sexta-feira, junho 28, 2002



Amava

Aquele Gregório, o de Matos, era mordaz, sarcástico e contundente que só. Baixava o cacete nos costumes do seu tempo, gostava de dá uns nós nas hipocrisias reinantes e era sempre certeiro nas críticas e nos torpedos lançados. Mas tinha um coração apaixonado por uma donzela e se derretia todo quando pensava nela, e se angustiava assim:

Ó tu do meu amor fiel traslado
Mariposa entre as chamas consumida,
Pois se à força do ardor perdes a vida,
A violência do fogo me há prostrado.

Tu de amante o teu hás encontrado,
Essa flama girando apetecida;
Eu girando uma penha endurecida,
No fogo, que exalou, morro abrasado.

Ambos de firmes anelando chamas,
Tu a vida deixas, eu a morte imploro
Nas constâncias iguais, iguais nas chamas.

Mas ai! que diferença entre nós choro,
Pois acabando tu ao fogo, que amas,
Eu morro, sem chegar à luz, que adoro.


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