segunda-feira, dezembro 03, 2001



Amuado

Tô cansado dos embates, desses áridos e dos férteis, dos que pululam ululando com um zunido infernal, e daqueles mais calados, escrotos, dissimulados. Quero nem saber do povo que polemiza sobre pulgas ou sobre nadas, sobre conceitos ou livros, filosofias, poesias, coisas modernas e antigas, bichanos, religiões, ratos, cavalos e patos, e também politicagem, cocô-disso ou daquilo, gente encastelada, fodida, enclausurada. E ainda dos libertos que mais parecem cativos, dos que varam a madrugada importunando o juízo de quem tem e quem não tem.

Essas coisas me emputecem não tanto porque não goste, nem também por ojeriza vez que umas me apetecem e até me estimulam. O diabo é que tomam o tempo daquela criatura meio-moça meio-pétala que se envolve aguerrida em cada combate desse como se fosse uma guerrilha, e se exaure, se aborrece, chora, xinga e até ri. E no fim roubam dela momentos que eram pra mim.