quarta-feira, dezembro 12, 2001



Abstrato no concreto

Tenho birra com certas palavras híbridas nem tanto pelos seus sons, nem tampouco pela força que tenham ou possam ter, e sim por serem pretensiosas pela abrangência que têm e pelos dúbios conceitos que quase sempre elas geram toda vez que são usadas. Psicofísico é uma.

Saca só esses sintomas aí, dependendo da intensidade, claro: o coração acelera e dispara, paralisação momentânea das funções cardíaco/respiratórias, o sangue se manda dos vasos periféricos causando palidez, a transpiração fica profusa. Ali, mais pra baixo, as atividades motrizes do estômago dão uma paradinha e as alças intestinais se dilatam, a secreção gástrica dá uma cessada e as fibras musculares lisas do tubo digestivo inteiro relaxam. E haja adrenalina abundante por toda parte.

Esse é um fenômeno dito psicofísico que o povo das psicologias classifica como medo, mas que um fã exacerbado chama de emoção quando chega perto do seu ídolo, e certos apaixonados dizem sentir quando estão junto do outro. Tem quem afirme que raiva/ódio provoca coisa igual.

A palavra, na verdade, tem culpa, só define. Se estrepa mesmo é quem tenta separar o que ela mistura.