quarta-feira, janeiro 16, 2002



Escombros

Exercitando a minha banda espreitadora dei um rolê pelos arredores daqui e dali, e li sobre amores que rapidamente se desvaneceram como bolhas de espuma. E aí pensei cá que o óbvio é tão evidente que ninguém vê, como disse ou diria aquele Nelson lá, aquele das rodriguianas sacadas. E a obviedade mais monumental é essa uma, essa que nada perdura eternamente, seja pedra ou casa, gente, paixão ou amor.

E o amor a gente sabe, não se contém nas limitadas fronteiras de cada um e extrapola pra além de cada qual, se esbalda na zona do delírio e vai pro público conhecimento na forma de ideal idílico. E enquanto tudo permanece aceso é uma boniteza só. Daí que certos públicos amores, ou amores publicados nos íntimos detalhes, da fúria à ternura, dos fatos às fodas pintam como maciços mas são, como tudo, sólidos como gás.

Penso que é preciso ficar atento pro desencanto não descambar pro desalento, e o antídoto mais eficaz pra não cair na esparrela da depressão e de outras armadilhas do quengo é ter sempre em mente as obviedades todas, como essa: em cima de escombros também se constrói.