quarta-feira, maio 15, 2002
Eróticas mãos
Fumegante café, dedos trêmulos contando botões enfileirados, face quase na face, uma voz que persuade em um francês gutural sem engodo nem ardil e outra que só murmura uma promessa de amor. Um jogo de sombra e luz, um filme em preto e branco e perfeita fotografia. Na seqüência e em close um par de mãos em carícias insinua tudo o que se passa na cama, dos afagos iniciais ao êxtase final, ali crispadas no branco lençol amarfanhado.
Pode ter sido em Hiroshima Meu Amor ou talvez em Ano Passado Em Mariembad, de Alan Resnais. Ou em Os Amantes ou ainda em Trinta Anos Esta Noite, de Louis Malle. Não lembro agora, só sei que essa cena me veio à memória porque vi ontem em um canal de TV a cabo pedaço de um filme pretensamente moderno cheio de sussurros e fodas frenéticas, quase explícitas, em tomadas tão banais que a carga de excitação não chega nem perto daquela cena das mãos, a tal que apenas sugeria com sutileza e arte.