domingo, outubro 21, 2001
Rebuliço
Tem vez que chega suave e pouco a pouco ocupa espaço. Tem outras que galopeia e invade de supetão com grande voracidade. Não há regras que regule, que enquadre ou que segure o ímpeto que o amor tem, nem seus ardis e suas manhas, nem seus muitos paradoxos e todas suas estripulias. Aí ele deita e rola, se apodera, faz de você o que quer, deixa alegre, deixa bobo, e enquanto ali permanece usurpa feito um tirano o pensamento da gente e faz com que ele se ocupe e se ligue o tempo todo é na amada criatura. Porém parece que uma coisa é certa, chegando brando ou brusco o rebuliço que causa é semelhante ou igual.
E nem precisava ser assim tão sorrateiro e astucioso porque quase ninguém no mundo lhe oferece resistência, e as gentes todas do mundo tão querendo, na verdade, é encontrar um. Mas o grande barato é esse, esse de pintar sempre de forma diferente pra surpreender, encantar. Tem hora que o efeito explode é logo de imediato, mas tem outras que o resultado chega meio retardado.
E se você tá inquieto, vez em quando palpita tudo, o pulso dispara e freia, o pensamento vagueia e termina rumando prum rumo ali bem pra além de onde mora, e o riso escancara dentro e tenta conter ele lá, mas escapole espontâneo e os seus lábios denunciam o que o avesso escondia, então desconfie, pois foi contagiado por esse tal rebuliço.