terça-feira, novembro 06, 2001
Saga dos desenganos
De tão anônimo é improvável que um dia de mim me contem a saga. E se contarem certamente dirão que amei demasiado, e que foi tanto e que esse tanto quase sempre me fez perder o rumo, a rota exata, o prumo, a noção das coisas e que me expus ridiculamente ao escárnio de sagazes corações bandidos que a mim, sabe-se lá por quais razões, simularam paixões desesperadas. E que por isso muitos foram os desenganos.
Dirão que amei compulsiva e docemente cada mulher como se fosse o último amor que eu pudesse ter. E que amei e tive umas, e que outras nunca tive e que uma dentre todas me arrebatou mais que as demais. Que fui feliz e não, que morri velho e sossegado de morte natural, mas que suspeitam que a verdadeira causa mortis tenha sido mesmo um tal de agudo amor.
Pra completar esse aí de cima taí dois posts antigos republicados agora pelo clima do momento.
À Deriva
Não me tome como bússola
pois é comum me perder
em cada mar que navego.
Não me tome como âncora
pois nem a mim me preservo
e quase sempre naufrago
nas águas de cada porto,
na beira de cada cais.
Pranto
Dia a dia me convenço
que pra lágrimas de amor
é inútil ter lenço