sábado, setembro 29, 2001
Femina
Uiva, grita e range os dentes
numa imitação febril de fera,
e como vampiro de si mesma
se fere dentro como se fosse fora,
e se suga, mortifica se consome
num feroz embate entre ela e ela,
e sobra é a dor que ela demonstra
por não ser a fera que se mostra
sempre que alguém lhe pisa ou fere
num ataque ou numa circunstância
que ofenda a condição de ser mulher.
E no fim de tudo o que aflora mesmo
é uma alma sensível, meiga e calma
que discerne bem e é determinada.
Tudo isso esse admirável gênero herda
e não tem culpa nem pode ser culpado
desse mundo transformar-se numa merda