crêem que os povos da Germânia não se alteraram por casamentos com nenhuma outra nação e que são uma raça singular, genuína e semelhante só a si mesma. Portanto, possuem uma perfeita analogia de figura entre eles, ainda que tão numerosos; são de olhos azuis e selvagens, de cabelos ruivos, corpo avantajado e forte só para o ataque violento, mas não suportam com resignação os trabalhos e as fadigas, metem-lhes medo o calor e a fadiga, todavia toleram a fome e o frio por afeitos à avareza e à inclemência do clima. ( Tácito - Germania - 98 d.C.)
Penso que sabendo desses macetes já dá pra gente deduzir quem vai pro beleléu no domingo, né não?
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