Babilônico mundo
Pois me lembrei daquela pedra verde e circular que tá guardada lá no Louvre, e do que foi escrito nela há mais de 3.700 anos. Um conjunto de 282 artigos de regras rígidas que se aplicadas aos dias de hoje, conforme era lá, metade dessa população do mundo estaria morta ou mutilada, tal a sanha de justiça daquele código que vigorou ali na Babilônia (que estaria hoje dentro do Iraque), o duríssimo Código de Hamurabi, o rei que se considerava justo.
Tinha coisas assim: se alguém acusasse outro sem prova, deveria ser morto; se um homem difamasse uma mulher sem prova teria o cabelo raspado na fronte; se um arquiteto projetasse uma casa e ela caísse e matasse o dono, o arquiteto deveria ser morto; se um médico fizesse um incisão em alguém livre e o mutilasse ou matasse (imagine que naquele tempo não tinha antibiótico e as infecções eram quase fatais) teria suas mão amputadas (se isso ocorresse com um escravo a pena era mais branda. Continua assim, né?); se um juiz prolatasse uma sentença errada, pagaria as custas multiplicadas por doze e ainda perdia a condição de magistrado; se a esposa de alguém fosse flagrada em contato sexual com outro, os dois seriam amarrados e jogados na água de um rio ou reservatório, salvo se o marido perdoasse a mulher o rei ao servo. E ainda tinha outras penas cruéis desse tipo: jogar o acusado no fogo, cravar o(a) coitado(a) numa estaca, e mutilaçõs corporais dependendo da gravidade do delito como cortar a língua, o seio, a orelha, arrancar os olhos e os dentes.O tempo passou, a civilização deu uns saltos, mas a humanidade não foi capaz de abolir o crime por via da consciência de cada um, e a pedra tá lá pra provar que a Babilônia ainda se perpetua camuflada pelo mundo.
