quarta-feira, dezembro 19, 2001



Teorias d’amor

Perscrute as entranhas, as vísceras de baixo quando quiser inventariar os amores, aqueles que foram, os que prometeram ser e os que nunca foram nem prometeram, e os que são sem a gente saber. Pois não se engane, é lá, na cavidade abdominal, que o amor se instala: no fígado, pâncreas e tripas. Nessas partes sensíveis os registros são mais fortes, demoram esmaecer.

Já nas vísceras de cima, as tais cranianas, ele, o amor, faz é degringolar pela ação deletéria das tramas da razão, pela lógica azeda que destrói as querenças inventando impossibilidades.

Daí que o amor-cabeça engendrado no juízo já nasce é troncho e dura quase nada. Então viva o amor-pâncreas que não pensa e mergulha cego, embora se arrebente.