segunda-feira, novembro 05, 2001



Ela

No âmbito das matemáticas toda metade é meio porque elas se compõem de quantidades e grandezas e carecem da rígida exatidão nos cálculos que as determinam, sob pena de tudo desmoronar. E aí nunca tem erro: metade mais meio é um.

Já nas gentes é diferente e o significado é ambíguo, podendo ser esse ou outro, porque gente se compõe de abstratos sentimentos, e em cada criatura o sentimento é diverso, não tem volume nem massa e por isso não se mede nem se pesa e nem se vê. E aí metade com metade pode extrapolar de um, e pode haver tantas metades que somadas não completam nunca um.

E por serem assim amorfos os tais ditos não se enquadram nos rigores dos conceitos das matemáticas e físicas, como esses de espaço, de volume e de massa. Mas uma coisa me encuca. Embora desprovidos dos rigores dessas leis, dois sentimentos de amor, por diferentes pessoas, não ocupam porque não cabem, o mesmo espaço ao mesmo tempo, no meu quengo e também nos de outras criaturas, semelhante ao que acontece lá na lei dos corpos sólidos. E é o que ocorre comigo neste momento e digo que o meu amor é só dela, daquela das palavras ternas e de olhar pidão, que cada vez que eu olho sei que é ela que eu quero.

Tem outras teorias tipo quântica ou tipo caos que podem baratinar tudo isso que foi dito. Mas essa história é outra...