segunda-feira, janeiro 07, 2002
Exílio temporário
Auto-seqüestrado bestamente, pra descanso quase forçado, tô eu aqui, numa lonjura dessa, nesse buraco aqüífero-medicinal, rodeado de montanhas frias e muito mato dessa sofisticada família aqüifoliácea. Mas tem também uns arbustos chinfrins, fuleiros, rasteiros, cheios de espinhos e daninhos, como aliás tem em tudo que é canto no mundo. Aqui o horizonte é uma sucessão de picos por detrás dos outros, esbarrando nas montanhas. Pela primeira vez vejo esse tal de meu horizonte assim circular e limitado. Minha sensação é que tô dentro de um cone, ali na parte fina e afunilada da espiral, meio sem fôlego, doido pra resfolegar. E tô eu cá, nesse exílio voluntário mandando esses sinais de fumaça-vida de um cybermato que opera por ondas de rádio. É, parece que o futuro já invadiu a baixa-da-égua, os arredores, o fim do mundo e um pouco mais.
Se eu sair dessa folia invertida vivo e inteiro vou mergulhar em águas mais revoltas, num lugar que o horizonte se espalha, é móvel e tá além, ali onde a vista alcança, e se funde com o céu. O ar tem cheiro de maresia e é lá que eu habito e é pra lá que eu vou.