sábado, janeiro 26, 2002



Geometria dos sentidos

Das figuras que se medem ou que se podem medir, essas planas, angulosas, as de rasas profunidades, de retas baixuras, curvosas alturas, aquelas helicoidais, as trapezóides também e mais um monte de outras estranhas formas, que se deseje mensurar por dentro e pelo avesso, a limitada geometrtia euclidiana sempre dá conta.

Se se pretende medir com exata precisão imagens rugosas de imprecisos traçados como uma folha de ávore, o espinhaço humano, o mediastino, o piloro ou ou duodeno, o nariz, o útero ou o cacete, um ovo, um par de orelhas, duas parelhas de dentes ou um fio de fino cabelo, a foz de um rio, a maré e sua espuma, o ante-braço, a pleura, os bagos dependurados, os pequenos e grandes lábios, a embocadura de uma buçanha, o cangote, a depressão de uma nuca ou a ponta da língua nela, umbigo raso ou profundo, o vinho que cabe nele, o vão das costas e da frente, o tamanho de um mamilo, ou a extensão da alma de cada ser, a euclidiana não serve.

Se acuda então de outra geometria mais propícia, apropriada, como essa tal da fractal, ou então invente outra com base nos seus sentidos que são sempre mais precisos.